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Primeiro dia do Enem teve prova de Linguagens exigente e mais extensa

Apesar de autores do campo progressista como Hannah Arendt terem sido cobrados, professores classificam a prova como pouco polêmica

Por Taís Ilhéu - 4 nov 2019, 11h28

Assim como o tema da redação, a prova de Ciências Humanas e Linguagens do Enem, aplicada ontem (3), não fugiu muito da tendência dos anos anteriores, cobrando, sobretudo, muita análise textual. Quem afirma é Daniel Perry, coordenador do Anglo Vestibulares. Segundo ele, a prova, de uma forma geral, foi “abrangente, equilibrada em termos de dificuldade e bastante diversificada”. 

Por outro lado, embora tenha seguido a tendência de outros anos, a prova surpreendeu quem esperava um Enem sem criticidade e temas relacionados a Direitos Humanos. Marcelo Pavani, Diretor Pedagógico da Oficina do Estudante, pontua que autores do campo progressista como Foucault e Hannah Arendt foram cobrados, além de questões que pautavam a violência contra a mulher e a questão dos refugiados. Pavani pondera, no entanto, que apesar da presença destas temáticas, a prova não suscitava polêmica. “ Nesse sentido, o Inep produziu uma prova neutra, sem qualquer postura ideológica explícita”.

Durante coletiva de imprensa no domingo à noite, o ministro da Educação foi questionado sobre a ausência de questões sobre a Ditadura Militar, que aparecia em todas as provas do Enem desde 2009. Esquivando-se, ele afirmou que não participou da elaboração das questões e que entrar nesse assunto não levaria a um acordo. 

Ciências Humanas e suas Tecnologias

Em relação às temáticas cobradas na prova de História deste ano, Daniel Perry destaca a redução de questões de história contemporânea, embora a tendência de questões sobre História do Brasil tenha se mantido. A prova de Geografia também não trouxe grandes surpresas, com a predominância de questões envolvendo geografia física. 

A maior surpresa, em diversos sentidos, veio das questões de Filosofia e Sociologia. Além de ter sido uma prova extensa dessas disciplinas quando comparada às edições anteriores, exigiu do candidato uma leitura atenta e analítica. Autores clássicos como Maquiavel, Kant e Foucault apareceram na prova, e mesmo Hannah Arendt com a Origem do Totalitarismo foi cobrada. Entretanto, o gerente de inteligência educacional e avaliações do Poliedro, Fernando da Espiritu Santo, pontua a ausência de qualquer questão envolvendo Karl Marx, recorrente nos anos anteriores. Para concluir, Perry afirma que foi uma prova abrangente e sofisticada.

Linguagens e códigos

Em relação a prova de Ciências Humanas, de uma forma geral, a de Linguagens deste ano pode ser considerada mais complexa – assim como nos anos anteriores. A alta exigência de leitura se refletiu no tamanho da prova: ela foi pelo menos uma página maior que a de Ciências Humanas em função da quantidade e tamanho dos textos. Questões envolvendo literatura, artes e gramática, marca das outras edições, apareceram menos este ano, destaca Perry. 

A quantidade de questões envolvendo tecnologia, por outro lado, chamou a atenção de Fernando, do Poliedro. Ele destaca as questões que abordavam o perfil de usuários nas redes sociais e até uma que remetia à ideia de big data. Segundo ele, a prova abordou mais questões próximas do cotidiano do candidato. Era uma prova que exigia que o candidato usasse aprendizados de conhecimentos do Ensino Médio para refletir sobre situações do dia a dia. 

Ou seja, os cerca de 3,9 milhões de candidatos que fizeram esse primeiro dia de Enem se depararam com uma prova mais exigente em algumas disciplinas (como Sociologia e Filosofia) e menos em outras (como História), rica em atualidades mas sem alguns temas tradicionalmente abordados em anos anteriores. 

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