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Entenda as mudanças de padrão de beleza ao longo da história

Os padrões de beleza mudam. Das academias da Antiguidade às modelos atuais, conheça a busca pelo físico ideal

Em cada época é fácil identificar o apreço generalizado por um ou outro tipo físico, dos corpos roliços aos mais secos, das barriguinhas pronunciadas aos abdomens tanquinho, dos seios minúsculos aos bustos siliconados. Mas, se hoje qualquer pessoa é dona de seu nariz para decidir se quer frequentar a academia ou viver feliz acima do peso, houve tempos em que ninguém era responsável pelo próprio corpo. Por milênios, a forma física era colocada a serviço de propósitos sociais, militares ou religiosos.

“Na Pré-História, o corpo era arma de sobrevivência, a fim de caçar e correr dos predadores, mas nas primeiras civilizações, os treinos e as atividades sempre estiveram voltados a necessidades coletivas, como guerrear”, diz Denise Bernuzzi de Sant’Anna, professora de história da PUC-SP, autora dos livros Corpos de Passagem e Políticas do Corpo. Em outros períodos, a religião moldou a visão coletiva das questões relativas ao corpo. “Como o corpo era considerado sagrado, a Igreja proibia dissecações e estudos de cadáveres”, diz Luís Ferla, professor de história da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Só entre os séculos 15 e 16 despontou uma nova perspectiva, mais individualizada. Um processo que perdura e se radicaliza até hoje.

PRÉ-HISTÓRIA
A vênus paleolítica

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Pouca gente seria capaz de achar sexy a moça rechonchuda representada nesta escultura. Pois os arqueólogos que encontraram a peça de 28 mil anos acreditam que ela represente um modelo de beleza feminina valorizado por nossos antepassados das cavernas. A Vênus de Willendorf, uma escultura de apenas 11 cm, pode ter sido usada em rituais de fertilidade, já que carnes generosas durante muito tempo foram consideradas propícias à procriação.

1200 a. C. | As primeiras academias

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Na Grécia, a educação física era considerada um pilar da formação dos homens, que desde meninos frequentavam os gymnasiums, complexos esportivos que também eram centros de formação intelectual. Ali, além de treinar para se tornar soldados ou competir em jogos públicos, os garotos estudavam filosofia, literatura e música. Havia estabelecimentos específicos para treinamento de boxe e luta, as palaestras. Os atletas se exercitavam sem roupa (gymnos significa “nu” em grego).

SÉCULO I
Mente sã em corpo são

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O poeta romano Juvenal, que viveu entre os séculos 1 e 2, foi quem cunhou a expressão mens sana in corpore sano. Embora deslocada de seu significado original (“Deve-se orar por uma mente sã num corpo são”), a citação atravessou milênios. No Império Romano, os treinos militares com marchas e exercícios pesados forjavam soldados fortes e atléticos.

IDADE MÉDIA
Mergulho nas trevas

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Sob a influência da Igreja, foram abandonados os hábitos de higiene e saúde herdados dos gregos e romanos. “Cuidados com o corpo eram considerados pecaminosos”, diz Denise Sant’Anna, professora da PUC-SP. Qualquer preocupação estética era vista como afronta às leis divinas. As obras de arte mais escondem que evidenciam os corpos.

1450
O redescobrimento da anatomia

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Leonardo da Vinci é o maior dos “artistas-anatomistas” do Renascimento. Encheu vários cadernos com anotações e desenhos sobre o funcionamento de órgãos, ossos e músculos, que estudava dissecando cadáveres. Reproduzida à exaustão, uma das ilustrações dos diários, o Homem Vitruviano (1490), expressa as proporções matemáticas do corpo humano.

RENASCIMENTO
Das virgens às Vênus

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O Renascimento resgata valores humanistas e artísticos e o apreço pelos padrões de beleza da Antiguidade. A Virgem Maria, musa dos pintores medievais, cede espaço para representações da deusa Vênus, ninfas e semideuses despidos. As mulheres exibem longos cabelos, formas roliças e voluptuosas e até uma barriguinha pronunciada. Um dos quadros da época é O Nascimento de Vênus (1485), de Botticelli.

1500
O homem nu

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Pintores e escultores renascentistas desafiaram a Igreja e deixaram até Jesus Cristo praticamente nu. Deuses, heróis gregos e bíblicos e santos e anjos exibiam músculos definidos, corpos sem pelos e mostravam até os pênis, sem pudor. O maior ícone desse resgate é Davi, de Michelangelo, considerado até hoje modelo de perfeição das formas masculinas.

1900
O pai da musculação

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O prussiano Eugen Sandow (1867-1925) enxergou na musculação um filão inexplorado. Bolou alguns dos primeiros equipamentos, criou a primeira competição oficial de fisiculturismo (em 1901) e lançou a primeira revista especializada no gênero, a Physical Culture.

1920
O sex-appeal

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Entre os anos 1920 e 30 surgiu a expressão sex-appeal. Ela tentava
explicar a sensualidade no jeito de andar, de falar e até de encarar os homens. Nos chamados Anos Loucos, as mulheres, incorporadas ao mercado de trabalho, adotaram um visual andrógino, com cabelos curtos e seios e quadris disfarçados em vestidos retos. Em 1925, o corte de cabelo à la garçonne era usado por uma em cada três mulheres.

1940
Hollywood

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Os astros de Hollywood foram as grandes referências de beleza e forma física durante os anos 40 e 50. Sexy, voluptuosas, com quadris largos e seios fartos acentuados pelos sutiãs com enchimento, divas como Rita Hayworth e Jayne Mansfield encarnaram a femme fatale. Mas a morte prematura consagrou Marilyn Monroe como o maior símbolo sexual de todos os tempos.

1960
A mulher-violão

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Seios fartos, cintura fina e quadris avantajados configuram a silhueta da mulher-violão. O cinema europeu é pródigo em exportar divas nesse padrão, como a francesa Brigitte Bardot. Em contraste, as revistas de moda exaltam um tipo magricela, com jeitão de garoto, cabelos curtos e ausência de curvas, personificada pela inglesa Twiggy, a maior top model da época.

1970
O andrógino

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Tempo de liberação sexual e igualdade de direitos entre homens e mulheres. Os padrões de beleza masculinos sofrem mudanças drásticas. “As distinções ficaram mais tênues; os homens deixaram crescer os cabelos, ficaram menos musculosos e usaram roupas unissex”, diz a professora Denise Sant’Anna. Astros do rock como Mick Jagger e David Bowie consagram o visual andrógino.

1980
Mister Músculos

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Em 1966, o austríaco Arnold Schwarzenegger era um entre milhares de fisiculturistas. Tudo mudou após ser eleito Mr. Olympia por seis vezes, de 1970 a 1975. Na década de 1980, ele se tornou referência para gerações de praticantes de musculação depois de aparecer em filmes como Conan, o Bárbaro e O Exterminador do Futuro. Em 1989, criou o Arnold Classic Weekend, um dos mais prestigiados eventos mundiais de fitness.

1982 | Ginástica em casa

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Fitness para todos: a democratização do videocassete deu impulso ao surgimento dos vídeos com aulas de ginástica para fazer em casa. O mais célebre deles foi o Jane Fonda Workout Video, lançado pela atriz americana em 1982, reunindo exercícios de força, flexibilidade e resistência. Fonda nunca mais parou: na sequência, produziu mais 23 fitas e seis DVDs, o último deles lançado em 2012, aos 74 anos.

1990
Supermodelos

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Modelos sempre ditaram padrões de beleza. Mas foi diferente com Cindy Crawford, Naomi Campbell, Claudia Schiffer, Linda Evangelista e Kate Moss, as top models da virada dos anos 1980 para 1990. Altas, magras, curvilíneas sem exageros, dominaram passarelas, capas das revistas e campanhas das grandes marcas a ponto de seus anos de glória terem sido batizados de A Era das Supermodelos.

ANOS 2010
Os reis do octógono

Os adeptos do MMA (Mixed Martial Arts) compartilham um padrão corporal que caiu no gosto masculino. Boxe, muay-thai, jiu-jítsu ou krav magá são alternativas para construir músculos e desenvolver atributos como agilidade, equilíbrio e coordenação. A tendência começou com a família Gracie, um clã de lutadores de jiu-jítsu. O patriarca Hélio Gracie fez sua primeira luta nos anos 30.