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Enem: 8 livros que você deve ler (mesmo não sendo obrigatórios)

Dicas de leituras que caminham pela Literatura, Sociologia, Filosofia, História, enriquecendo debates de questões essenciais da humanidade

Por Juliana Morales 19 nov 2020, 19h08

Engana-se o estudante que acredita que a leitura é dispensável para o Enem, já que não há uma lista de obras obrigatórias como cobra os vestibulares da Fuvest e da Unicamp. Afinal, além das questões de Literatura que sempre compõe a prova, ler amplia horizontes e traz repertório cultural, o que é de suma importância para se dar bem nas diferentes áreas do conhecimento avaliadas no exame.

Vale deixar claro que quando falamos de Literatura no Enem não precisa se preocupar em lembrar a história de uma obra na ordem cronológica, citando o nome de todos os personagens. Esquece a decoreba. O mais interessante é conhecer bem as fases literárias e quem participou de cada movimento, pensando no contexto e linguagem usado por determinado autor, por exemplo. O estudante precisa ler o trecho no enunciado e ser capaz de fazer uma análise crítica, é isso que a banca deseja.

Com isto em mente, há uma estratégia de estudo que vai ajudar: ficar ligado nos autores nos quais as obras mais costumam aparecer nas questões. O Enem, por exemplo, adora falar dos modernistas, de todas as gerações. Autores como Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, Guimarães Rosa, Manuel Bandeira e Oswald de Andrade já protagonizaram várias questões ao longo dos anos.

Machado de Assis também é um dos queridinhos, não fica de fora. Para saber mais, confira uma análise do GUIA sobre os autores que mais aparecem nas provas do Enem neste link.

Dicas de leitura para o Enem

Além dos clássicos dos autores mais frequentes na prova, existem mais obras, que apesar de não serem obrigatórias, colaboram muito no conhecimento de temas relevantes para o mundo do vestibular.

São leituras que caminham pela Literatura, Sociologia, Filosofia, História, enriquecendo debates de questões essenciais da humanidade, ajudando o estudante a contextualizar melhor as questões, assim como dá uma ótima bagagem intelectual para argumentar na redação.

Os professores de Língua Portuguesa Thiago Braga, do Sistema de Ensino pH, e Dhiego Petrini, do Instituto Verdescola foram os responsáveis por montar essa lista a seguir com oito livros enriquecedores para quem vai prestar Enem.

1) A Nova Califórnia, de Lima Barreto

O livro aborda a questão da loucura desenfreada pelo dinheiro e poder. A cidade de Tubiacanga passa de uma pacata cidade para um verdadeiro caos desenfreado na corrida por ouro. A crítica social construída remonta a vários aspectos dos interesses do ser humano sendo capaz de passar por cima de sentimentos como compaixão e amizade assim como a moral e os valores éticos, independentemente da sua classe social.

O autor coloca pontos que são eternizados no ser humano e se contextualizam em qualquer momento histórico. A natureza humana é falha e possuiu sentimentos que a corrompem, como o egoísmo, a ganancia e a inveja.

“Com isso torna-se indispensável não pensar tal obra com um teor filosófico da moral e dos valores éticos impostos e propostos pela sociedade atual com espaço para reflexão do seu ser interior”, aponta Petrini.

2) Lima Barreto – Triste visionário, de Lilia Moritz Schwarcz 

A segunda dica de leitura é, justamente, a biografia do autor do livro citado acima. Durante sua vida, Lima Barreto enfrentou uma série de problemas de saúde mental, mas tinha uma visão social muito apurada. No início do século 20, por meio de suas obras, ele já traça um perfil do que seria a desigualdade social no Brasil naquele século e no posterior. Ele consegue antrever elitismo da nossa sociedade.

“É uma obra que oferece ao aluno uma ampla visão social do país, pelos olhos de um gênio que é o Lima Barreto, e de uma historiadora conceituada como a Lila”, elogia o professor Thiago Braga.

3) A Revolução dos Bichos, de George Orwell

Com uma linguagem simples e precisa, o escritor inglês George Orwell tenta denunciar os fatos que levam ao Totalitarismo, alusão quase direta à ditadura de Stalin. Orwell viveu duas guerras mundiais o que permite a construção de uma obra atemporal.

Petrini explica que, além do totalitarismo exercido pelo estado, representado pelos humanos, também podemos ver a corrupção dentro de qualquer governo. O porco Napoleão representando a classe dominada ganha poder após uma revolução, com o novo cargo de liderança ele é corrompido aos poucos, faz pequenos desvios na comida e no conforto usando seu posto para obter benefícios e privilégios pessoais. “Esse círculo vicioso onde o dominado vira o dominador se perpetua em muitos contextos da história do mundo”, observa o professor.

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4) A Civilização do Espetáculo, de Mario Vargas Llosa

Na obra, o escritor peruano fala sobre elementos que dificultam o convívio do homem no século 21, entre eles, a banalização da Literatura e da Arte, a vitória do sensacionalismo no Jornalismo e a política como um elemento mais sentimental do que de discussão de ideias, como explica Braga.

5) O Povo Brasileiro, de Darcy Ribeiro

Segundo Darcy Ribeiro, um dos principais antropólogos e sociólogos brasileiros, o que aconteceu no Brasil foi a atualização histórica, em um fenômeno de dominação, ou seja, o país foi totalmente dominado pela cultura europeia em meados do século 17, dominando quase que totalmente os povos nativos. A partir desse processo de atualização histórica foram criados os “povos novos”, originário de misturas de várias culturas, agora não só europeias, mas de diferentes partes do mundo, resultado dos processos de colonização europeia. O que podemos constatar com isso é a inter-relação racial de diferentes povos, causando assim uma miscigenação do dito povo novo.

“O livro é um excelente alicerce para definir toda a construção de um povo, as ideias centrais de uma das maiores mentes do estudo antropológico e sociológico que existiu no Brasil. A leitura dele ajudará a entender como fomos originados para assim então entender a verdadeira face da questão do que é ser brasileiro”, indicou Petrini.

6) A Filosofia Explica Grandes Questões da Humanidadede Clóvis De Barros Filho e Júlio Pompeu

Uma indicação para quem busca um livro sobre Filosofia, que debate e explica várias questões da humanidade, como a ética, a moral e o comportamento em geral, de uma forma acessível. “Como é um livro curto e com uma linguagem simples, ele é bastante interessante para os alunos para terem argumentos para redação e desenvolverem uma perspectiva histórica da Filosofia”, sugere o professor do Sistema pH.

7) A Peste, de Albert Camus

O livro é uma forte crítica ao nazismo vigente da época, mostrando como as pessoas podem mudar seus hábitos em diferentes contextos. Com várias reflexões dos reais sentimentos humanos o autor aborda temas como a existência, o exílio, a dúvida e o medo de um futuro incerto pautado em informações mascaradas sobre o vírus, também ressalta o amor, a compaixão e a solidariedade, conseguindo mostrar os dois lados da alma do ser humano.

“E por mais que o livro procure nos mostrar a dominação política e a crítica nazista através da analogia da peste, podemos usá-lo no contexto atual do coronavírus, já que o livro é separado em quatro fases onde as pessoas passam desde momentos de tensão, ansiedade e inquietação até a aceitação e o silencio”, afirma Petrini.

8) Sapiens: Uma breve história da humanidade, de Yuval Noah Harari

Ao traçar um panorama da história da humanidade, o autor aborda diversos momentos históricos importantes e o processo de formação das sociedades humanas. O professor Thiago Braga afirma que a obra ajuda o aluno a desenvolver visão antropológica ampla sobre o ser humano.

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