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As peculiaridades das redações na segunda fase da Fuvest, Unicamp e Unesp

Confira quais foram as propostas de redação dos três principais vestibulares de São Paulo nos últimos cinco anos. 

Por Juliana Morales Atualizado em 6 dez 2019, 10h59 - Publicado em 5 dez 2019, 18h14

O ano todo você leu, buscou por repertório cultural e fez diversos textos para praticar a escrita. Além disso, mostrou dedicação nas aulas de português, pensando em acertar tudo de gramática e ortografia na redação, né? É, sabemos da importância de escrever um bom texto no vestibular.

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    Com as provas da segunda fase – que é justamente onde aparecem as propostas de redação – chegando, é o momento de analisar mais uma vez, particularmente, como cada processo seletivo cobra o texto do candidato. Eles têm peculiaridades nos gêneros e temas, então, é importante você saber o que vai encarar para entrar na universidade que deseja.

    Os professores Ana Cristina Campedelli e Marcelo Maluf, da Oficina do Estudante, nos ajudaram a selecionar as características predominantes da redação pedida nos três principais vestibulares de São Paulo: Fuvest, Unicamp e Unesp. Confira também quais foram as propostas de redação de cada um nos últimos cinco anos. 

    Fuvest

    A Fuvest segue um modelo bem tradicional de avaliação cobrando uma dissertação argumentativa, sem apresentar um problema, diferentemente das redações propostas pelo Enem. A banca exige a análise de um fenômeno sociológico, social e comportamental.

    Assim, suas propostas de redação são conhecidas por proporem reflexões abstratas e filosóficas, como confirmam os últimos cinco temas exigidos pelo vestibular da USP.

    2015: O tema “‘Camarotização’ da sociedade brasileira: a segregação das classes sociais e a democracia” abriu uma discussão sobre as relações entre a segregação de classes sociais e a lógica democrática de acesso aos espaços e aos bens de consumo no Brasil.

    2016: A frase-tema foi As utopias: indispensáveis, inúteis ou nocivas?”. Em meio a crises políticas e democráticas, o candidato teria que dissertar sobre a função das utopias tanto para a vida privada quanto para questões políticas. 

    2017: Apoiado no famoso texto “O que é esclarecimento?”, de Immanuel Kant (1724-1804), a discussão parte da pergunta:O homem saiu de sua menoridade?”. Nesse caso, a proposta era refletir como o ser humano para se tornar independente, e, portanto, alcançar a “maioridade”, necessita tomar suas próprias decisões.

    2018: A partir da polêmica da exposição “Queermuseu, alvo de protestos por grupos conservadores em 2017, o candidato refletiu: Devem existir limites para a arte?”.

    2019: Na última prova, a Fuvest focou no processo histórico: “De que maneira o passado contribui para a compreensão do presente?”. Revisionismo, evolução, tensão e conflito históricos deveriam se relacionar à compreensão do presente, evidenciando a importância de pensarmos o contemporâneo não como algo “espontâneo”, mas como consequência do passado.

    Entenda mais o que não pode faltar na sua redação da Fuvest

     

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    Unesp

    De acordo com os cinco últimos temas de redação do vestibular da Unesp, podemos traçar um perfil temático da prova de redação: a problematização social. Para exemplificar, temos propostas sobre racismo, imagens trágicas, concentração de renda, voto facultativo e consumo.

    O candidato precisa, então, estar inteirado sobre as discussões contemporâneas sobre o lugar do indivíduo no mundo e, por meio do texto, expressar como enxerga o funcionamento social nacional e mundialmente.

    2015: A frase-tema “O legado da escravidão e o preconceito contra negros no Brasil” cobrava reflexões acerca da herança da escravidão presente no Brasil contemporâneo e sua relação com o racismo contra negros no país.

    2016: A replicação da imagem de Aylan Kurdi – a criança síria de 3 anos que morreu afogada numa praia da Turquia – morto, com o rosto enterrado na areia, foi o ponto de partida para a discussão proposta: Publicação de imagens trágicas: banalização do sofrimento ou forma de sensibilização?.

    2017: A extrema concentração de renda foi colocada em questão neste ano. Na proposta “A riqueza de poucos beneficia a sociedade inteira?”, o candidato deveria discutir se o fato dos 10% dos mais ricos possuírem 85% da riqueza mundial (dados do ano 2000, citados na coletânea, de um estudo da World Institute for Development Economics Research da Universidade das Nações Unidas) beneficiaria a sociedade como um todo.

    2018: Com base nas eleições nacionais de 2018, o sistema eleitoral foi mote para a discussão se “O voto deveria ser facultativo no Brasil?”. Questão comum em sociedades democráticas, o candidato deveria se posicionar frente à obrigatoriedade do voto nas eleições.

    2019: Ao reescrever a frase do filósofo René Descartes (1596-1650) “Penso, logo existo.”, e transformá-la numa pergunta associada ao consumo (“Compro, logo existo?”), a Unesp propõe  reflexões a respeito da identidade do indivíduo contemporâneo ser baseada na compra de produtos.

  • Unicamp

    A redação da Unicamp é uma avaliação de leitura e escrita. Ela trabalha com gêneros, por isso não se deve esperar um texto dissertativo convencional, como ocorre na maioria dos outros vestibulares. O candidato deve ter claro qual é a proposta temática e efetivar o que está sendo solicitado, passo a passo.

    Quanto aos temas, também existe essa diversidade, uma vez que já apareceu mobilidade urbana, bibliotecas públicas, pós-verdade, intolerância, direitos humanos, oficinas culturais, desenvolvimento socioeconômico e sustentabilidade, humanização no atendimento à saúde, entre outros. Sempre com o tom crítico dos acontecimentos atuais mundiais. 

    2015: Uma das propostas era uma síntese a ser apresentada num grupo de estudos sobre a humanização do atendimento à saúde.  A outra era criar uma carta-convite direcionada à comunidade escolar para uma reunião com o intuito de discutir possíveis soluções para conflitos violentos na escola.

    2016: Nesse ano, as exigências de textos eram uma resenha sobre a fábula La Fontaine (contendo um resumo do texto e relação da obra com um problema social) e um texto de divulgação científica com base no texto “O induzir das emoções”, do neurocientista António Damásio. 

    2017: O candidato devia escrever uma carta sobre a relação entre o Brasil cordial e a presença de estrangeiros no país, para a seção do leitor de uma revista, respondendo o artigo “A volta de um Rio que faz sonhar”. Além de escrever o texto de apresentação de uma campanha de arrecadação de fundos para uma biblioteca.  

    2018: Primeiro, deveria ser feito um texto para uma palestra sobre fenômeno da pós-verdade, explicando o que é a pós-verdade e suas consequências. Na outra proposta, um artigo de opinião com o tema “Há limite para a liberdade de expressão?”.

    2019: A partir da apresentação de uma situação de doutrinação ideológica em sala de aula: uma professora de Filosofia sofria uma tentativa de censura após uma aula sobre direitos humanos, o candidato devia elaborar um abaixo-assinado a favor da educadora e contra a censura. O segundo texto era uma postagem em fórum acadêmico, defendendo o ponto de vista escolhido, a partir de uma análise de dados do Índice de Desenvolvimento Humano  (IDH) e do Produto Interno Bruto (PIB).

    Até o ano passado, o candidato deveria fazer duas redações obrigatórias de gêneros textuais diferentes. No entanto, a partir da edição de 2020, apesar de a prova ainda trazer duas propostas temáticas, o participante será obrigado a fazer apenas uma entre as apresentadas.

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