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Nas fronteiras, escolas evitam o portunhol com aulas bilíngues

Alunos de cidades limítrofes com Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela têm aula com professores do outro lado da fronteira

‘Escolas de fronteiras’ funcionam em 20 cidades e atendem 4 000 alunos
Cidade brasileira Vizinha de
Dionísio Cerqueira (SC) Bernardo Irigoyen (Arg) –
Foz do Iguaçu (PR) Puerto Iguazú (Arg)
Uruguaiana (RS) Paso de los Libres (Uru)
São Borja (RS) Santo Tomé (Arg)
Itaqui (RS) Alvear e La Cruz (Arg)
Chuí (RS) Chuy (Uru)
Jaguarão (RS) Río Blanco (Uru)
Ponta Porá (MS) Pedro Juan Caballero (Par)
Pacaraima (RR) Santa Elena de Uiarén (Ven)

“Ellos hablan”, a gente entende, “pero no mucho” e vice-versa. Por enquanto. O Brasil ensaia, desde 2005, um currículo especial para os alunos que têm um outro país, literalmente, do outro lado da rua. Agora, mais quatro escolas públicas vão compor o programa ‘Escolas de Fronteira’, que atende cerca de 4 mil estudantes.

O projeto prevê que, uma vez por semana, professores cruzem a fronteira e deem aula, no seu idioma, para alunos do país vizinho. Já funciona em 24 escolas de cidades de Brasil, Argentina, Uruguai, Venezuela e, agora, Paraguai. Além da língua, os estudantes conhecem a maneira de aprender dos países vizinhos.

No segundo semestre, o intercâmbio passa a funcionar também nas escolas brasileiras Pedro Afonso Pereira Goldoni e Professora Geni Marques Magalhães, de Ponta Porá (MS), que fizeram convênio com as paraguaias Capitán Pedro Juan Caballero e San Afonso, da cidade de Pedro Juan Caballero.

Cada escola começará a experiência três turmas do primeiro ao terceiro ano do ensino fundamental – quanto mais jovem o aluno, mais fácil é o aprendizado do idioma estrangeiro.

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Nos primeiros meses, professores vão avaliar os pequenos brasileiros e paraguaios para identificar o grau de conhecimento dos idiomas– no Paraguai, além do espanhol, o guarani também é língua oficial.

Dados do Instituto de Investigação e Desenvolvimento em Política Linguística (Ipol), que coordena o programa no lado do Brasil, mostram que o Escolas de Fronteira reúne 20 cidades, 60 professores e 111 turmas do primeiro ao quinto ano do ensino fundamental.

O desafio do programa é criar um modelo de ensino comum, com gestão compartilhada, bilinguismo e a interculturalidade. Para que nenhum país imponha seu modelo ao outro, os alunos sugerem os temas das aulas e, junto com os professores, elaboram um plano de atividades.