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Estudantes opinam sobre o controle do estágio pelas faculdades

Leia comentários de quem estuda ou já se formou em cinco carreiras diferentes

da redação

Andre Mishima Uehara, 24 anos, estudante de Administração na USP:

“No meu curso, pode-se estagiar por 20h semanais depois de completar 25% dos créditos. Com a conclusão de 50% dos créditos são permitidas 30h semanais. Considero o estágio essencial, pois o curso é muito amplo e só há um aprendizado efetivo com o estágio, que também serve para se focar em alguma área maior interesse. Como a FGV e o IBMEC, principais concorrentes da FEA, também possuem restrições quanto ao início do estágio, não há problema para os alunos da FEA. Com isso, os alunos saem melhor preparados, pois tiveram período maior só estudando.

Vejo um problema na falta de controle das horas de estágio por grande parte das empresas. O problema é o abuso em utilizar amplamente o estagiário como mão de obra barata. Acho que o estágio devia ser controlado até o fim da metade do curso, mas em faculdades públicas muitas pessoas precisam trabalhar para se sustentar – talvez a oferta de mais vagas dentro da própria universidade seja um incentivo. Não vejo a questão como culpa das faculdades e sim culpa das empresas que não cumprem o que se espera de um estágio.”

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Camila Rodrigues da Silva, 24 anos, formada em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero:

“Sempre trabalhei, desde o primeiro ano. Eu não sabia de restrições, caso elas houvessem. O estágio é essencial porque jornalismo é um ofício, não uma ciência, e ofício só se aprende na prática. Se uma empresa aceita alguém de primeiro ano, sorte dessa pessoa. Ela vai aprender mais do que quem entrar no mercado nos últimos anos, vai errar menos, vai sofrer menos ao se adaptar às responsabilidade de um repórter. O que deve ser controlado são as horas de trabalho: acredito que o ideal sejam quatro horas diárias de estágio, sem plantões obrigatórios (se o estudante quiser ver como é um plantão, acho importante, mas não obrigá-lo a fazer, porque a prioridade tem de ser a faculdade).

Todo estudante de jornalismo deveria ter feito outra faculdade antes, na minha opinião. Uma faculdade que desse disciplina e que o preparasse para um curso [de jornalismo] que não é muito exigente e pode ser mais bem aproveitado por pessoas mais experientes do que por alunos que acabaram de sair do colegial. Além disso, os alunos deveriam ser orientados a não aceitar certos estágios que pagam pouco e tomam toda a sua vida: isso desvaloriza a profissão, os profissionais e compromete o rendimento do estudante.”

ENQUETE: Qual é a carga horária ideal para o estágio?

João Lucas Pimenta da Silva Pinto, 23 anos, estudante de Direito na USP:
“Que eu saiba, alunos de todos os anos do meu curso podem estagiar a mesma quantidade de horas. Acho o estágio importante para decidir melhor sobre a área e o setor em que vai atuar profissionalmente, já que no Direito as opções são muito variadas. Além disso, no caso de quem pretende seguir a advocacia, o estágio é importante para facilitar a entrada no mercado. A maioria dos advogados contratados por escritórios trabalharam anteriormente como estagiários no mesmo escritório, ou conseguiram a vaga por meio de contatos obtidos durante o período de estágio.

Não acho que o estágio deva ser controlado nem proibido. Acho que o estágio mais atrapalha do que ajuda a formação dos alunos, principalmente nos primeiros anos de faculdade, mas acredito que o aluno tem que ter a liberdade de escolher fazer o estágio ou não. Se a faculdade considera um problema o fato de os alunos estudarem pouco porque o estágio não lhes concede o tempo para isso, acredito que a medida a ser tomada é aumentar a exigência das aulas, a fim de que só consiga ser aprovado nas disciplinas quem realmente se dedicar aos estudos. Isso incentivaria os alunos a diminuir a carga horária do estágio ou mesmo deixá-lo, sem a necessidade de uma regra de restrição ou de proibição.”

Renata Brunelli, formada em Estatística pela USP
:
“Lembro que tinha restrição, mas não lembro como era. Eu estagiava seis horas, mas eles só queriam deixar quatro. Então eu tive que escrever uma cartinha a punho dizendo que estava ciente de que isso poderia prejudicar meu rendimento e a responsabilidade era totalmente minha. Mas eu estava no último ano. Pelo menos nos primeiros anos, acho que a Estatística deveria proibir mesmo o estágio. Primeiro porque você ainda está aprendendo cálculo, se for estagiar vai ser fazendo apresentação de Power Point e continha no Excel. Isso não acrescenta nada no seu desempenho. Segundo, porque a gente tem zilhões de aulas à tarde. E terceiro, porque a gente não tem essa concorrência desleal toda pra se preocupar – acho que só tem mais um curso de estatística na cidade de São Paulo. Pros outros cursos acho que estagiar logo é importante sim, tanto para aprender e aprimorar o que viu em sala de aula, quanto pra se colocar no mercado.”

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