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9 exemplos de como as obras obrigatórias da Fuvest se relacionam

Além da capacidade de compreensão e interpretação dos textos, a comparação entre os livros também costuma ser pedida

As questões sobre Literatura da prova da Fuvest solicitam, em geral, uma interpretação bem profunda das obras. E, em alguns casos, pedem também que você estabeleça conexões entre elas. Veja estas questões das provas de anos anteriores:

Primeira fase da Fuvest 2017:

(Fuvest/USP)

Primeira fase da Fuvest 2016:

(Fuvest/USP)

(Fuvest/USP)

Primeira fase da Fuvest 2015:

(Fuvest/USP)

(Fuvest/USP)

O Guia do Estudante listou 9 exemplos de como os livros da lista obrigatória se relacionam. Confira a seguir:


Claro Enigma e Sagarana – visão do homem

Vale a pena comparar a poesia Um boi vê os homens (de Claro Enigma) e o conto Conversa de bois (de Sagarana), em que os animais dialogam sobre a falta de sentido das ações humanas e da maldade. A leitura do conto associada à poesia revela quase que uma continuidade de uma obra na outra. Ambos, de alguma forma, veem no homem a fragilidade e a crueldade juntas.


Claro Enigma e A Cidade e as Serras –
 introspecção

A introspecção da poesia de Drummond, em Claro Enigma, encontra ecos em Jacinto de A cidade e as serras, quando este busca reconstruir sua vida depois de uma constatação melancólica e pessimista de sua estada na França.

Veja também


As Cidades e as Serras e Memórias Póstumas de Brás Cubas – narrativa

Em A Cidades e as Serras, o narrador-personagem José Fernandes parece idealizar o protagonista, Jacinto de Tormes. Ainda assim, não deixa de observar, de forma crítica e irônica, a vaidade e a futilidade excessivas do amigo. Assim, sua narrativa se aproxima da de Memórias Póstumas de Brás Cubas, em que o “defunto-autor” conta suas memórias da forma como melhor lhe convém.


Sagarana, Iracema e Memórias Póstumas de Brás Cubas maniqueísmo

O maniqueísmo (a visão dualista de mundo que opõe o bem o mal) dúbio em Sagarana pode ser comparado ao maniqueísmo nas obras românticas e realistas. Em Sagarana, no conto A hora e a vez de Augusto Matraga, a transformação por que passa esse personagem, entre o começo e o fim da história, não permite seu enquadramento em um único polo. No Romantismo, como Iracema, as personagens se antagonizam entre o bem e o mal de forma bastante marcada. Já no Realismo, como Memórias Póstumas de Brás Cubas, há um a diluição dessa relação. Há o bem e o mal convivendo no mesmo personagem.

Iracema e Memórias póstumas de Brás Cubas – papel da heroína

Iracema, a índia idealizada, faz contraponto à Vírgilia, personagem de Memórias Póstumas de Brás Cubas. Ao contrário da heroína romântica, Virgília é capaz de diferenciar seus interesses pessoais e de ascensão social de seu desejo amoroso. Ela deixa de fugir com Brás Cubas e mantém-se casada com Lobo Neves porque almeja ser marquesa. Iracema, ao contrário, abre mão da sua condição na tribo, e morre por isso.


Iracema e O Cortiço – visão do herói

No romance naturalista O Cortiço é importante observar a oposição nítida ao romantismo idealizado (como Iracema). O herói naturalista se constrói a partir da opressão e das injustiças cometidas, e o amor se envereda pelos caminhos do instinto e do desejo. Vale lembrar que O Cortiço é a obra máxima do Naturalismo brasileiro, marcado pelo zoomorfismo (comportamento animalesco atribuído aos homens) e pelo determinismo do meio.


Minha vida de menina
e O Cortiço – relações sociais

Minha vida de menina se relaciona com O Cortiço por abordar as relações de trabalho e a ascensão dos negros alforriados que buscavam um lugar na sociedade.


Vidas Secas
e O Cortiço – zoomorfismo

Em Vidas Secas, observa-se a desumanização do homem, vítima da seca e da precária educação, que impede as personagens de se posicionarem contra as opressões. A dureza da vida vai, aos poucos, impondo à família de Fabiano um processo de desumanização. Em determinada passagem, o personagem repete a si mesmo “Fabiano, você é um bicho”. Essa aproximação entre humanos e comportamentos animais (zoomorfismo) também é observada em O Cortiço.


Mayombe e Iracema – colonialismo português

Ao retratar a luta de tribos em busca da libertação de seu país, Mayombe pode ser comparada ao romance indianista Iracema. Ambas apresentam conflitos entre tribos e a tentativa de se isolar do colonialismo português.