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‘Não me arrependi’: estudantes comentam o primeiro Enem digital

Menos aglomeração e a mesma ansiedade da prova impressa marcaram a prova piloto

Por Giulia Gianolla Atualizado em 31 jan 2021, 22h18 - Publicado em 31 jan 2021, 19h19

Tainara Fonseca, 24, foi uma das participantes da primeira edição do Enem Digital, que teve a aplicação do primeiro dia hoje (31). Ela quer uma bolsa para fazer Enfermagem, que já cursa numa universidade particular.

A prova tinha horário limite às 19h. Tainara saiu por volta de 16h30 da sala, na Unigranrio de Duque de Caxias (RJ). Ela diz que só havia três alunos, embora tivesse mais lugares preparados, e que o computador funcionou direitinho. O problema, segundo ela, foi a cadeira. “Era um banco alto, sem apoio para as costas. Influenciou um pouco o meu desempenho, porque eu queria acabar logo, por causa da dor”, disse. “Se tiver que escolher de novo, vou fazer o tradicional. No papel dá para você mudar de posição e cansa menos a vista”. Mesmo assim, ela disse que o programa da prova é “legal”, facilita na hora de escolher a resposta certa e permite aos alunos marcar questões para voltar depois.

Rafael Monteiro Lira, 29, viu pontos positivos também: “Você pode marcar a questão e voltar e não tem chance de errar o gabarito.” Ele contou que conhece muitas pessoas que desistiram de fazer o Enem por terem perdido pessoas próximas para covid-19.

Rafael Monteiro Lira, 29, no Enem Digital
Rafael Monteiro Lira, 29, quer cursar Enfermagem. É o segundo ano que presta e achou o exame cansativo. Leticia Sorg/Arquivo pessoal

Mas a aplicação não foi bem-sucedida em todos os lugares. No Distrito Federal, alunos foram dispensados sem fazer a prova por um problema no sistema, segundo reportagem do site G1. Em Belo Horizonte (MG) e Palmas (TO), inscritos sofreram atrasos ou terão que fazer a reaplicação, nos dias 23 e 24 de fevereiro. O ministro da Educação, Milton Ribeiro, falou em “sobrecarga do sistema” e disse que problemas já eram “esperados”. A prova-piloto recebeu inscrição de 96 mil alunos – no total, considerando a versão impressa, havia 5,8 milhões de candidatos.

Sobre as medidas de segurança, alguns estudantes demonstraram satisfação com a estrutura para a prova digital.

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Ana Claudriele Oliveira , 24, ficou tranquila também pela quantidade de candidatos para a versão digital: “Eu acabei me inscrevendo para o Digital e não me arrependi. Por um lado, foi uma boa surpresa porque tive um pouco mais de tempo para me preparar, e teve pouquíssima gente aqui na aplicação”, disse ela, feliz por evitar aglomerações. Ela estudou em casa e teve ajuda de dois professores, em matemática e história, um da escola e outro de sua igreja. Por isso, se sentiu mais preparada.

Entrada da Unigranrio de Duque de Caxias, que teve aglomeração na versão impressa da prova.
Entrada da Unigranrio de Duque de Caxias, que teve aglomeração na versão impressa da prova. Leticia Sorg/Arquivo pessoal

No entanto, essa não foi a realidade da Susan Paiva, 25, que quer cursar psicologia e sentiu que o Enem Digital poderia ser mais prático. “Não consegui me preparar como eu queria por conta da pandemia. Fiquei com muita ansiedade, queria ter estudado mais. A pandemia também trouxe alguns problemas familiares, então ficou muito mais difícil estudar.”

O candidato Axel Rafael, 22,  fez a prova na Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG). Ele escolher prestar a prova digital no Enem para já se acostumar ao formato e “abraçar as mudanças”. Ele quer usar a nota do Enem para fazer o curso de Engenharia de Pesca.“O Enem digital é muito fraco ainda, mas a sala não estava lotada e tinha ventilador. O computador que fiz a prova travou duas vezes. Gostei que uma das questões citou o filme Clube da Luta”, conta Axel.

Helton Peres Fontes faz História na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mas pensa em mudar para Jornalismo usando a nota do Enem.“Eu sou muito ligado em computador e acho mais fácil fazer prova digital. Com relação a dificuldade das questões, o Enem digital não estava tão diferente do Enem normal. Achei que o tema da redação era muito amplo e que faltou criatividade por parte do Inep na escolha desse tema (risos)”.

No entanto, apesar de gostar do formato digital, Helton observa que o processo pode melhorar. “Meu monitor estava alto e eu pedi para abaixar. Para ajeitar, o professor responsável da sala foi pedir para um técnico de informática fora da sala. Uma burocracia desnecessária”, disse em mensagem por WhatsApp.

 

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