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Índia, um país de contrastes

<i>Quem Quer Ser um Milionário?</i> mostra toda a desigualdade e pobreza que permeia a realidade indiana

Retrato da realidade indiana atual, Quem Quer Ser um Milionário? mostra de maneira fiel o cotidiano do segundo país mais populoso do mundo, com mais de 1 bilhão de habitantes. É uma nação que apresenta fortes contrastes, como abrigar setores de ponta na produção de tecnologia e, ao mesmo tempo, ser incapaz de fornecer meios para que seus cidadãos saiam da pobreza. A narrativa envolvente e ritmo intenso rendeu ao longa oito das dez estatuetas que concorreu no Oscar 2009: melhores filme, diretor, roteiro adaptado, canção original, trilha sonora, edição, mixagem de som e fotografia.

Dirigido pelo britânico Danny Boyle, o longa conta a história de Jamal Malik, um jovem favelado da Índia. Ele havia perdido a mãe quando criança e cresceu nas ruas junto com o irmão mais velho, Salim. A história começa com o rapaz prestes a ganhar o prêmio de 20 milhões de rúpias no programa de televisão Quem Quer Ser um Milionário? – valor máximo, jamais conquistado por ninguém. Jamal só precisa responder a mais uma pergunta. Por suspeita de trapaça a última etapa do jogo é adiada para o dia seguinte, e o menino é preso.

A partir daí, a história de sua vida é contada aos poucos, por meio de flashbacks, de passagens cômicas às mais dramáticas, como a morte de sua mãe durante um massacre de cunho religioso. O visual na tela é claramente inspirado em Cidade de Deus. O aspecto geral das favelas de Mumbai (antiga Bombaim), cenário do filme, é bastante semelhante aos morros do Rio de Janeiro.

O longa tem forte caráter crítico. As cenas mostram a realidade desumana da Índia, permeada por pobreza e forte desigualdade social e econômica, no qual favelados e moradores de rua enfrentam um cotidiano de miséria e violência. Em contrapartida, no polo da riqueza está o espetáculo da TV, o programa de auditório, manipulando de maneira cínica a vida dos que tentam a sorte em frente a milhões de espectadores, em busca de ascensão social.

Tanto o público quanto a produção do programa se espantam, cada vez mais, quando o menino que serve café numa empresa de telemarketing acerta cada pergunta feita e avança rumo ao prêmio. O segredo dessa sabedoria está em sua rica, porém traumática, experiência de vida. O risco é que seu sucesso momentâneo atraia ainda mais violência contra si, provinda da polícia desconfiada, da sua relação com o crime organizado e do próprio produtor do programa de TV. É algo que Jamal precisará aprender a lidar caso ganhe o prêmio que pode mudar sua vida.