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Enem: veja impressões dos estudantes sobre o 2º dia de provas

Tema da redação e questões relacionadas a literatura surpreendem; matemática foi considerada difícil

Por Guilherme Eler - Atualizado em 16 Maio 2017, 13h40 - Publicado em 6 nov 2016, 20h29

O tema da redação do Enem 2016, “Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil”, foi uma surpresa para a maioria dos alunos. A proposta deveria ser desenvolvida durante as 5h30 da prova deste domingo, 6, que contou também com 90 questões das provas de Linguagens e Códigos e Matemática.

Para a elaboração da redação, a prova dispunha de quatro textos de apoio, entre eles, um trecho da Constituição Federal e uma nota do Ministério Público sobre a laicidade do Estado. Dois excertos de reportagens fechavam a coletânea, destacando a violência religiosa como crime inafiançável e o número de denúncias sobre discriminação. O texto deveria obedecer o formato dissertativo-argumentativo, com proposta de intervenção que considerasse os direitos humanos.

Alexandre de Paula Souza Moura, 23, diz ter sentido falta de assuntos “mais importantes” como a tragédia de Mariana, no fim do ano passado. O estudante de Psicologia presta o Enem pela quarta vez, e pretende utilizar a nota para cursar Biologia. Apesar de julgar a edição deste ano mais difícil que as anteriores, Alexandre foi primeiro a sair do Campus da Uninove na Barra Funda, Zona Oeste de São Paulo. O motivo: prestigiar o time do coração, Palmeiras, que jogaria às 17h a poucas quadras do local de prova.

A opinião sobre o tema da redação foi compartilhada por Guilherme Bontempo, 19. “Não tem muito relação com o Brasil, que é bem aberto a religiões”. Georgia Figueiredo, 19, e Kevin Mendes, 18, também tiveram dificuldades para desenvolver o tema. “Achava que ia ser algo relacionado a política”, diz Georgia, que quer cursar história na Unifesp.

Nas questões da prova de Linguagens e Códigos, temas como a representatividade feminina no esporte e consumismo tiveram destaque. Perguntas relacionaram os temas clássicos do exame, como funções da linguagem, com textos de autores da literatura brasileira como Machado de Assis, Clarice Lispector, João Cabral de Melo Neto e Ariano Suassuna.

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Matemática: contextualizada mas conteudista

Deixando o local de prova no tempo mínimo pelo segundo dia seguido, Lucas Nogueira, 17, declarou que intolerância religiosa era uma de suas apostas para a redação. “Fiz duas redações na semana passada sobre isso”. A parte de matemática, no entanto, o estudante considerou bastante exigente.

Matemática, que contextualizou as questões com temas dengue, terremotos e crise hídrica, também foi a parte mais difícil para Eduardo Bortolai Lourenço, 17. O estudante foi impedido de fazer as provas do primeiro dia por conta por estar sem RG ou cópia autenticada do documento. A ida no domingo serviu para “adquirir experiência para o ano que vem”.

Atrasados

Um dos únicos atrasados do segundo dia de provas foi Carlos Henrique Rodrigues da Silva, 21. Natural da Bahia, o candidato, que atualmente reside em Guarulhos, conta que chegou na estação de metrô mais próxima a cinco minutos do fechamento dos portões. Apesar do esforço, o jovem só chegou ao local de prova às 13h03.

A partir das 18h30 os candidatos já puderam sair com o caderno de prova. O gabarito oficial será divulgado na próxima quarta-feira, 9.

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