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Estudantes desenvolvem jogo sobre reforma ortográfica

Trabalho foi apresentado como conclusão do curso de Sistemas de Informação em Santa Catarina. Conheça mais sobre a área.


Os estudantes Rafael e Werner, ambos de 24 anos, concluíram o curso de Sistemas de Informação apresentando um jogo sobre a reforma ortográfica

por Fábio Brandt

"O curso não é muito voltado pra área de jogos. Mas quando vamos fazer a monografia, temos liberdade para escolher", diz Rafael Souza Costa, de 24 anos, sobre a graduação de Sistemas da Informação que concluiu no fim de 2009. Ele e Werner Krause Soares, também de 24 anos, apresentaram como trabalho de fim de curso um jogo didático para computador com cinco fases: em todas, o jogador usa um livro para capturar palavras hifenizadas corretamente segundo a nova ortografia. A opção por jogo didático decorreu da vontade de "fazer algo importante, para aplicar nas escolas e contribuir com a sociedade", explica Werner.

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Voltada para o ensino de programação, construção de bancos de dados e de redes, a faculdade de Sistemas de Informação costuma ver seus alunos desenvolvendo softwares para empresas – como os de cadastro de pessoas e de contabilidade. Mas esse ramo nunca agradou Rafael e Werner. "Percebemos que saíam muitos jogos pra web feitos com Flash [software para desenvolvimento multimídia]. Então pensamos que deveria ser tranquilo fazer o jogo", conta Werner.

Um dos primeiros obstáculos vencidos pela dupla foi a falta de conhecimentos em Flash, pois a faculdade em que estudaram – a Unisul de Araranguá, interior de Santa Catarina – foca o curso em outras linguagens de programação (como a Java). Além disso, a cidade não dispunha de livros sobre o programa, então tiveram que encomendar livros em Florianópolis. O próximo passo foi escolher o tema do jogo, que tinha que ser didático. "Nosso [professor] orientador era mestre em Letras, ele que deu a ideia", lembra Rafael.

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Com o trabalho aprovado pela Unisul, os estudantes se formaram e agora pensam em formas de colocar o jogo no mercado, distribuí-lo para escolas e disponibilizá-lo para o público. "Tem que ter mais profissionais pra auxiliar. O Werner auxiliou na montagem do fundo sonoro. Mas, se fosse mais profissional, teria que ter animador e designer, além do programador", expõe Rafael, que leciona informática em uma escola estadual e já apresentou o game para seus alunos – que variam da terceira série do Ensino Básico à terceira série do Ensino Médio. "Eles gostaram", afirma.

Ao mesmo tempo em que tentam levar o jogo adiante, os estudantes pensam em seu futuro profissional. Após constatar as diversas opções oferecidas pelo mercado de trabalho para quem estudou Sistemas de Informação, Rafael pretende trabalhar como programador e, quando puder, especializar-se em desenvolvimento de jogos. Já Werner não se anima tanto com a área: trabalha como freelancer, fazendo manutenção de hardware para empresas e pessoas físicas, mas quer ganhar a vida como músico. Por ora, é guitarrista e vocalista da banda de new metal "Dias de Rua" – na qual, aliás, Rafael é DJ.

DESIGN DE JOGOS
O curso é oferecido na modalidade tecnológica, mas também de graduação. "O Brasil é novo na indústria de games. Aqui, ela tem uns 10 anos, talvez menos", diz Delmar Galisi Domingues, coordenador do curso de Design de Games da  Universidade Anhembi Morumbi – uma graduação com quatro anos de duração.

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Há disciplinas do curso, explica o coordenador, que conferem bagagem cultural aos alunos (caso de  mitologia, história da arte, história do cinema e metodologia científica). Mas a parte principal está na execução de projetos, desde o planejamento à execução dos jogos. Isso inclui o aprendizado de variadas técnicas de design às de programação e de produção de animação (que são a fase final do curso).

Outras faculdades (como Ciência da Computação, Engenharia e as de Comunicação) também fornecem profissionais para o mercado de jogos. A diferença é que esses cursos fornecem a visão de partes restritas do processo de produção de jogos. "Aluno de ciência da computação vai ter uma visão só da área da programação. Ele não tem disciplinas que veem a criação", exemplifica Domingues. Tecnólogos e especializações, sugere o professor, podem ser opção para quem não fez graduação em jogos e quer atuar na área.

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