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“Papéis Avulsos” – Resumo da obra de Machado de Assis

Entenda o enredo da obra

Por Redação Atualizado em 12 abr 2018, 15h47 - Publicado em 17 set 2012, 00h19

“Papéis Avulsos” é o terceiro livro de Machado de Assis e foi lançado em 1882. Ao lado de Memórias póstumas de Brás Cubas (1881), esta obra é um marco na carreira de Machado e inaugura sua fase realista. O título da obra, que remete a uma casualidade na estrutura dos contos ali reunidos, deixa transparecer a ironia típica de Machado: como estabelecer a ordem em uma sociedade fundada em bases contraditórias e violentas? Porém, como o próprio autor afirmou no prólogo “Advertência”, por mais que as histórias reunidas neste livro tenham certa independência entre si e negam uma certa unidade, elas também estão unidas dentro de um mesmo molde e seus temas são analógicos.

Em “Papéis Avulsos”, Machado de Assis utiliza de grande ironia e um pouco de pessimismo para tratar a respeito da contradição entre ser e parecer, entre vida pública e vida interior/íntima, entre a máscara e o desejo. Estes serão temas clássicos e fundamentais dos contos de Machado dali em diante. Para tratar desses pares antagônicos, o autor irá fazer uso de sua grande capacidade linguística para contrapor as reais intenções das personagens com o que elas aparentam.

Trataremos aqui quatro dos principais contos presentes na obra, a saber: “O Alienista”, “Teoria do medalhão”, “O segredo do bonzo” e “O Espelho”.

Comentário do professor
Comentário do prof. Ronnie Roberto Campos, do Colégio Adventista de Londrina:
“Papéis avulsos” está entre as primeiras publicações da fase madura de Machado de Assis, e já apresenta muitas das características que o imortalizaram: o humor sutil, o pessimismo, o ceticismo, a ironia fina e corrosiva e as denúncias implacáveis que revelam os mais perversos segredos de uma sociedade maculada pela máscara da hipocrisia.

O texto de abertura, “O Alienista”, é um conto que se apresenta fora dos padrões que caracterizam esse gênero – extenso e subdividido em capítulos – apontando os caminhos inovadores pelos quais a estética machadiana pretende caminhar. Além desse, aí encontramos diversos contos que se tornariam ícones desse gênero na literatura brasileira, como “A sereníssima república”, “A teoria do Medalhão”, “O espelho”.

Pensando no vestibular, vale a pena focar na construção das personagens, principalmente no que se refere aos aspectos morais e psicológicos. Outra boa ideia é buscar nos contos as mesmas características que são exploradas nas questões sobre os romances realistas de Machado de Assis: rompimento da tradicional sequência linear do enredo, as constantes interferências do narrador (as célebres digressões), a multiplicidade e fragmentação dos episódios, a metalinguagem, a troca de “favores”, o adultério, o egoísmo, as atitudes motivadas pelo interesse, a mediocridade das pessoas e a exploração do homem pelo próprio homem.

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Sobre Machado de Assis
Joaquim Maria Machado de Assis nasceu em 21 de junho de 1839 na cidade do Rio de Janeiro. Neto de escravos alforriados, foi criado em uma família pobre e não pode frequentar regularmente a escola. Porém, devido a seu enorme interesse por literatura, conseguiu se instruir por conta própria. Entre os seis e os quatorze anos, Machado de Assis perdeu sua irmã, a mãe e o pai.

Aos 16 anos, Machado conseguiu um emprego como aprendiz em uma tipografia, vindo a publicar seus primeiros versos no jornal “A Marmota”. Em 1860 passou a colaborar para o “Diário do Rio de Janeiro” e é dessa década que datam quase todas suas comédias teatrais e Crisálidas, um livro de poemas.

Em 1869 Machado de Assis casou-se com Carolina Augusta Xavier de Novais sem o consentimento da família da moça, devido à má fama que Machado carregava. Porém, este casamento mudou sua vida, uma vez que Carolina lhe apresentou à literatura portuguesa e inglesa. Mais amadurecido literariamente, Machado publica na década de 1870 uma série de romances, tais como A mão e a luva (1874) e Helena (1876), vindo a obter reconhecimento do público e da crítica. Ainda na década de 1870, Machado iniciou sua carreira burocrática e em 1892 já ocupava o cargo de diretor geral do Ministério da Aviação. Através de sua carreira no serviço público, Machado de Assis conseguiu sua estabilidade financeira.

A obra literária de Machado era marcadamente romântica, mas na década de 1880 ela sofre uma grande mudança estilística e temática, vindo a inaugurar o Realismo no Brasil com a publicação de Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881). A partir de então a ironia, o pessimismo, o espírito crítico e uma profunda reflexão sobre a sociedade brasileira se tornarão as principais características de suas obras. Em 1897, Machado funda a Academia Brasileira de Letras, sendo seu primeiro presidente e ocupando a Cadeira Nº 23.

Em 1904, Machado perde a esposa após um casamento de 35 anos. A morte de Carolina abalou profundamente o escritor, que passou a ficar isolado em casa e sua saúde foi piorando. Dessa época datam seus últimos romances: Esaú (1904) e Jacó Memorial de Aires (1908). Machado morreu em sua casa no Rio de Janeiro no dia 29 de setembro de 1908. Seu enterro foi acompanhado por uma multidão e foi decretado luto oficial no Rio de Janeiro.

Seus principais romances são: “Ressurreição” (1872), “A mão e a luva” (1874), “Helena” (1876), “Iaiá Garcia” (1878), “Memórias Póstumas de Brás Cubas” (1881), “Quincas Borba” (1891), “Dom Casmurro” (1899), “Esaú e Jacó” (1904) e “Memorial de Aires” (1908). Além dessas obras, Machado de Assis possui uma extensa bibliografia que abrange poemas, contos e peças teatrais.

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