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Para professores, maior dificuldade do 2º dia do Enem foi administrar o tempo de prova

Matemática foi uma prova puxada e exigente

Por da redação Atualizado em 16 Maio 2017, 13h42 - Publicado em 9 nov 2014, 22h55

O tema da redação sobre “publicidade infantil” pegou muitas pessoas de surpresa, mas o grande inimigo dos estudantes no segundo dia de provas do Enem 2014 foi o tempo, segundo professores. “Não foi necessariamente melhor o candidato que sabia mais. Foi bem quem dominava o assunto e, além disso, soube administrar melhor o tempo”, acredita Célio Tasinafo, diretor pedagógico do cursinho Oficina do Estudante. 

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Para o professor, a prova de Linguagens conservou os textos longos, característicos de outras edições do Enem. “A novidade desse ano foi a presença de grandes nomes da literatura brasileira, aproximando o Enem de provas como a Fuvest, por exemplo. Antes o comum era aparecerem autores mais regionais”, conta Tasinafo. Os candidatos conferiram trechos das obras de Guimarães Rosa, Machado de Assis, Vinicius de Moraes e Augusto dos Anjos. Apesar do tamanho, o professor elogia a elaboração da prova: “Ela explora todos os registros linguísticos possiveis, falando de esculturas, música, publicidade, charge, propaganda, grandes obras de pintura. O grande problema do Enem ainda é ajustar esse formato ao tempo disponível”.

Luís Ricardo Arruda, coordenador do Anglo Vestibulares, acredita que o tamanho dos textos foi pertinente à prova e não viu nisso um grande problema para o estudante. “Os textos de Linguagens são mais longos do que nas outras provas, característica da disciplina mesmo. Mas o estudante não pode se distrair. Quem estava focado no resultado conseguiu responder”, argumenta Arruda.

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Sobre Matemática, Tasinafo acredita que a prova foi exigente. “As questões isoladas não são difíceis, os temas são tradicionais, como probabilidade, porcentagem, análise combinatória… O problema é que são 45 questões para responder em um curto espaço de tempo”, explica. Arruda concorda que a prova de Matemática seguiu a tradição do Enem, com questões contextualizadas e criativas, colocando as perguntas em situações em que o cálculo é relevante. “A prova cobrou o que o aluno deveria saber do conteúdo do Ensino Médio”, elogia.

Tema de redação surpreendente

“A redação foi surpreendente. Em todas apostas que vi, não vi ninguém pensando nisso”, diz Tasinafo. No entanto, ele acredita que o estudante tinha as referências das discussões de sociologia e filosofia no Ensino Médio e, portanto, teria condições de discutir a propaganda e o mercado de consumo, capitalismo, a criação da necessidade, a vulnerabilidade da criança que ainda não tem tanta vivência como o adulto. “O grande desafio era seguir a proposta e não divagar sobre a propaganda em si, mas sim o tema voltado às crianças. A coletânia deu uma boa base para o aluno, por isso não não acredito na dificuldade. Causou um impacto porque ninguém esperava pelo tema”, explica o professor.

Arruda explica a surpresa: “A gente tentou pensar em temas que pudessem cair no Enem, mas falamos que podia cair de tudo. A gente sabe que coisas que estão muito na mídia são mais improváveis, como a questão da água, mas não podíamos descartar. O assunto da ‘publicidade infantil’ foi mais destaque em abril, mas de certa forma foi abordado pela mídia também”, diz Arruda. Sobre a possibildiade de ter caído um assunto em torno do tema “política”, o coordenador não enxergava essa possibilidade, pelo menos não de forma direta. “Política explicitamente falando não aparece no Enem, mas claro, por trás de todo tema sempre tem viés um viés ideológico, sempre aparece”, comenta.

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