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“Cidade de Deus” – Resumo da obra de Paulo Lins

Entenda o enredo da obra

Por Redação Atualizado em 12 abr 2018, 17h04 - Publicado em 23 ago 2012, 01h16

– Leia a análise da obra “Cidade de Deus”

Resumo
Parte 1: “A História de Cabeleira”
O livro começa com Busca-Pé e Barbantino conversando sobre diversos assuntos e fumando maconha. Ao mesmo tempo, o narrador descreve as características do novo empreendimento imobiliário para famílias de desabrigados e sem-teto no Rio de Janeiro, que viria a ser a Cidade de Deus. Após famílias que perderam tudo em enchentes e outros casos do tipo chegarem aos montes, moradores de outras favelas também se mudaram para o novo bairro. Com o tempo, o local ficou dividido em cinco áreas: Lá em Cima, Lá na Frente, Lá Embaixo, Lá do Outro Lado do Rio e Os Apês.

Com o bairro já formado, começam as sequências de crimes e assaltos e a disputa por poderes no local. Cabeleira, Marreco e Alicate formam o grupo que comanda Lá em Cima, enquanto Salgueirinho, Pelé e Pará comandam Lá em Baixo. Enquanto os grupos criminosos brigam pelo poder na região, PM Cabeção e detetive Touro lideram a perseguição da polícia aos bandidos. Com a intenção de prender ou mesmo executar os criminosos, os dois lideram um grupo fortemente armado no combate ao crime na Cidade de Deus.

E nesse cenário de crimes cada vez mais absurdos, as crianças também almejam obter poder através de crimes. Assim forma-se o gupo criminoso infantil de Cabelinho Calmo, Bené, Sandro Cenourinha e o chefe Dadinho. Enquanto isso, o grupo que comanda Lá em Cima começa a se impor e Cabeleira, após executar um delator, planeja um assalto a um motel. Eles levam Dadinho junto, mas o menino desaparece durante a fuga e só vai reaparecer mais tarde.

A violência e os crimes na Cidade de Deus fazem parte do dia-a-dia, não se reduzindo às ações dos criminosos na luta de poder. Assassinatos passionais, pequenos assaltos e outros casos como estes também são descritos na narrativa. Em paralelo a isso, está o lado festivo da comunidade, com seus bares, bailes e festas, onde vemos o lado cultural do lugar e seus casos amorosos.

Um certo dia, Salgueirinho, do grupo que comanda Lá em Baixo, vai para um baile com uma moça que morava nas Últimas Triagens. No outro dia morre atropelado quando estava indo para a farmácia. Galã disputado por todas as meninas, o enterro de Salgueirinho é prestigiado por toda a comunidade. O grupo do Lá em Baixo fica enfraquecido quando algum tempo depois, o detetive Touro persegue Pelé e Pará, que haviam acabado de assaltar um ônibus, e os captura e executa.

Marreco, do grupo que comanda Lá em Cima, passa a ter atitudes cada vez mais violentas, querendo matar qualquer um que atravessasse seu caminho. Além disso, ele estupra uma paraibana casada e atormenta todos os vizinhos. Um dia, Marreco comanda um assalto a uma construtora que é bem sucedido e por conta disso o grupo de Cabeleira faz uma grande comemoração que dura dias. Após a festa, Marreco volta a estuprar a paraibana, quando o marido dela os surpreende e mata Marreco a facada. Com medo do cerco da polícia, ninguém do bando comparece ao enterro. Após isso, Alicate quer mudar de vida e sai da Cidade de Deus, tornando-se pastor da Igreja Batista.

Cabeleira fica sozinho e arruma um novo parceiro, Madrugadão, que lhe informa que o policial Cabeção está formando um cerco cada vez mais forte para captura-lo. Então, ele vê em sonho todos os seus amigos mortos e Marreco, nesse sonho, o aconselha a matar Cabeção. Enquanto isso, o policial executa um criminoso e jura que o próximo é Cabeleira. Os dois protagonizam diversas senas de perseguição e tiros, mas nenhum obtém sucesso. Porém, um dia Cabeção é surpreendido pelas costas por alguém que lhe jurou vingança e é assassinado. Mesmo sabendo da morte do policial, Cabeleira continua escondido sem sair de casa.

Nesse ponto, a narrativa passa a ser entrecortada por flashbacks que contam a história de Busca-Pé, Barbantino e dos “playboys” e “cocotas” das favelas cariocas. Além disso, conta-se a vida de Dadinho e a sequência do assalto ao motel, que foi estampado na primeira página dos jornais e deu fama e respeito aos bandidos da Cidade de Deus.

Após estas explicações, a narrativa volta para Cabeleira, que está cansado de ficar escondido em casa e resolve sair para rever seus amigos. No meio do caminho, em uma manhã que parecia a ele calma demais, é surpreendido pelo detetive Touro, que o mata.

Parte 2: “A história de Bené”
Na segunda parte do livro acompanha-se a ascensão de Dadinho no mundo do crime e a mudança do perfil dos crimes na Cidade de Deus: ao invés de assaltos, a partir de então o mundo do crime é comandado pelo tráfico de drogas. Dadinho, que ainda era um assaltante, sentia-se diminuído pelo sucesso dos traficantes. Um dia, Grande, que comandava o tráfico na Macedo Sobrinho, morre e Dadinho toma a “boca”. Após tomar esse ponto de vendas de drogas, ele resolve mudar seu nome para Zé Pequeno, pois os policiais já sabiam a existência de um bandido conhecido por Dadinho.

Enquanto a narrativa vai descrevendo como Zé Pequeno consegue ir matando os comandantes do tráfico e tornando-se o chefe de toda a Cidade de Deus, acompanhamos também a história dos “cocotas”, dos bailes nas favelas e dos festivais de rock. Tem-se também a vida dos homossexuais na comunidade, história protagonizada por Ari (conhecido por Soninha), irmão de Cabeleira, que tem um romance com Guimarães, homem que abandona a esposa para ficar com Soninha.

A luta pela domínio do tráfico na Cidade de Deus vai ficando mais acirrada e o grupo liderado por Zé Pequeno e Bené toma a boca de Cenoura, que não é morto a pedido de Bené. Marimbondo, que havia sido preso no presídio de Ilha Grande, é brutalmente assassinado a facadas no cárcere. Uma série de outras mortes se sucedem e, conforme os chefes dos pontos de tráfico vão sendo assassinados, o poder é transferido aos vencedores.

Um dia Bené encontra Daniel, um dos “cocotas” que frequentavam a Cidade de Deus em busca de drogas, e através dele irá se aproximar do mundo deles. Bené passa a dar dinheiro para que Daniel lhe compre roupas de grife, tatua no braço um enorme dragão, muda seu corte de cabelo e passa a ir com sua Caloi 10 todas as manhãs à praia. Como dizia a todos que zombavam de seu novo estilo, “sou playboy”.

Quando Cabelo Calmo é preso novamente, Zé Pequeno e Bené assumem o poder na Cidade de Deus e passam a ditar as regras da favela. Porém, Bené vive um embate psicológico, prometendo ficar na vida do crime só mais um pouco, a fim de juntar dinheiro para poder comprar um terreno e fundar uma “sociedade alternativa”. Mas os planos dele não dão certo, pois ele acaba preso pela polícia em um cerco armado pelo detetive Touro. Esse também não acaba bem: é afastado da polícia por ter enforcado um trabalhador numa cela. Na prisão, Bené rememora o passado e pensa que sua vida poderia ser diferente.

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Algum tempo depois, Bené consegue sair da prisão e promete mandar todo mês uma quantia em dinheiro ao delegado. De volta à Cidade de Deus, Bené passa por uma série de tormentas. Ele poupa a vida de Butucatu, homem que não respeitou as leis e deveria ter sido morto por Zé Pequeno – porém, é espancado como forma de punição. Após isso, a mulher de Bené, Mosca, anuncia que está gravida, mas que irá abortar. Ela acaba falecendo durante a operação.

Por fim, Butucatu planeja matar Zé Pequeno para vingar seu espancamento. Ainda sem ter se recuperado totalmente e com dores, ele parte para o ataque e atinge Bené com um tiro no abdômen. Zé Pequeno também foi baleado, mas consegue sobreviver. Esta parte do livro termina com o enterro de Bené, “o maior que já se viu”.

Parte 3: “A história de Zé Pequeno”
Zé Pequeno inicia uma busca desenfreada por Botucatu para vingar-se dele, mas essa caçada se mostra inútil com o tempo. Em certo momento, Zé Pequeno se apaixona por uma loira já comprometida que o despreza. Ele, então, estupra-a violentamente na frente de seu namorado, Mané Galinha. Ainda não satisfeito, Zé Pequeno procura-o em sua casa para mata-lo, mas por não encontrar Mané Galinha lá, acaba matando o avô desse. Galinha fica revoltado e resolve partir para a vingança. Tendo servido na brigada de paraquedistas do exército, Mané Galinha era forte e tinha grande habilidade com armas. Logo acontece o primeiro confronto e ele mata dois dos homens de Zé Pequeno, sendo a primeira vez que alguém fazia isso e ainda levasse Zé Pequeno a se esconder.

Sandro Cenoura, que havia perdido sua boca para Zé Pequeno, procura Mané Galinha para juntos derrubarem Zé Pequeno, o que acaba gerando uma guerra generalizada na favela – inclusive com a participação de crianças. O número de quadrilhas aumenta a um ponto que a Cidade de Deus se transforma em um caos e obriga Mané Galinha a se esconder por um tempo. De volta à guerra, ele sai à procura de dois traficantes, mas acabam matando um outro, o que faz com que a luta na favela se alastre a níveis alarmantes. Nesse ponto, as quadrilhas adotam uniformes e Cidade de Deus torna-se o lugar mais violento do mundo.

Em dado momento, Zé Pequeno e Galinha finalmente se encaram frente a frente. Aquele consegue atingir esse, mas Galinha não morre e a guerra pelo poder do tráfico continuam. Cabelo Calmo é preso novamente e Mané Galinha é resgatado do hospital, agora com mais desejo de vingança do que nunca, pois seu irmão Gilson também foi morto. Algum tempo depois, Galinha é baleado pela segunda vez, mas também não morre. Porém, em um conflito com Cabelo Calmo e Madrugado, um viciado com desejos de vingar a morte de um irmão, finge ajudar Galinha mas depois o atinge com diversos tiros e ele acaba morrendo.

Enquanto Zé Pequeno e seu grupo faziam uma festa de três dias para comemorar a morte de Mané Galinha, Lá em Cima era tudo silêncio e luto. O corpo dele foi velado em casa e seu enterro teve mais pessoas do que o de Salgadinho e Bené.

A força policial monta um novo esquema para tentar acabar com a guerra na Cidade de Deus, mas a operação gera escândalo após o massacre de um grupo de crianças. Enquanto isso, Zé Pequeno continuava em sua busca pelo poder na favela e tenta tomar a boca de Cenoura que fica Lá em Cima. O cerco policial aumenta e o sargento Roberval consegue prender Zé Pequeno, mas o solta logo em seguida exigindo cinquenta por cento de todo o dinheiro da boca e tomando o que ele já tem.

O clima de revolta pela chacina das crianças continua grande e a guerra contra a polícia faz um número de vítimas maior do que nunca, sendo os corpos jogados em lugares afastados para não gerar provas. Uma moça denuncia uma reunião de traficantes, e mais uma vez a polícia faz uma chacina. Zé Pequeno é pego pela polícia, tanto Civil quanto Militar, mais seis vezes e em todas elas ele é extorquido.

Porém, na última vez Zé Pequeno é flagrado com dinheiro, drogas e armas, acabando preso no presídio Milton Dias Moreira, de onde passa a integrar a facção que comanda os presídios cariocas. De lá, ele passa instruções por telefone a seu irmão, Pinha, e continua a comandar o crime. Em certo momento Zé Pequeno sai do presídio pagando suborno e se esconde fora da Cidade de Deus. Cenoura também é afastado da favela. Cabelo Calmo, que se apaixona por uma professora e se entrega à polícia por insistência dela. No segundo dia na penitenciária, é assassinado a facadas.

O clima de guerra e a troca de comandantes nas bocas continua intenso por um bom tempo, até que Messias, o último herdeiro do tráfico Lá em Cima, propõe trégua a Borboletão e Tigrinho na Treze. Eles aceitam e uma certa paz volta à Cidade de Deus. Com isso, os “cocotas” voltam a frequentar o lugar e Busca-Pé realiza o sonho de ser fotógrafo.

Zé Pequeno, que estava no Realengo, encontra Borboletão e diz a ele que planeja voltar para a Cidade de Deus e ser o dono do lugar. Porém, na sua volta é atingido com um tiro na barriga e morre ao som dos fogos de Ano-Novo.

Principais personagens
A luta pelo poder e a troca sucessiva dos comandantes da favela por conta das inúmeras mortes, faz com que o número de personagens em Cidade de Deus seja enorme. Assim, destacaremos somente os três protagonistas principais e que são centro de cada uma das partes do livro.

Cabeleira:
da primeira fase na Cidade de Deus, ele não estupra e respeita a comunidade da favela. Através dele criam-se regras e limites para os assaltos dessa época. Porém, com seus inimigos ele é extremamente cruel.

Bené: muito amigo de Zé Pequeno, herda todo o poder do tráfico na Cidade de Deus. Fica próximo dos “cocotas” e passa a se vestir com roupas caras, faz uma tatuagem e muda o cabelo. Sonha em ganhar dinheiro para fundar uma “sociedade alternativa”.

Zé Pequeno: é tido como mais feio de todos os bandidos e é infeliz no amor. Inicia sua vida no crime ainda criança. Ele não mede esforços para conseguir o poder absoluto na Cidade de Deus e constantemente coloca seus próprios amigos uns contra os outros. Sua crueldade é a mais temida e por conta disso consegue comandar a favela por mais tempo do que qualquer um. Ao estuprar a namorada de Mané Galinha, dá início à guerra mais sanguinolenta da Cidade de Deus.

Sobre Paulo Lins
Paulo Lins nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 11 de junho de 1958. Fazendo parte do grupo Cooperativa de Poetas, iniciou sua carreira na literatura com o livro de poesias Sobre o sol, publicado pela Editora da UFRJ em 1986. Em 1995, recebeu a Bolsa Vitae de Literatura. Foi morador da Cidade de Deus, bairro da periferia carioca, e durante diversos anos dedicou-se à pesquisas sociais, o que serviu de base para o seu livro “Cidade de Deus”, lançado em 1997.

Após “Cidade de Deus” receber adaptação para o cinema em 2002 pelo diretor Fernando Meirelles – filme com quatro indicações ao Oscar e uma para o Globo de Ouro -, Paulo Lins ganhou bastante destaque e hoje é um dos roteiristas para televisão e cinema mais solicitados. Em 2005, recebeu o prêmio de melhor roteiro da Associação Paulista de Críticos de Arte pelo roteiro do filme “Quase dois irmãos” (2004), de Lúcia Murat.

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