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Enem 2020: confira análise das provas de Ciências da Natureza e Matemática

Nível de dificuldade da prova manteve a tradição, mesmo em ano atípico, e não tratou pandemia e queimadas

Por Juliana Morales, Wender Starlles 25 jan 2021, 07h31

Assim como no primeiro dia de exame, a prova deste domingo (24) foi tradicional, no “estilo Enem”, segundo avaliação de especialistas. Daniel Cecílio, diretor pedagógico da Oficina do Estudante, afirma que a banca “não tirou o pé”  por conta do contexto atípico, e trouxe uma prova trabalhosa para os alunos, como de costume. Porém, a avaliação foi bem equilibrada e elaborada.

Daniel Perry, diretor do Curso Anglo, conta que as questões foram bem contextualizada e mantinham um bom diálogo com o cotidiano dos estudantes, como ao abordar o funcionamento do fone de ouvido, o consumo do etanol por carros e cálculo de orçamento familiar. Além da aparição de personagens populares como Garfield (em uma questão sobre movimentação de elétrons) e o Harry Potter.

Por outro lado, destaca-se a ausência de temas polêmicos e tão em alta, como a covid-19 e queimadas – ainda mais com tantas possibilidades de abordar essas temáticas nas diferentes áreas do conhecimento.

  • Confira agora a análise por disciplina do segundo dia de exame.

    Biologia

    De acordo com Perry, a prova de Biologia foi difícil, e das 16 questões da disciplina, nenhuma era óbvia. Exigia do aluno muita interpretação de imagens, gráficos e textos. 

    O tema mais cobrado foi Ecologia, que constituiu mais de 30% da prova. André Bourg,  professor de  Biologia da Oficina do Estudante, chama atenção para os assuntos tão atuais que ficaram de fora da avaliação, como a covid e os problemas ambientais no Amazonas e no Pantanal. “Foi uma prova neutra, sem nenhum tema polêmico”. 

    Fernando da Espiritu Santo, gerente de Inteligência Educacional e Avaliações do Poliedro, destaca a presença de três questões abordando os impactos ambientais da exploração do petróleo. 

    Química

    Julio Cesar, professor de Química da Plataforma AZ de Aprendizagem, avalia que a prova de Química teve um nível mediano e não apresentou novidades em relação aos conteúdos. “Tivemos três questões de cálculos que podem ter dado um pouquinho mais de trabalho, mas não eram contas tão difíceis assim”, observa.

    Pietro Escobar, da Oficina do Estudante, elogiou a prova, que “foi melhor elaborada que o ano passado”, e conseguiu avaliar melhor o conteúdo que os alunos aprenderam ao longo do Ensino Médio. Além disso, a avaliação cobrou os principais assuntos de Química. O professor, porém, acredita que o exame poderia ter abordado mais química orgânica. 

    Escobar também destaca as questões interdisciplinares entre Biologia e Química. “Foi uma interface muito bem feita, nitidamente, a prova foi elaborada por biólogos e químicos, trabalhando juntos”.

    Física

    Perry define a prova de Física como difícil e trabalhosa, com apenas três ou quatro questões fáceis. “O aluno tinha que saber teoria muito bem e estar bem preparado”.

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    O professor da Oficina do Estudante Rodrigo Araújo conta que a distribuição dos temas fugiu um pouco do histórico do Enem e dos demais vestibulares. Geralmente é cobrado uma quantidade maior de questões de mecânica, mas, dessa vez, a parte da física mais abordada foi eletricidade e magnetismo. “Inclusive, com duas questões de eletrostática que não havia caído nos últimos 8 anos da prova do Enem”. 

    Araújo destaca uma questão de termodinâmica, que usou termos técnicos referentes a peças de geladeira e processos na geladeira, “que são geralmente desconhecidos pelos alunos, mesmo aqueles que estudam o assunto”. 

    Matemática

    A prova de matemática também seguiu os moldes tradicionais do Enem. O gerente de avaliações do Poliedro destaca a tendência de inserir questões com a temática juvenil. “Tinha uma questão de anagrama que usava frases da saga Harry Potter”, comenta. 

    De modo geral, para ele mais da metade das questões podiam ser resolvidas utilizando conceitos simples de razões e proporções. Mas havia uma “pegadinha” na formulação da prova. “Se o estudante tentasse calcular tudo ao pé da letra não daria tempo. Para o bom desempenho era necessário usar e abusar das aproximações e das ordens de grandeza”, afirma.

    Mario Eduardo Fernandes, professor de matemática da Oficina do Estudante, destaca que os conceitos cobrados sobre razão, proporção e porcentagem foram próximos aos de edições anteriores. Porém, no Enem 2020 foi possível notar mais questões que envolviam análise combinatória e probabilidade. Ele sentiu falta de alguns conteúdos. “Em contrapartida, a estatística apareceu bem tímida, apenas com média aritmética e ponderada, não tivemos mediana, moda, desvio padrão, que é algo muito comum”, explica.

    A falta de questões sobre geometria analítica chamou atenção de Perry. “É um assunto ensinado no terceiro ano do ensino médio. Isso pode indicar uma preocupação em não tratar de assuntos do último ano do ciclo básico”, comenta.

    Outro fator interessante foi a ausência de questões com a temática da covid-19 ou envolvendo o contexto da pandemia. “O que tivemos mais próximo disso foi sobre aglomeração de pessoas em uma manifestação”, destaca Fernandes.

    Para Alex Rmoa, professor de matemática da Plataforma AZ de Aprendizagem, o candidato que estudou provas de anos anteriores se deu bem. Porém, ele sentiu que a edição 2020 cobrou conteúdos mais complexos. “A surpresa da prova foi inequação modular, que normalmente não é um assunto que cai”, observa.

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