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GUIA indica filmes e livro para entender a colonização da África

Guerras civis deflagradas nos países africanos são fundamentais para entender a história do continente

da redação

Três obras escolhidas pelo GUIA mostram consequências da exploração europeia na África. O filme A Batalha de Argel (1966), misto de documentário e ficção, retrata o processo de independência da Argélia, país do norte africano, colonizado pela França entre 1830 e 1962. Diamante de Sangue (2006), por sua vez, enfoca as contradições de Serra Leoa, país rico em diamantes, mas que sofre com conflitos internos e o uso de crianças-soldado. Já o livro Coração das Trevas (1902), escrito por Joseph Conrad, aborda o domínio belga no Congo.

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CONTEXTO
A primeira fase da colonização da África relaciona-se à expansão ultramarina da Europa nos séculos 15 e 16. Buscando novos mercados e rotas alternativas para o Oriente, as potências europeias dominavam povos, criavam colônias e expandiam suas estruturas de poder.

Até o início do século 19, os redutos europeus na África limitavam-se aos litorais de Angola, Moçambique e Guiné, e ao Cabo – antiga colônia de protestantes holandeses, conhecidos como “bôeres”. A dominação intensificou-se com a expansão do capitalismo industrial durante o próprio século 19. Fronteiras foram estabelecidas de maneira arbitrária, ignorando a multiplicidade cultural preexistente no continente e contribuindo para criar os conflitos travados até hoje entre tribos africanas rivais.

FILME: A BATALHA DE ARGEL (Argélia e Itália, 1966)
Dirigido pelo italiano Gillo Pontecorvo (1919 – 2006), o filme apresenta momentos decisivos da guerra pela independência da Argélia (1954 – 1962), marco no processo de libertação das colônias africanas. Enfocando o período entre 1954 e 1957, o longa-metragem mostra como agiam os dois lados do conflito: o exército francês recorria à tortura e à execução dos inimigos e a FLN (Frente de Libertação Nacional) usava técnicas de guerrilha e de terrorismo.

A pretexto de reprimir a ação de piratas argelinos que atacavam navios e portos no Mediterrâneo, a França iniciou a conquista da Argélia em 1830 e a completou em 1857. Até então, o país africano era uma possessão otomana, governada por uma elite turca e árabe.

Na prática, dominar a Argélia assegurou vultosos lucros aos grupos privados franceses. No plano político, visava recuperar o prestígio internacional da França, abalado pelas derrotas napoleônicas.

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FILME: DIAMANTE DE SANGUE (EUA, 2006)
Dirigido pelo americano Edward Zwick, o filme expõe as feridas de Serra Leoa. A vila onde vive o pescador Solomon Vandy é atacada pela FUR (Frente Unida Revolucionária) e ele se desencontra de sua família. Enviado pelos terroristas para uma mina de diamantes, ele encontra uma pedra rara e tenta escondê-la para si. Mais tarde, Vandy conhece o mercenário Danny Archer, interpretado por Leonardo DiCaprio, que lhe oferece ajuda em troca da pedra.

Colônia britânica desde o século 17, Serra Leoa conquistou a independência em 1961, mas continuou sofrendo interferências de poderosas companhias europeias, incentivadoras dos conflitos no país. Durante a guerra civil de 1999 (pano de fundo do filme), os rebeldes da FUR recebiam armas em troca das pedras pedras preciosas extraídas ilegalmente das jazidas do país. Um dos resultados do conflito foi a criação de um exército mirim, formado por crianças obrigadas a cometer assassinatos.

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LIVRO: CORAÇÃO DAS TREVAS (170 páginas, R$ 12)
A desumanização e violência impostas pelo colonialismo são temas tratados neste livro de Joseph Conrad, publicado em 1902. O leitor é levado aos meandros da selva africana com o longo relato do marinheiro Charlie Marlow sobre o explorador e comprador de marfim, sr. Kurtz, que atuava na região do Congo.

O período destacado pela obra reflete a situação do vasto território sob domínio pessoal do rei Leopoldo II, da Bélgica. Por conta de sua contemporaneidade, a narrativa de Conrad foi desdobrada em linguagem cinematográfica no filme Apocalypse Now!, de Francis Ford Coppola.

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FÓRUM

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