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Colégios adaptam horários para diminuir atrasos de alunos dorminhocos

Medida agrada a alunos com dificuldade de acordar cedo

Por André Bernardo

Achar alguém que gosta de acordar cedo já é difícil. E que gosta de acordar cedo para ir à escola então? A fim de diminuir a quantidade de atrasos, alguns colégios têm adaptado seus horários para se adequar aos estudantes mais “da madrugada”, sem deixar de lado os “do dia”.

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O Platão, de Maringá (PR), é um deles. Há dois meses, o diretor Jorge Morais dos Santos Alves atrasou o início do turno da manhã em 30 minutos. Em vez de entrarem às 7h15, os alunos do ensino médio passaram a entrar às 7h45.

“O índice de faltas e atrasos caiu em torno de 90%. Quanto mais descansado o aluno estiver, melhor ele assimilará a matéria em sala de aula”, afirma Jorge Morais.

Rosângela Macedo Moura, diretora da Escola Estadual Francisco Brasiliense Fusco, em São Paulo, foi além. Em vez de simplesmente atrasar o início das aulas, ela trocou as turmas de turno.

As do ensino fundamental passaram a estudar de manhã e as do ensino médio, à tarde. “Em três anos, a nossa média no Saresp [Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo] pulou de 0,9 para 2,8. Ainda estamos longe do ideal, mas progredimos bastante”, avalia Rosângela.

Autor do livro O Sono na Sala de Aula, o neurofisiologista Fernando Mazzilli Louzada, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), afirma que é importante conhecer cada tipo de aluno e ajustar as atividades diárias, como dormir, acordar e estudar, de acordo com suas características. Para estudantes muito vespertinos, por exemplo, estudar às 7h pode ser extremamente prejudicial.

“Na adolescência, os matutinos tornam-se menos matutinos e os vespertinos, ainda mais vespertinos. E são esses, os vespertinos, os que mais sofrem com os horários escolares”, frisa Louzada.

Professor do Instituto de Biologia da Unicamp, Edson Delattre elogia a iniciativa dos educadores, mas ressalva que os alunos também podem fazer a sua parte. A principal recomendação é respeitar os limites do corpo. “O sono diurno não é tão reparador quanto o noturno. Por isso, o sono que dormimos à noite após aprender uma nova tarefa ou lição é essencial para consolidá-la na nossa memória”, garante Delattre.

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