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Faculdade colore foto de Machado de Assis para lembrar que ele era negro

A discussão sobre o embranquecimento do escritor não é recente, mas a campanha decidiu tirá-la (ou colocá-la) de vez do papel

Por Taís Ilhéu
3 Maio 2019, 17h03

A discussão sobre o embranquecimento de Machado de Assis não nada é recente. Mas ela ganhou nova força no ano passado, quando foi um pesquisador encontrou uma foto de Machado em um exemplar de 1908 da revista argentina Caras y Caretas. O autor aparecia com traços nitidamente negros, como o nariz mais largo. Diferente, por exemplo, do Machado de cabelos lisos e nariz fino da imagem que mais circula do escritor por aqui, e que provavelmente é a que estampa a orelha do seu exemplar de Dom Casmurro ou Memórias Póstumas de Brás Cubas.

(Arquivo Caras y Caretas/Reprodução)

Uma nova versão dessa imagem, no entanto, tomou as redes sociais e jornais essa semana. A campanha “Machado de Assis Real”, realizada pela Faculdade Zumbi de Palmares, coloriu a famosa foto do escritor. Segundo o texto publicado no site da iniciativa, trata-se de uma “errata histórica feita para impedir que o racismo na literatura seja perpetuado”.

A nova imagem do autor está disponível para download em diversos tamanhos no site, para que leitores imprimam e a colem sobre a versão antiga em seus livros. Além disso, a faculdade iniciou um abaixo-assinado online para que as editoras parem de imprimir e publicar edições com a foto embranquecida de Machado.

(Machado De Assis Real/Reprodução)

Já existem diversas pesquisas e livros publicados que reúnem evidências de que Machado de Assis era negro e foi tomado como branco pela elite intelectual da época. A própria máscara mortuária de Machado, modelada no mesmo dia de sua morte e hoje preservada no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, revela traços africanos.

(Arquivo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro/Reprodução)

Além de evidências materiais como essa, alguns relatos históricos como o texto assinado pelo escritor Humberto de Campos no Diário de Notícias, em 1933, revelam que mesmo os contemporâneos de Machado o tinham intimamente como “de pele escura”, mas preferiram declará-lo como branco. Ao traçar o perfil do colega, Campos o descreve como “miúdo de figura, mulato de sangue, escuro de pele, e usava uma barba curta e de tonalidade confusa, que dava ares de antigo escravo brasileiro, filho do senhor e criado na casa de boa família”.

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A discussão sobre o embranquecimento do escritor não é recente, mas a campanha decidiu tirá-la (ou colocá-la) de vez do papel

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