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“Os cem melhores poemas brasileiros do século” – Resumo da obra

Entenda o enredo da obra

Por Redação Atualizado em 12 abr 2018, 15h49 - Publicado em 17 set 2012, 00h08

– Leia a análise dos poemas mais representativos de Os Cem Melhores Poemas Brasileiros do Século

Segundo Moriconi, o critério básico para a seleção dos poemas foi a sua “essencialidade”, entendendo por isso a capacidade de um poema ser exemplar dentro do seu gênero específico. Dessa forma, os poemas que fazem parte dessa antologia são representantes de uma grande diversidade poética: vão desde poemas filosóficos e existencialistas à poemas metafóricos e poemas cômicos. Sua diversidade também está presente na forma (curto ou longo), estilo (livre ou metrificado), poemas genericamente neutros ou com gênero demarcado, tais como os femininos de Hilda Hilst e Adélia Prato.

O livro foi dividido em quatro partes que seguem uma ordem cronológica (vão do início ao fim do século XX), mas os poemas dentro de cada parte estão sequenciados, de acordo com Moriconi, de maneira livre. Ao todo são 61 poetas, que vão de Carlos Drummond de Andrade e Cecília Meireles, a Raul Bopp e Torquato Neto.

A primeira parte, que leva o título “Abaixo os puristas”, reúne poemas escritos nas primeiras décadas do século, dando-se ênfase à produção modernista. Esta predileção pelos modernistas é devido ao fato de para Moriconi o século XX para a poesia ser basicamente modernista. A grande parte dos poemas dessa parte foram publicados na forma de livro durante os anos de 1930, mas já haviam sido publicados em jornais e revistas desde a década anterior. Na década de 1920 já haviam sido publicados o Manifesto Regionalista e a Revista de Antropofagia, além da Semana de Arte Moderna, e na década de 1930 o movimento modernista no Brasil já estava maduro.

A segunda e terceira partes, nomeadas respectivamente “Educação sentimental” e “O cânone brasileiro”, correspondem às décadas de 1940, 50 e 60. Aproveitando as conquistas formais, estilísticas e temáticas da primeira fase do modernismo, estas três décadas puderam produzir uma obra de grande importância. Versos livres foram o recurso formal mais utilizado para dar vazão à sensibilidade desses anos e a temática se voltou para questões filosóficas e existencialistas, além de inquietações sociais, religiosas e amorosas. Segundo Moriconi, sua intenção era mostrar que os poetas que formam o cânone brasileiro em nada deve para os norte-americanos e europeus.

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Por fim, em “Fragmentos de um discurso vertiginoso”, quarta e última parte da antologia, Moriconi traz um apanhado do que há de mais significativo na poesia produzida da década de 1970 aos anos 90. A “poesia marginal” dos anos 70 (Torquato Neto, Chacal e outros) foi influenciada pelo Modernismo e pelo pelos movimentos da contracultura e da Tropicália, tais como o rock, o movimento hippie, histórias em quadrinhos e o cinema. Tem como marca principal a coloquialidade e espontaneidade, tendendo a uma experimentação rítmica e musical, ao humor, à paródia e à representação do cotidiano urbano. Ao lado da “poesia marginal” (ou porque não fazendo parte dela), temos a poesia de cunho feminista, resultado da revolução feminista na sociedade, cultura e, consequentemente, na literatura. Por fim, Moriconi faz uma seleção de poetas das décadas de 1980 e 90, cuja principal característica é a revalorização de linguagens alegóricas e uma inquietação estética e política.

Dessa forma, pode-se dizer que a seleção de Moriconi permite uma visão panorâmica das gerações literárias do século XX. Porém, através de um olhar contemporâneo e nem tanto academicamente conservador, abre-se espaço para uma nova compreensão da produção poética brasileira. Além disso, incluindo-se autores das três últimas décadas do século passado, o leitor pode refletir sobre a produção poética contemporânea e os rumos que ela tomará daqui em diante, já no século XXI.

Comentário do professor
O professor Deco Duarte do Colégio Gregor Mendes comenta a obra:
“Os cem melhores poemas brasileiros do século XX” é uma antologia que reúne aqueles que podem ser considerados os melhores textos poéticos da literatura brasileira no período apontado. Como toda seleção, o critério é subjetivo, não havendo uma verdade definitiva nessa escolha. A pluralidade presente na obra cria uma dificuldade no seu estudo, pois existem textos mais tradicionais e que seguem um modelo de poesia mais formal, como os sonetos de Augusto dos Anjos ou de Vinícius de Moraes, que convivem com obras mais arrojadas e inovadoras como os textos concretos de Augusto de Campos e Haroldo de Campos. Mesmo aqueles que seguem o rigor formal de um soneto, destoam na temática abordada, como é o caso mais uma vez dos já citados Augusto dos Anjos e Vinícius de Moraes, pois tratam, respectivamente, da desilusão diante da vida ou do amor.

Assim, não há um critério unificador para a leitura do livro, a não ser o fato de que todos os textos, de certa forma, impactam as letras nacionais, seja pela sua qualidade temática, seja pela sua inovação formal. A tendência da UFBA, entretanto, desde que a obra foi adotada, é cobrar o conhecimento de autores mais “renomados” junto ao grande público, tais como Manuel Bandeira (UFBA 2009), Ferreira Gullar e Mário Quintana (UFBA 2010) e Carlos Dummond de Andrade (UFBA 2011). Dessa forma, é sempre bom conhecer a produção e as contribuições dos grandes nomes da poesia nacional presentes na obra, tais como Oswald de Andrade, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Vinícius de Moraes, Cecília Meireles, João Cabral de Melo Neto, enquadrando-os nos movimentos literários do século XX, em especial dentro do Modernismo.

Sobre Ítalo Moriconi
Ítalo Moriconi tem formação em Ciências Sociais pela Universidade de Brasília e é doutor em Letras. Atualmente é professor de Literatura Brasileira e Literatura Comparada na Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

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