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Formada em Direito, estudante tira nota 1000 na redação do Enem

Aos 26 anos, Luciana decidiu mudar de carreira para seguir seu sonho de cursar Medicina

Por Carolina Vellei Atualizado em 23 jan 2018, 15h26 - Publicado em 23 jan 2018, 15h15

“Você precisa ter a estrutura do texto no sangue”, diz a estudante Luciana Carvalho, que aos 26 anos decidiu trocar as leis para seguir um novo rumo: a Medicina. Depois de tirar 1000 pontos na prova de redação, conceito máximo do Enem 2017, a estudante está mais próxima de realizar o sonho de entrar em um dos cursos mais concorridos do país.

Com uma trajetória um pouco diferente da maioria dos vestibulandos, Luciana acredita que o bom resultado veio do empenho em entender as características do texto exigidas pela banca.

Luciana acredita que conhecer bem a estrutura do texto exigida pelo Enem é essencial para ter boas notas. Luciana Carvalho/Arquivo pessoal

Em 2015, Luciana se formou em Direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e começou a trabalhar como trainee em um escritório de advocacia. Nessa época, ela já se sentia dividida entre as duas profissões. Seu namorado e sua melhor amiga, que hoje são médicos, influenciaram a estudante na hora de trocar de área.

“Acompanhei de perto toda a formação acadêmica deles e fui me apaixonando pelo curso”, conta. Com o dinheiro que conseguiu juntar durante um ano de trabalho e com a ajuda financeira do namorado, Luciana conseguiu pagar um cursinho preparatório para vestibular e voltou à cadeira de estudante para prestar o vestibular novamente.

De olho nas competências

Mesmo trocando de área, Luciana é grata ao Direito por ajudá-la a dominar a norma culta da escrita, uma das competências exigidas pela prova do Enem, e por fornecer a ela boas referências no texto de 2017. “Citei a Constituição Federal e a Declaração Universal de Direitos Humanos na introdução”, revela.

Com o tema “Desafios para Formação Educacional de Surdos”, a proposta de redação do Enem questionava as falhas na inclusão desse público na educação brasileira.

No desenvolvimento, Luciana lembra que também citou o pedagogo Paulo Freire, famoso por levantar a bandeira da educação inclusiva. Ela conta que os professores do cursinho falavam bastante do educador em sala de aula e, por isso, decidiu pesquisar sobre suas ideias em casa.

A jovem recomenda uma postura ativa para que o estudante aumente seu repertório cultural, essencial para aplicar conceitos de várias áreas de conhecimento no desenvolvimento do tema.

Além das pesquisas sobre pensadores e filósofos, Luciana lia com frequência diversos jornais e também as reportagens publicadas no site do Guia do Estudante sobre atualidades para saber sobre a realidade do país. “É importante porque o Enem trabalha muito as questões sociais brasileiras nas redações”, explica.

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Na opinião de Luciana, as duas chaves para dominar a redação são pesquisa e leitura constantes para estar preparado e dar conta até dos temas mais inusitados. “É importante pesquisar porque não tem como termos bagagem sobre tudo e o tema pode ser sobre cultura, sociedade, economia”, reflete.

Entenda seus erros

Saber quais pontos são problemáticos no texto é essencial para aperfeiçoar a escrita, na visão de Luciana. “Eu sou muito chata, sempre corri atrás de entender meus erros. Perturbo os professores até entender 100%”, brinca.

Além de participar dos plantões de correção, monitorias e debates semanalmente sobre temas atuais oferecidos pelo cursinho, a estudante adquiriu o hábito de ler redações que já tinham tirado nota mil no Enem para entender as estruturas textuais aprovadas pela banca e ver o que se repete nelas.

“A estrutura do texto do Enem é diferente porque pede uma intervenção, que não era comum na época em que prestei vestibular”, comenta Luciana. A quinta competência da redação do Enem pede para que os estudantes elaborem uma intervenção para o problema abordado no tema, respeitando os direitos humanos, o que o difere da maioria dos vestibulares do país.

Mesmo com o nervosismo batendo à porta, Luciana foi capaz de desenvolver a argumentação na hora da prova, porque, como disse, já estava com a estrutura da redação “no sangue”.

Com o apoio da família em sua volta aos estudos e com os treinos constantes desde o começo do ano passado, a estudante conseguiu ter equilíbrio emocional para fazer o texto e tirar nota mil. “A redação é muito esperada pelos estudantes, então nós criamos uma super expectativa”, justifica.

 

 

 

 

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