Assine com até 65% de desconto

10 discursos famosos para refletir sobre o racismo

Nas falas, fica claro como o racismo estrutural, infelizmente, ainda está presente no Brasil e no mundo, nas mais diversas esferas

Por Julia Di Spagna 16 nov 2020, 12h18

É preciso falar sobre racismo. Seja nas redes sociais, no cinema ou na mesa do bar. O assunto é sério, antigo, mas ainda está presente no dia a dia. Atacando pessoas no Brasil e no mundo, ele está enraizado e pode se apresentar de uma maneira mais explícita por meio de comentários carregados de preconceitos e atitudes discriminatórias ou mesmo de forma velada em diálogos do dia a dia ou na falta de representatividade negra em diversas áreas.

Por isso, o GUIA separou dez discursos marcantes para você refletir sobre o tema. Neles, é possível ouvir o relato de negros sobre o racismo, abordando os desafios tanto em suas carreiras quanto em suas vidas pessoais. Confira:

Martin Luther King

“Eu tenho um sonho de que um dia, nas colinas vermelhas da Geórgia, os filhos de ex-escravos e os filhos de ex-donos de escravos poderão sentar-se juntos à mesa da irmandade. (…) Tenho um sonho de que meus quatro filhos viverão um dia em uma nação onde não serão julgados pela cor de sua pele, mas pelo teor de seu caráter.”

A lista não poderia começar com outro vídeo. Em 1963, Martin Luther King  proferiu seu mais famoso discurso “Eu Tenho um Sonho”. King foi um dos maiores líderes do movimento pelos direitos civis da população negra nos Estados Unidos, durante as décadas de 1950 e 1960.

Chadwick Boseman

“Todos nós aqui sabemos que não há um lugar na indústria sendo jovem, talentoso e negro. Nós sabemos como é não ter um roteiro que nos aceite. Sabemos como é ser o rabo e não a cabeça. Como é estar abaixo, não acima. E fomos trabalhar todos os dias pensando nisso.”

O astro de Pantera Negra, Chadwick Boseman, que faleceu este ano por conta de um câncer de cólon, fez um poderoso discurso no SAG Awards depois que o filme ganhou o prêmio por Melhor Elenco. Boseman abordou as dificuldades enfrentadas por negros na indústria cinematográfica.

Muhammad Ali

“Por que Jesus é branco de olhos azuis? Por que na última ceia todos são brancos? Eu disse, ‘Mamãe, quando morrermos, nós vamos para o céu?’ Ela disse: ‘Claro’. Eu disse: ‘Então o que aconteceu com os anjos negros?’. Eu disse: ‘Eu sei. É porque os brancos também estão no céu e os anjos negros estão na cozinha preparando o leite com mel.”

Considerado o maior lutador da história, Ali foi tricampeão dos pesos pesados e levou seu ativismo político para fora dos ringues. Em uma entrevista para a BBC, em 1976, ele contou que questionava a falta de representatividade negra desde criança. 

Viola Davis

“Deixem-me dizer uma coisa: a única coisa que separa as mulheres de cor de qualquer outra pessoa é a oportunidade. Você não pode ganhar um Emmy por papéis que simplesmente não existem.”

Em 2015, Viola Davis fez história ao se tornar a primeira mulher negra a ganhar o Emmy na categoria Série Dramática na história da premiação, depois de 67 anos de existência. 

Emicida

“A gente só aceita debater o racismo se a gente for pautado pelos Estados Unidos. O racismo do Brasil pode seguir matando, à vontade, nadando de braçada. Eu não tenho mais nem palavras pra descrever a situação que a gente vive.”

Continua após a publicidade

O rapper Emicida participou do programa Papo de Segunda, do canal GNT, e comentou sobre a repercussão do assassinato de George Floyd, criticando a diferença da reação dos brasileiros frente à morte de cidadãos negros no próprio país e nos Estados Unidos. 

Chris Rock

“Estou aqui para apresentar o Oscar, também conhecido como Prêmio das Pessoas Brancas. Sabe, se houvesse um prêmio dedicado aos apresentadores de Oscar, eu certamente não estaria entre os indicados (…) Queremos ver atores negros tendo as mesmas oportunidades de brancos, sabe? Não só às vezes. Leo (Leonardo DiCaprio) tem ótimos papéis todos os dias. Todos conseguem, mas não é sempre assim com atores negros.” 

Chris Rock fez uma série de críticas no Oscar de 2016 à Academia de Artes e Ciências Cinematográficas e à indústria no geral, depois da ausência de indicações de negros na premiação e da falta de oportunidades em Hollywood.

Barack Obama

“Há poucos homens afro-americanos neste país que não tiveram a experiência de serem seguidos quando estavam fazendo compras numa loja de departamentos. Isso me inclui. Há poucos afro-americanos que não tiveram a experiência de entrar em um elevador e uma mulher segurar a bolsa nervosamente e prender a respiração até ela ter a chance de sair. Isso acontece com frequência”.

A fala do ex-presidente dos Estados Unidos ocorreu na época do caso Trayvon Martin, um adolescente negro que foi morto em fevereiro de 2012 na Flórida por um segurança branco que foi absolvido.

Djamila Ribeiro

“Enquanto ser mulher negra não for considerado humano nessa sociedade, enquanto a gente for vista como meros objetos sexuais ou pessoas para determinadas posições, a gente precisa reconfigurar essa humanidade. A gente só reconfigura esse mundo, quando essas vozes passam a falar (…) Romper com o silêncio é romper com a violência.”

Conhecida pela militância nos movimentos negro e feminista, a filósofa e escritora Djamila Ribeiro comentou, em sua palestra no TED, como minorias sofrem um silenciamento e a importância do direito à voz em uma sociedade que se silencia frente às desigualdades.

Spike Lee

“Há 400 anos nós fomos roubados da África e trazidos para a Virginia, escravizados. A minha avó, que viveu até 100 anos de idade, apesar de sua mãe ter sido escrava, conseguiu se formar. Ela viveu anos com seu seguro social, e conseguiu me levar para a universidade NYU. Diante do mundo, eu gostaria de reverenciar os ancestrais que construíram esse país, e também os que sofreram genocídios.”

O discurso foi feito quando Spike Lee levou pela primeira vez a estatueta do Oscar. O prêmio de Melhor Roteiro Adaptado foi conquistado por seu trabalho em Infiltrado na Klan, que aborda a questão do racismo em muitos momentos com humor, mas sem deixar de lado a seriedade do tema. 

Zianna Oliphant

“É uma vergonha que nossos pais e mães sejam mortos, e que nós não possamos mais vê-los”, disse a menina, aos prantos. “É uma vergonha que nós tenhamos que ir aos seus enterros. Nós temos lágrimas e nós não devemos mais ter lágrimas. Nós precisamos de nossos pais e nossas mães ao nosso lado”.

Além dos famosos da lista, trouxemos um discurso extremamente marcante que aconteceu em uma assembleia na cidade de Charlotte, onde ocorriam diversos protestos em 2016 por causa da morte de homem negro por um policial. Uma menina de nove anos, Zianna Oliphant, falou sobre o tema entre lágrimas e ganhou destaque na imprensa mundial com seu olhar sobre o que estava acontecendo. 

Prepare-se para o Enem sem sair de casa. Assine o Curso Enem do GUIA DO ESTUDANTE e tenha acesso a centenas de videoaulas com professores do Poliedro, que é recordista em aprovações na Medicina da USP Pinheiros. 

Continua após a publicidade
Publicidade