logo-ge

500 anos da morte de Da Vinci: veja como ele pode aparecer no vestibular

O artista, cientista, anatomista, matemático, engenheiro, entre outras coisas, foi um dos maiores expoentes do Renascimento

Leonardo di Ser Piero da Vinci nasceu em 1451 na vila de Vinci, na Itália. A lista das atividades que desempenhou e das áreas a que se dedicou nos seus 67 anos de vida é enorme: foi matemático, cientista, engenheiro, inventor, anatomista, pintor, escultor, arquiteto, botânico, poeta e muitas outras coisas. Além disso, foi um dos primeiros a compreender a importância de se aliar ciências humanas, exatas e biológicas para promover novas tecnologias e o avanço da sociedade.

Embora seja um dos maiores exemplos dessa versatilidade e engenhosidade, Da Vinci não esteve sozinho na inovação em todos esses campos. Ele pertenceu a um grande movimento artístico, cultural, científico e político da Europa dos séculos 14, 15 e 16 conhecido como Renascimento. E é justamente aliado aos ideais renascentistas e humanistas (corrente filosófica inspiradora do Renascimento), que Leonardo da Vinci pode aparecer na sua prova.

O Renascimento Cultural

Assim como o artista, o Renascimento foi um movimento que nasceu na Península Itálica, na transição da Idade Medieval para a Moderna. Foi um período de ascensão da burguesia, que buscava cada vez mais se aproximar do modo de vida da nobreza, que por outro lado se enfraquecia cada vez mais, em especial no campo dos valores.

A valorização da burguesia no período deve muito ao Renascimento Cultural, que surgia com um modo de ler e agir no mundo diferente do que se conhecia antes. Valores cristãos e nobres perdiam relevância, enquanto valores burgueses ganhavam. Aliás, eles passaram a investir dinheiro para que esses ideais fossem propagados por meio da arte. Foi assim que surgiram os mecenas, padrinhos que financiavam os artistas.

Mas afinal, que valores eram esses que a burguesia tanto prezava? O humanismo foi uma corrente de pensamento que nasceu dentro das universidades da época, em meio a toda efervescência da ascensão burguesa, expansão marítima e crescimento das cidades. Os pensadores universitários traduziram textos clássicos e trouxeram de volta à tona os pensamentos da Antiguidade. A vida urbana passou a ser valorizada, assim como a ode à beleza física e ao prazer. Tudo isso culminava no ideal central que guiou o humanismo: a valorização do homem, conhecido como antropocentrismo. Agora, ele era visto não mais como subordinado a um poder divino, mas agente do próprio destino. O homem era o centro do mundo.

Da Vinci, o maior renascentista

Vamos concordar que o próprio currículo de Leonardo da Vinci já diz muito sobre o homem e a sociedade renascentista: ele representa a racionalidade, a busca pela inovação, a reunião de diversas áreas do saber e a própria valorização do homem e de suas capacidades. Esse modo de pensar, é claro, transbordava para suas produções. Comumente, algumas obras de Da Vinci são cobradas no vestibular e associadas aos ideais renascentistas. Conheça alguma delas.

O Homem Vitruviano

 (Getty Images / Lucas Silva/Reprodução)

Dificilmente alguma obra vá representar tão bem o antropocentrismo quanto  Homem Vitruviano. O famoso desenho representa o corpo humano em proporções perfeitas, referenciando o ideal clássico de beleza e proporção. A valorização do humano e do material como belo é um forte indício humanista e antropocêntrico. Mas a obra não fica só no campo da arte: o Homem Vitruviano foi concebido também pelo Da Vinci anatomista, como forma de estudar o corpo humano da perspectiva biológica.

Mona Lisa

 (Getty Images / Lucas Silva/Reprodução)

Talvez o retrato mais famoso do mundo, Mona Lisa é também a mais reconhecida pintura de Leonardo da Vinci. Nela, o autor fez uso de algumas técnicas de pintura renascentistas que também estão ligadas a uma tentativa de representar o mais realisticamente possível o homem e o mundo. Na Mona Lisa, a técnica do sfumato, utilizada para criar diferentes gradientes de cor, é explorada principalmente nas curvas dos cabelos e roupa. A simetria também é um elemento lembrado quando se refere à pintura. A proporção áurea, tida como a constante do equilíbrio, foi usada por Da Vinci para pintar o rosto de Monalisa.

Aeroplano

 (Getty Images / Lucas Silva/Reprodução)

No século 15 Leonardo da Vinci já pensava em colocar o homem para voar. Desenhado em 1485, o aeroplano de Da Vinci é considerado uma de suas invenções mais à frente de seu tempo. Os modelos de “máquinas voadoras” idealizados por Da Vinci partiam muito de seus estudos sobre aves e também sobre o corpo humano. Alguns desses projetos seriam inviáveis justamente por conta do peso humano e da falta de musculatura para bater as asas e colocá-los no ar. Já outros, que se assemelhavam a pipas, com um ajuste ou outro poderiam até funcionar, como mostraram testes recentes.

Já apareceu no Enem e no vestibular…

Enem 2001

(…) Depois de longas investigações, convenci-me por fim de que o Sol é uma estrela fixa rodeada de planetas que giram em volta dela e de que ela é o centro e a chama. Que, além dos planetas principais, há outros de segunda ordem que circulam primeiro como satélites em redor dos planetas principais e com estes em redor do Sol. (…) Não duvido de que os matemáticos sejam da minha opinião, se quiserem dar-se ao trabalho de tomar conhecimento, não superficialmente, mas duma maneira aprofundada, das demonstrações que darei nesta obra. Se alguns homens ligeiros e ignorantes quiserem cometer contra mim o abuso de invocar alguns passos da Escritura (sagrada), a que torçam o sentido, desprezarei os seus ataques: as verdades matemáticas não devem ser julgadas senão por matemáticos. (COPÉRNICO, N. De Revolutionibus orbium caelestium)

Aqueles que se entregam à prática sem ciência são como o navegador que embarca em um navio sem leme nem bússola. Sempre a prática deve fundamentar-se em boa teoria. Antes de fazer de um caso uma regra geral, experimente-o duas ou três vezes e verifique se as experiências produzem os mesmos efeitos. Nenhuma investigação humana pode se considerar verdadeira ciência se não passa por demonstrações matemáticas. (VINCI, Leonardo da. Carnets)

O aspecto a ser ressaltado em ambos os textos para exemplificar o racionalismo moderno é

a) a fé como guia das descobertas.

b) o senso crítico para se chegar a Deus.

c) a limitação da ciência pelos princípios bíblicos.

d) a importância da experiência e da observação.

e) o princípio da autoridade e da tradição.

 

Enem 2010

Na busca constante pela sua evolução, o ser humano vem alternando a sua maneira de pensar, de sentir e de criar. Nas últimas décadas do século XVIII e no início do século XIX, os artistas criaram obras em que predominam o equilíbrio e a simetria de formas e cores, imprimindo um estilo caracterizado pela imagem da respeitabilidade, da sobriedade, do concreto e do civismo. Esses artistas misturaram o passado ao presente, retratando os personagens da nobreza e da burguesia, além de cenas míticas e histórias cheias de vigor.

RAZOUK, J. J. (Org.). Histórias reais e belas nas telas. Posigraf: 2003.

Atualmente, os artistas apropriam-se de desenhos, charges, grafismo e até de ilustrações de livros para compor obras em que se misturam personagens de diferentes épocas, como na seguinte imagem:

a.

 (Enem/Reprodução)

Romero Brito. “Gisele e Tom” (Foto: Reprodução/Enem)

b.

 (Enem/Reprodução)

Andy Warhol. “Michael Jackson” (Foto: Reprodução/Enem)

c.

 (Enem/Reprodução)

Funny Filez.“Monabean”. (Foto: Reprodução/Enem)

d.

 (Enem/Reprodução)

Andy Warhol. “Marilyn Monroe”. (Foto: Reprodução/Enem)

e.

 (Enem/Reprodução)

Pablo Picasso. “Retrato de Jaqueline Roque com as Mãos Cruzadas”. (Foto: Reprodução/Enem)

 

Vestibular Uema 2017

A imagem a seguir, conhecida como “Homem Vitruviano” (1492), foi desenhada por Leonardo da Vinci e constitui-se em um símbolo do movimento renascentista.

 (UEMA/Reprodução)

A análise da imagem permite afirmar que uma das características do Renascimento cultural é o(a)

a) resgate dos valores da Antiguidade Clássica como o teocentrismo

b) fortalecimento dos valores cristãos na definição do destino humano.

c) valorização da figura do Homem como centro do Universo.

d) permanência da supremacia da fé sobre a razão.

e) supremacia da Teologia sobre o Humanismo.

 

Respostas: 1D 2C 3C