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A matemática da Black Friday

Descontos de 80%? Parcelamento em 10 vezes sem juros? Como usar a matemática para não cair em pegadinhas na hora das compras

Por Luccas Diaz Atualizado em 25 nov 2020, 18h46 - Publicado em 25 nov 2020, 15h34

Um dos dias de maiores promoções e descontos em lojas ao redor do mundo todo está chegando! O evento conhecido como Black Friday ocorre nesta sexta-feira (27) e promete agitar as vendas no varejo, que teve um ano difícil por causa da crise econômica gerada pela pandemia do coronavírus. Os descontos alucinantes, as promoções-relâmpago e as opções de parcelamento fazem até os mais céticos torcerem o nariz e trazem a velha discussão dessa data: será que os preços realmente ficam mais baixos na Black Friday?

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10x sem juros?

FOX via Tenor/Reprodução

Sérgio Ghiu, professor e autor de Matemática do Sistema de Ensino pH, conversou com o GUIA para explicar as principais dúvidas em relação à Black Friday. Muitos anúncios nessa época do ano prometem um “parcelamento sem juros”, ou seja, a possibilidade de pagar a compra dividida em uma quantidade de meses, sem indicidência de juros. Ghiu explica que, do ponto de vista da matemática financeira, não existe parcelamento sem juros.

“Temos que entender que os juros funcionam como o ‘aluguel’ do dinheiro. Quando alugamos um bem, um imóvel, um carro, pagamos pela contraprestação da disponibilidade do bem. Se eu tenho um apartamento e o disponibilizo para uma pessoa que gostaria de usufruir da oportunidade de viver nele, essa pessoa deve me pagar uma contraprestação pelo uso. Os juros funcionam da mesma maneira. Ele é cobrado pela disponibilidade do dinheiro que eu não tenho naquele momento.”

O juros funcionam de duas maneiras: em regime simples ou em regime composto.

Os juros de mercado, a taxa financeira, a taxa de parcelamentos, todos seguem o padrão dos juros compostos. Isto é, são “juros sobre juros”. Ou seja, se João faz um empréstimo de R$1. 000, com taxa de juros compostos de 10% ao mês, isso significa que, no primeiro mês, ele estará devendo os R$ 1.000 iniciais mais 10% desse valor, R$ 100, totalizando R$ 1100. No segundo mês, porém, os juros, por serem compostos, não irão incidir no valor inicial de R$ 1.000 e, sim, no valor final do mês anterior: no caso, R$ 1.100. Dessa forma, no segundo mês João já estará devendo R$ 1.210. E assim vai; é o que se chama de projeção exponencial. A longo prazo, o valor final a pagar pelo empréstimo será bem maior do que o valor emprestado. O mesmo ocorre com as compras parceladas.

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Na prática, para um produto sair da loja ele precisa ser pago. E se o consumidor não tem o dinheiro para pagar à vista, alguém precisa pagar. Esse alguém é a loja, que vai emprestar o valor necessário ao consumidor e cobrá-lo parceladamente, adicionado o ‘aluguel’ pelo uso desse dinheiro de forma exponencial, os tais juros compostos. Sendo assim, é impossível uma loja fazer um parcelamento sem juros, mesmo que anunciem como tal. O que o varejo costuma fazer, incluindo o período de Black Friday, é embutir o valor dos juros no preço final do produto.

“É muito mais vantajoso pagar à vista, caso seja possível, do que pagar sem desconto nenhum e parcelado, por mais que a loja afirme que o parcelamento seja livre de juros. O desconto é apenas desembutir esses juros. Só existirá a condição do parcelamento sem juros se o valor parcelado for igual ao valor pago à vista”, aconselha o professor.

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Como não cair em pegadinhas?

“Eu estou salvando minhas energias para as filas de Black Friday!” FOX via Tenor/Reprodução

Durante o período de Black Friday, os economistas alertam sobre o perigo dos falsos descontos. O que muitas empresas fazem é aumentar o valor dos produtos gradativamente nos meses que antecedem a Black Friday para poder dar o “desconto” no dia. Ghiu diz que a principal dica para quem está querendo fazer compras nessa data é fazer uma análise de preço anterior. “Você só pode considerar que teve um desconto mercadológico caso você tenha feito uma análise de preço por um período e, recomenda-se, no mínimo, 3 meses, para você poder conferir se há de fato uma queda no preço.”

Sites e aplicativos, como o Buscapé, já fazem isso. Eles são uma boa ferramenta para acompanhar a oscilação de preços nos últimos meses e não cair em pegadinhas. É necessário ficar atento aos super descontos que, muitas vezes, não equivalem a verdadeira queda de preço do produto. Caso deseje usar a matemática para calcular o valor de um possível desconto, é simples.

Se João quer saber quanto sairá um produto com 10% de desconto, basta ele multiplicar o preço original do produto por 0,9. “Isto porque um desconto de 10% é a mesma coisa que você pegar 100%, que é o valor real, tirar 10%, deixando 90%, que equivale a um fator multiplicativo de 0,9. Multiplicar qualquer quantia por 0,9 é a mesma coisa que tirar um valor de 10% nessa quantia”, explica Ghiu.

Da mesma forma, para saber se um produto aumentou em 10%, deve se multiplicar por 1,1. “É como se você pegasse 100% mais 10%, dando 110%, que corresponde a multiplicar por 1,1. Ou seja, multiplicar qualquer número, por 1,1 é a mesma coisa que ao aumentar o valor em 10%”. Esse tipo de cálculo é conhecido no mercado por “taxa de correção” ou “valor multiplicativo” e acontece, geralmente, em eventos como a Black Friday para chamar a atenção do cliente.

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Origem e significado

FOX via Tenor/Reprodução

Se depois de entender como funciona a matemática por trás da Black Friday, você ficou curioso para saber a história dessa data, saiba que há uma polêmica envolvendo a verdadeira origem do termo.

A data nasceu nos Estados Unidos e é sempre comemorada no dia seguinte ao feriado de Ação de Graças. Alguns historiadores afirmam que o nome “Black Friday” surgiu por causa do sistema de cores utilizado em um antigo programa de controle de vendas. Nele, um saldo vermelho indicava que a loja estava em desfalque e um preto, que estava tendo lucro. A “Sexta-feira Preta” seria, dessa forma, o dia em que as lojas, depois de passar o ano no vermelho, finalmente ficariam com a etiqueta preta no sistema.

Outros estudiosos, entretanto, contam histórias com finais não tão felizes. Acredita-se que na sexta-feira após o Dia de Ação de Graças, comemorado na 4ª quinta-feira de novembro nos EUA, a venda de escravos era feita com preços mais baixos e atraentes. Há ainda, porém, a versão que diz que o termo surgiu no estado da Filadélfia, onde no dia seguinte ao feriado de Ação de Graças, os torcedores do time de futebol Army-Navy faziam arruaças e arrumavam encrencas nas ruas após o jogo de sexta-feira. Isso fazia com que os polícias tivessem que trabalhar no dia após o feriado, sem possibilidade de emenda, e por isso o termo “Black Friday”.

Esta última versão é a mais aceita pelos historiadores e faz sentido quando se olha os dados do estado da Filadélfia. O comércio local, em uma tentativa de diminuir o teor negativo da Black Friday e aproveitar o movimento dos torcedores para incentivar as compras, começou a promover grandes descontos e promoções naquele dia. Não demorou muito e o nome pegou pelos Estados Unidos todo e entre a década de 80 e 90. a data já se tornava uma tradição do calendário americano. No Brasil, o dia de promoções ainda é bem recente – e requer muita atenção dos consumidores.

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