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Mongólia confirma caso de peste bubônica; relembre a história da doença

Casos da doença ocorrem de tempos em tempos pelo mundo. Mas nada se compara à pandemia que assolou a Europa no século 14

No último sábado (4), Bayan Nur, na Mongólia Interior (região autônoma da China), confirmou um caso de peste bubônica. O comitê de saúde da cidade, então, emitiu o alerta de terceiro nível, o segundo mais baixo de um sistema de quatro níveis. A medida proíbe a caça e consumo de animais que poderiam estar com a praga e pede que as pessoas reportem casos suspeitos às autoridades.

Ainda não está claro como o paciente deste novo caso reportado foi exatamente infectado, mas a causadora é uma bactéria que vive em roedores. É o caso de marmotas em algumas regiões como Mongólia e Estados Unidos, como explica o biólogo Atila Iamarino: “Nesses locais, todo ano alguém resolve comer carne de marmota ou trazer uma para casa para criar e acaba se contaminando. Sabendo que acontece, isolam a pessoa e tratam”, escreveu em post explicativo no Twitter. Ainda segundo o especialista, sem tratamento, a peste “mata de 30 a 90% das pessoas. Com antibióticos, cai para menos de 10%”.

Casos como o reportado no fim de semana ocorrem de tempos em tempos pelo mundo. Em maio do ano passado, duas pessoas na Mongólia morreram da peste, que foi contraída após a ingestão de carne crua de marmota. Anteriormente, em 2017, 2.417 pessoas contraíram a doença na ilha de Madagascar, e 209 morreram.

Segundo o  infectologista pela Universidade Federal de São Paulo Paulo Olzon, em entrevista à Veja Saúde, as autoridades devem ficar atentas, mas não é o caso de gerar pânico: “Hoje, além da questão do tratamento, o diagnóstico é rápido, o que diminui muito a mortalidade da doença. Quando ela fez estragos no passado, não tínhamos nada disso”.

Revisão: Peste Negra

Entre 1343 e 1353, durante a Idade Média, estima-se que um terço da população europeia tenha morrido por conta da peste bubônica, também conhecida como peste negra. A doença causada pela bactéria Yersinia pestis, que se dissemina pelo contato com pulgas e roedores infectados, foi a primeira a atingir um continente inteiro, podendo ser considerada a primeira pandemia da História.

Os sintomas são parecidos com uma gripe forte, com febre, calafrios e dores musculares, mas além disso os infectados apresentam inchaço dos gânglios linfáticos na virilha, nas axilas ou no pescoço e erupções escuras na pele, que deram origem ao nome “peste negra”.

Além da falta de planejamento urbano nas cidades, de noções de higiene e saneamento básico, que facilitaram a disseminação da doença, o diretor do Anglo Vestibulares e professor de História Daniel Perry, em live do GUIA, apontou mais um agravante para a peste bubônica: “No século 14, a Europa vivia um processo efervescente de renascimento do comércio e das cidades, as rotas terrestres e marítimas estavam sendo ampliadas”.

O professor também ressalta como esta pandemia mudou a compreensão da morte da época. Como eles não tinham conhecimento sobre a causa e disseminação da doença, diferente da nossa realidade atual, as explicações religiosas se encarregaram de justificar a doença, com a ideia de ser um castigo de Deus ou coisa do demônio.

De acordo com Perry, até então, as sociedades cristãs católicas não enxergavam a morte como algo negativo. Foi a partir de um período de desenvolvimento da valorização material e do indivíduo que a morte ganhou traços mórbidos e assustadores, presentes ainda hoje na nossa mentalidade.

Assista à live completa para entender como essa e outras pandemias mudaram a história do mundo.

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