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Descobrir daltonismo pode melhorar vida escolar

É comum obter o diagnostico só na idade adulta, quando o problema dificulta o exercício profissional. Estudante de Geologia não conseguia distinguir cores dos minerais.

Por Redação Atualizado em 16 Maio 2017, 13h31 - Publicado em 1 abr 2010, 12h26

por Fábio Brandt

Se você não é daltônico, talvez conheça alguém que é – mesmo que a pessoa não saiba disso. Isso acontece porque muita gente só obtém o diagnóstico tardiamente, como o estudante Rafael Barbosa, de 25 anos.

Ele foi diagnosticado daltônico no fim de 2007, quando já havia trancado a matrícula no curso de Geologia da Universidade de São Paulo (USP). “Em trabalhos de campo, eu não via muitas coisas que os outros viam. Às vezes, os minerais são muito pequenos e você os identifica pela cor, isso pesou na decisão [de deixar o curso]”, relata o estudante.

SAIBA MAIS: O que é daltonismo? (SUPERINTERESSANTE)

Grande parte dos daltônicos só confirma o diagnóstico na fase adulta, depois de quebrar a cabeça para entender tanta confusão com as cores. “Lembro muito bem de uma vez na escola em que era para retratar as férias com um desenho. Ia pintar a praia e o mar e pintava o mar de azul e a praia de verde”, lembra o estudante, com risadas.

Situação semelhante ocorreu com o professor Rogério Carlos Novais, do curso de Ciências Biológicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Ele só teve certeza de ser daltônico após os 20 anos, época em que seu futuro profissional começava a ser delineado.

INCIDÊNCIA
Graduado em Biologia, Rogério Novais fez mestrado e doutorado na área e hoje se dedica a estudar a ocorrência do daltonismo em alunos de ensino fundamental, médio e superior na cidade de São Gonçalo, no Rio de Janeiro. “A frequência é de 5% a 8% em homens e, mais ou menos, 0,5% em mulheres”, informa o professor.

Ele explica por que a incidência nas mulheres é menor: elas têm dois cromossomos X e precisam ter o gene recessivo causador do daltonismo nos dois para manifestar o problema. Os homens têm somente um cromossomo X e basta que ele tenha o gene recessivo para o daltonismo aparecer.

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ESCLARECIMENTO
Quem não sabe se é daltônico pode tirar a dúvida pela internet mesmo, fazendo o teste de Ishirara – o mesmo usado pelo professor Novais para avaliar os estudantes de São Gonçalo. Trata-se de uma série de círculos coloridos com números no centro. Daltônicos não reconhecem os números ou reconhecem números diferentes dos vistos por não daltônicos.

– Faça o teste de Ishirara

– Conte-nos o resultado do teste!

“O teste é definitivo. Mas é recomendado procurar um oftalmologista para ter certeza”, destaca Novais. Ele lembra que o daltonismo não tem cura, mas conhecer o diagnóstico ajuda a pessoa a não passar por dificuldades causadas pela deficiência de visão. “Pode ajudar no processo de ensino e de aprendizagem”, exemplifica, incentivando professores a dar atenção especial aos daltônicos durante aulas que envolvam cores – as de mapas e gráficos, por exemplo.

Por fim, vale destacar um conselho de Rafael: quem é daltônico pode usar diversos artifícios para minimizar os problemas causados pela confusão de cores e ter sucesso na carreira que escolher. Segundo ele, a dificuldade com as cores foi só um dos motivos que o fizeram deixar os estudos de Geologia. A principal razão foi não gostar da carreira.

Em 2010, Rafael começou a cursar Arquitetura na Universidade Mackenzie. “Daria para ter me formado [em Geologia] e seguido a carreira. Ia sentir mais dificuldade, mas seria possível. Quem é apaixonado por essa área, deve fazer, mesmo sendo daltônico. Até porque tem partes da Geologia em que usar cores não é tão importante”, comenta Rafael.

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