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O crime da arte

Tráfico de bens culturais é a terceira atividade ilegal mais grave do mundo

Por por FLÁVIA RIBEIRO
Atualizado em 16 Maio 2017, 13h30 - Publicado em 14 jun 2011, 13h11

Esqueça o charme do ex-007 Pierce Brosnan em Thomas Crown – A Arte do Crime, filme no qual o bonitão interpreta um sofisticado ladrão de obras de arte. No mundo real, o comércio ilegal de bens culturais é gerido por mafiosos nada românticos e operado por bandidos sem glamour, como “ratos” de museus, bibliotecas e centros culturais, escavadores clandestinos de sítios arqueológicos e saqueadores de países em conflito.

Foram esses últimos que roubaram cerca de mil peças do Egito em janeiro (o número foi estimado pelo ministro de antiguidades, Zahi Hawass), quando o país foi sacudido por uma onda de protestos contra o regime do ditador Hosni Mubarak. As obras egípcias juntam-se aos mais de 15 mil objetos saqueados do Museu Arqueológico de Bagdá em 2003, durante a guerra entre Iraque e EUA (só 5 mil foram recuperados).

“O comércio ilegal de obras de arte e bens culturais está ranqueado pelo Departamento de Justiça dos EUA como o terceiro mais grave do mundo, atrás apenas do tráfico de drogas e de armas. É uma atividade que gera fundos até mesmo para o terrorismo”, afirma Noah Charney, diretor da Associação para Investigação de Crimes contra Arte (Arca, sigla em inglês).

Segundo a Arca, o tráfico de arte lucra anualmente de 6 a 8 bilhões de dólares – a Global Financial Initiative estima entre 3,4 e 6,3 bilhões de dólares. Algumas peças vão parar nas mãos de colecionadores, outras são sequestradas para pedido de resgate e muitas são usadas como moeda de troca ou em esquemas de lavagem de dinheiro.

Acredita-se que a máfia siciliana e a organizacija russa estejam por trás de parte desses roubos, além de organizações criminosas menores. “O chefe do crime irlandês Martin Cahill roubou 18 obras em 1986, na Irlanda, e usou uma delas, uma pintura de Vermeer, como garantia numa negociação de drogas na Bélgica”, conta Charney.

ROUBOS RECENTES NO BRASIL

A Dança, de Picasso, Jardim de Luxemburgo, de Matisse, Dois Balcões, de Salvador Dalí, e Marina, de Monet, foram roubados do Museu da Chácara do Céu, no Rio de Janeiro, em 2006. Ainda não foram encontrados. Estão na lista de 1558 peças roubadas no país compilada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O quadro de Dalí é um dos cinco mais procurados pelo FBI.

Retrato de Suzanne Bloch, de Picasso, e O Lavrador de Café, de Portinari, foram levados do Masp em dezembro de 2007 e recuperados em janeiro de 2008. Mulheres na Janela, de Di Cavalcanti, O Casal , de Lasar Segall, e duas gravuras de Picasso foram roubadas da Pinacoteca de São Paulo em 2008 e recuperadas no mesmo ano.

A VOLTA DE TUTANCÂMON

A revolta popular que culminou com a derrubada do ditador Hosni Mubarak, no início de fevereiro, teve um efeito colateral desastroso para a arqueologia. O Museu Egípcio – que fica na praça Tahir, foco das manifestações – foi invadido e teve 70 de suas 120 mil peças daninicadas. Pelo menos oito foram roubadas: entre elas, uma estátua do faraó Tutancâmon, feita de madeira e ouro.

Durante os tumultos, os acessos às pirâmides de Gizé foram fechados, a pirâmide de Saqqara teve seus cadeados violados e vários sítios arqueológicos foram saqueados. Treze relíquias foram achadas em abril dentro de uma mala em uma estação de metrô no Cairo. A estátua de Tutancâmon estava lá. O governo anunciou estudos para a criação de um departamento de polícia específico para proteger o patrimônio do país e anunciou a mudança de seu principal museu para uma nova sede, a ser inaugurada em Gizé até 2015.

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ROUBOS RECENTES NO MUNDO

Em 2008, quatro quadros de Cézanne, Degas, Van Gogh e Monet, avaliados em 163 milhões de dólares, foram levados do museu Coleção E. G. Buehrle, na Suíça. Os de Monet e Van Gogh foram recuperados, mas o de Degas (Conde Lepic e Suas Filhas) e o de Cézanne (O Menino de Colete Vermelho) continuam desaparecidos. Madonna e O Grito, de Edvard Munch, foram roubados do Museu Munch, na Noruega, em 2004 e achados em 2006.

Picasso é alvo constante: 118 obras foram roubadas do Museu Avignon em 1976; ladrões levaram 15 telas da casa de sua neta em Cannes em 1989 (reapareceram quatro dias depois); a escultura Cabeça de Mulher, já recuperada, foi roubada em Londres em 1997; Maya com Boneca e Retrato de Jacqueline foram levadas da casa de outra neta em 2007 e recuperadas seis meses mais tarde; um caderno de desenhos foi surrupiado do Museu Picasso em 2009; e, no ano passado, O Pombo e as Ervilhas foi roubado do Museu de Arte Moderna de Paris, junto com telas de Matisse, Georges Braque, Modigliani e Fernand Léger.

 

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