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IDADE MODERNA – RENASCIMENTO CULTURAL (SÉCULOS XIV AO XVI)

A transição da Idade Média para a Idade Moderna foi marcada por inúmeras mudanças na Europa: o comércio se intensificou, as cidades se desenvolveram, a burguesia se tornou um grupo social muito poderoso, o rei se fortaleceu, enquanto a nobreza e o clero perderam prestígio. E, como não poderia deixar de ser, tais mudanças trouxeram novas formas de viver e de pensar o mundo, o que resultou num amplo movimento artístico e científico chamado de Renascimento.

 

AS NOVAS TECNOLOGIAS E A CIÊNCIA
O crescimento do comércio e da produção artesanal estimulou a invenção de novas tecnologias, para que se pudessem alcançar maiores lucros. Essas inovações tecnológicas partiam da exploração da natureza, da observação e de experiências cada vez mais rigorosas, originando o que chamamos hoje de Ciência.
Os novos cientistas eram contratados tanto pela burguesia quanto pelos reis, pois estes últimos buscavam a melhoria de seus equipamentos militares a fim de se imporem como potência política (formação das Monarquias Nacionais). Novos maquinários foram introduzidos nas oficinas manufatureiras, além do grande investimento na indústria náutica, já que era através dos mares que o comércio europeu mais se expandia.
Uma outra novidade dessa época foi a introdução dos algarismos arábicos na cultura européia. Esse conhecimento foi desenvolvido no Oriente e trazido para a Europa por mercadores. A utilização dessa “ferramenta” de cálculo facilitou a contabilidade (e enriquecimento) da burguesia e, também, possibilitou o desenvolvimento do pensamento abstrato entre os cientistas.
Dentro desse espírito inventivo, em pouco tempo os cientistas desenvolveram as primeiras noções modernas da Matemática, da Óptica, da Mecânica, da Engenharia, da Medicina e da Astronomia. Os principais expoentes desse período foram: Nicolau Copérnico, Galileu Galilei, Leonardo da Vinci, Johannes Kepler e Andreas Vesálio.

 

OS HUMANISTAS
As Universidades européias foram criadas na Idade Média e estavam subordinadas à doutrina conservadora da Igreja Católica. Mas em meio as grandes transformações do fim da era medieval, surgiu dentro das Universidades um movimento que buscava modernizar essa instituição, propondo o ensino de novas disciplinas, chamadas de “estudos humanos”. Os defensores dessa reforma educacional foram chamados de humanistas.
Os humanistas preferiam o estudo das línguas clássicas (grego e latim) em oposição aos textos religiosos medievais. Ao traduzirem os textos clássicos, esses pensadores ajudaram a divulgar a cultura da Antiguidade: a vida urbana, o racionalismo, a biografia de grandes heróis, a história de batalhas e governos, o ideal de beleza física, a busca do luxo e do prazer pela vida e, o mais importante, a valorização do homem enquanto agente de sua própria história (antropocentrismo).
Influenciados por esses estudos humanísticos, alguns pensadores da época passaram a acreditar que estivessem vivendo um renascimento da cultura própria da humanidade, depois de um longo período em que o saber esteve voltado somente aos estudos religiosos. Daí o nome Renascimento (ou Renascença) ter sido dado a esse momento histórico.

 

AS ARTES
Essa nova forma de compreender a realidade colocou em xeque os valores medievais (ligados ao poder da Igreja e da nobreza), enquanto ressaltava as características próprias da burguesia: racionalismo, individualismo e hedonismo. E a produção artística desse período foi o que melhor representou e divulgou todas essas mudanças.
A partir do século XIV uma nova geração de artistas, influenciada pelo pensamento humanista, passou a utilizar as novas tecnologias e os novos saberes disponíveis para criar uma outra expressão de arte, que se colocava contra os padrões estabelecidos pela Idade Média (arte de caráter religioso, didático, hierárquico e imóvel).
O desenvolvimento de novas ferramentas (por exemplo: tintas, pincéis, argamassas), a melhor compreensão da natureza, da Anatomia, da Matemática, a utilização de conceitos como “luz e sombra” e perspectiva possibilitaram a esses artistas a criação de obras (pintura, escultura, arquitetura, literatura) que expressavam de forma brilhante essa nova mentalidade européia: dinâmica, grandiosa, naturalista e antropocêntrica.
Todas as transformações no campo das artes despertou o interesse da burguesia, que via nessa nova proposta um espelho de seus próprios valores, e por isso, muitos burgueses passaram a patrocinar os artistas, sendo chamados de mecenas (protetores das artes).

 


RENASCENÇA ITALIANA

Não foi por acaso que os mais importantes artistas renascentistas surgiram na Itália. A península itálica fica no centro do mar Mediterrâneo, o que possibilitava o acesso ao vasto comércio da região e favoreceu o enriquecimento de sua burguesia. Na época a região era dividida em diversos pequenos Estados, e a luta entre eles aumentou a necessidade de investimento no desenvolvimento tecnológico, tanto militar quanto para a produção econômica. Além disso, a Itália guardava em suas ruas, em seus prédios, em suas bibliotecas, enfim, em toda sua cultura, a tradição romana, considerada um exemplo para as novas gerações artísticas.
Ou seja, temos na Itália os ingredientes que constituíram a Renascença: burguesia endinheirada, lutas políticas, necessidade de novas tecnologias e tradição cultural.
Os mais importantes artistas italianos foram:

– literatura: Petrarca, Boccaccio, Dante Alighieri, Maquiavel
– pintura: Giotto, Lorenzetti, Fra Angelico, Masaccio, Botticelli, Leonardo da Vinci, Rafael, Michelângelo
– escultura e arquitetura: Brunelleschi, Donatello, Michelângelo

 

PRINCIPAIS NOMES DO RENASCIMENTO FORA DA ITÁLIA

– França: Rabelais (literatura), Montaigne (literatura), Delorme (arquitetura)
– Flandres: Erasmo de Roterdã (literatura), os irmãos Van Eyck (pintura), Bosch (pintura)
– Inglaterra: Shakespeare (literatura e teatro), Thomas Morus (literatura)
– Portugal: Sá de Miranda (literatura), Camões (literatura), Gil Vicente (literatura)

 

 

(UFG – 2011) Leia o texto a seguir.

Enquanto andava à procura de ossos pelas estradas rurais, onde eventualmente os indivíduos executados são deixados, deparei-me com um cadáver ressecado. Os ossos estavam totalmente expostos, mantendo-se unidos apenas pelos ligamentos, e tinham sido preservadas somente a origem e a inserção dos músculos. Escalei o poste e destaquei o fêmur do osso ilíaco. Quando puxei a peça com força, a omoplata, os braços e as mãos também se destacaram, embora faltassem os dedos de uma das mãos, as duas rótulas e um dos pés. Depois de trazer secretamente
para casa as pernas e os braços e após sucessivas idas e vindas (tinha deixado para trás a cabeça e o tronco), permaneci durante quase toda noite fora dos limites da cidade a fim de conseguir pegar o tórax, que se encontrava firmemente preso a uma corrente.
VESALIUS, Andreas. De humani corporis fabrica, 1543. Disponível em: http://www.cienciahoje.uol.com.br/noticias/historia-da-ciencia-e-epistemologia/relancado-tratado-que-inaugurou-anatomia-moderna/. Acesso em: 11 out.. 2010. [Adaptado]

Datada de 1543, a narração do médico Andreas Vesalius, considerado o precursor dos estudos de anatomia moderna, indica a formação de um novo modelo de conhecimento, no período. Com base na leitura do texto e considerando o contexto histórico,

a) explique o processo pelo qual a concepção de mundo dos homens se transformou na época do Renascimento;
b) analise a concepção de ciência que se formava, apresentando o conflito social que essa nova concepção gerou.

a) No processo de formação do mundo moderno (XII-XVII), o Renascimento introduziu algumas importantes transformações, que incidiram sobre a concepção de mundo dos homens daquela época. Colocou no centro de suas preocupações o homem, o que ficaria conhecido como antropocentrismo.
O humanismo, o estudo da natureza e o desenvolvimento do espírito crítico, em conjunto, colaboraram para a ampliação dos horizontes em vários campos do conhecimento, que, difundidos, transformaram a concepção do homem sobre o mundo.

b) Desenvolvia-se a importância de observação direta nos estudos científicos, procedimento que afirmaria a empiria como forma de construção do conhecimento científico. Com o Renascimento e a difusão de seus princípios, as dúvidas sobre o corpo humano tornaram legítima, por parte dos médicos, a investigação empírica, daí a prática de dissecação de cadáveres. Ainda assim, a narrativa do médico, ao revelar que as suas atividades eram feitas em segredo, indica que, apesar das mudanças produzidas pelo Renascimento, tais “novidades” provocavam conflito, posto que não eram consensuais. Na verdade, nesse mesmo período, a Igreja Católica condenava práticas como a da dissecação de cadáveres, pois o corpo humano era considerado sagrado e não poderia ser violado.

(Gabarito oficial divulgado pela UFG)

 

 

(PUCCAMP – 2010) Se a complexidade que o movimento renascentista representou deve ser vista como a raiz de nossa consciência moderna, então não se deve ressaltar apenas a dimensão metódica e harmoniosa em torno do eixo dessa consciência. Deve haver nela um espaço equivalente para a fantasia, a angústia, o desejo, a vontade, a sensação e o medo também. Neste sentido é que estaríamos mergulhando fundo em nossa raiz, neste sentido é que seríamos realmente radicais e poderíamos declarar como Lord Macbeth:

“Ouso tudo o que é próprio de um homem; Quem ousar fazer mais do que isso, não o é”. (Nicolau Sevcenko in Antonio P. Rezende e Maria T. Didier Rumos da História: História Geral e do Brasil. São Paulo: Atual, 2001, p.123)

O texto de Nicolau Sevcenko permite inferir que, com o Renascimento, o:

(A) estudo de textos clássicos passou a ser valorizado como o fundamento único de comprovação da verdade.
(B) homem passou a ser inserido no campo da ciência, o que reduziu sua capacidade para a erudição.
(C) conhecimento escolástico medieval passou a ser a estrutura científica básica da visão de mundo do homem.
(D) homem passou a ser visto como autor de sua própria história, o que multiplicou seu espaço de ação e reflexão.
(E) homem passou a examinar criticamente o mundo das ideias, o que impediu que agisse sobre o próprio destino.

Comentário: o texto faz referência direta à importância que o Homem assumiu no período do Renascimentocença, destacando sua importância como ser sensível ao mundo que o rodeia (antropocentrismo).