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Candidata entrega gabarito do Enem em branco e tira nota maior que a mínima

Professora de cursinho pré-universitário fez a prova apenas para conseguir o caderno de questões

Por por MARIANA NADAI Atualizado em 16 Maio 2017, 13h26 - Publicado em 17 jan 2012, 15h26

A divulgação das notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2011 foi motivo de apreensão para a professora de física Mônica Nunes, do curso pré-vestibular Oficina do Estudante, de Campinas, no interior de São Paulo. A professora fez a prova apenas para conseguir o caderno de questões e não se preocupou em preencher o gabarito no final. Mesmo assim, ela tirou notas maiores do que as mínimas do Enem.

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A professora fez o Enem a trabalho, para ter acesso o quanto antes à prova e começar a correção no cursinho que dá aulas. “O Inep (Instituto de Estudos e Pesquisas Educacionais) divulga o caderno de questões muito depois da prova. Fiz o exame para ter acesso a ele o quanto antes”, diz Mônica Nunes.

Ela conta que nem chegou a resolver a prova: “fiz apenas as questões de física, no primeiro dia do Enem, porque dou aulas da disciplina. Depois disso, e no dia seguinte, eu dormi para passar o tempo. Mas não passei nenhuma questão para o cartão de resposta, fiquei até com vergonha de devolvê-lo para o fiscal”, comenta.

Mesmo sem ter respondido nenhuma questão, a professora de física teve uma surpresa ao acessar os resultados do exame. “Só entrei no meu resultado em 2 de janeiro, semanas depois da divulgação, em 21 de dezembro. Como não fiz a prova direito, nem estava preocupada com isso. A minha surpresa foi ver que eu tinha uma nota para cada área do conhecimento, menos para a redação, que tirei zero”, explica.

Além de ter as notas, Mônica notou que seus resultados eram maiores que as mínimas divulgadas pelo Inep. Em Ciências Humanas, a nota da professora foi 252,9 pontos e a mínima de 252,6; Ciências da Natureza, 269,0 pontos e a mínima foi 265,0; em Linguagens e Códigos ela tirou 304,2 pontos, contra 301,2 da nota mínima. Matemática foi a única disciplina em que a professora tirou a mesma pontuação da nota mínima, 321,6 pontos.

Esclarecendo os pontos
Antes de falar com a imprensa, Mônica Nunes procurou o Inep para obter informações sobre as suas notas. “Falei com o instituto logo que vi minha nota. A explicação deles foi que o método de cálculo da nota, o TRI (Teoria da Resposta ao Item), não permite que ninguém tire zero na prova, mesmo que erre todas as questões”, explica.

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Não contente com a resposta, ela ainda conversou com o Inep mais duas vezes, sempre pelo site do instituto, no “fale conosco”. “Não estava satisfeita com a explicação deles. Ainda queria entender como tinha tirado notas maiores que a mínima nacional”. Na terceira tentativa, o instituto respondeu que o cálculo da nota é diferente para aqueles que fizeram provas especiais. Outro erro do Inep. “Expliquei que fiz a prova normal, mas não obtive mais respostas”, diz a professora.

De fato, em seu site, o Inep explica, em nota técnica, que pelo TRI não existe nota zero nas provas objetivas, mas sim uma nota mínima: “uma pessoa que erra todas as questões recebe o valor mínimo do teste, e não uma nota zero, pois não pode-se afirmar a partir do teste que ela possui zero conhecimento”.

Em nota o Ministério da Educação (MEC), explicou que uma das características da teoria de resposta ao item (TRI), metodologia aplicada pelo Inep na correção do Enem e outras avaliações, é não existir um zero absoluto, ainda que os candidatos tenham entregue a prova completamente em branco

Ainda de acordo com a nota, “para alunos convencionais que entregaram a prova em branco, as menores notas são: 304,2 (inglês) ou 301,2 (espanhol) em linguagens; 321,6 em matemática, 252,9 em ciências humanas e 269,0 em ciências da natureza. A professora Mônica Nunes, de Campinas (SP), que se inscreveu no Enem 2011 e não transcreveu respostas para os cartões, obteve exatamente a nota mínima para um candidato convencional que se limitou a assinar as provas”.

Entretanto, ao contrário do que diz o texto do MEC, as notas mínimas do Enem, publicadas no site do Inep em 22 de dezembro, não são idênticas as da candidata, são menores, como o descrito anteriormente. As notas registradas pelo Inep podem ser conferidas no site do instituto. 

O GUIA DO ESTUDANTE entrou em contato com o Inep para conferir qual o dado correto, mas até a tarde desta terça-feira (17), o instituto ainda não tinha se pronunciado.

Professora ainda acredita no Enem
Apesar do erro apresentado na sua nota, a professora Mônica diz que ainda acredita em tudo o que o exame representa. “Eu gosto do Enem. Acho que é uma boa ideia, principalmente porque ajuda muitos estudantes a entrarem em faculdades. Só fico brava com relação ao cálculo das notas”, diz.

Para Mônica, a forma como o TRI funciona ainda é muito obscura e causa dúvidas nos candidatos que fazem o exame. “Gostaria muito que o Enem continuasse existindo, mas sem prejudicar ninguém. Um erro como o que aconteceu comigo é determinante para um estudante”, afirma.

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