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Por que o segundo Enem não vai ser mais difícil do que o primeiro

Moldes em que a prova é feita garantem que o nível de dificuldade seja o mesmo em todas as edições

Por redação Atualizado em 16 Maio 2017, 13h33 - Publicado em 1 dez 2016, 16h34

Neste fim de semana, dias 3 e 4 de dezembro, mais de 277 mil candidatos do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) farão a segunda aplicação da prova em cerca de 400 locais. A remarcação para as pessoas que haviam sido colocadas em locais de prova afetados pelas ocupações estudantis trouxe, para muitos, uma preocupação: “e se o segundo Enem for mais difícil do que o primeiro? E se eu for prejudicado?”.

Podem respirar aliviados: a segunda prova não será mais difícil e, matematicamente, ninguém será prejudicado em relação à primeira. O motivo está nos moldes em que a prova é feita, que garantem que não haja edições mais difíceis ou mais fáceis, e sim equivalentes neste sentido. Entenda abaixo.

  • As questões

    As questões são elaboradas por vários professores em todo o país. Após uma revisão do Inep, são selecionadas para compor o pré-teste, que é uma prova semelhante ao Enem realizada entre alunos do ensino médio da rede pública. Após o teste, as questões entram para o Banco Nacional de Itens, que hoje tem mais de 10 mil questões.

    De acordo com o resultado do pré-teste, as questões recebem graus de dificuldade, seguindo o número de acertos e erros dos alunos. Cada grau representa um número a partir de zero. A partir desses números, é montada uma régua. As perguntas são divididas entre fáceis, médias e difíceis. As médias ficam mais ou menos na marca de 500 pontos; as fáceis, abaixo dela; e as difíceis, acima.

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    Não existe nota zero na prova objetiva, pois a nota mínima corresponde ao ponto da régua abaixo da questão mais fácil, e a nota máxima (que pode passar de 1000, como vimos na prova de matemática em 2015), à posição da questão mais difícil.

    Para montar a prova, o MEC seleciona 45 questões de cada área, que precisam medir o domínio das competências, habilidades e conteúdos previstos na matriz de referência do Enem. O conjunto precisa equilibrar o grau de dificuldade das perguntas – 25% fáceis, 50% médias e 25% difíceis. Essa metodologia garante que as provas tenham sempre o mesmo nível de dificuldade.

    Notas

    As notas são calculadas com base na Teoria de Resposta ao Item (TRI). A TRI avalia não só o número de questões acertadas, mas também o grau de dificuldade delas e a coerência e consistência dos acertos durante da prova.

    Através de métodos estatísticos, a TRI analisa as respostas do aluno: se constata que ele errou muitas perguntas da categoria “fácil” e acertou muitas perguntas da categoria “difícil”, considera o fato estatisticamente improvável e deduz que ele teve acertos casuais e não consistentes.

    Desta forma, a média do aluno que chutou não sobe tanto quanto do aluno com acertos consistentes. Isso explica por que, mesmo com números iguais de acertos, duas pessoas podem ter notas diferentes.

    No final, a nota não depende apenas do valor absoluto de acertos. Depende também da dificuldade das questões que se acertou ou errou.

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