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Por que o trote ainda existe

Prática vem da Idade Média e ainda funciona como espécie de rito de passagem.

Por Redação Atualizado em 16 Maio 2017, 13h36 - Publicado em 5 mar 2010, 15h56

Por Renata Reps

O trote serve para marcar o início do fim da era de estudos de uma pessoa, que não deixa de ser o período que marca o final da adolescência tardia – aquela que só acaba depois da faculdade. É o que acredita o psicólogo e professor do curso de Psicologia da PUC-SP Carlos Eduardo Freire.

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“O trote é transcultural, isto é, um hábito que existe em várias culturas humanas. Ele serve para impedir que a entrada na vida universitária seja banalizada como apenas mais uma fase da vida estudantil. Porém, suas distorções violentas são absolutamente desnecessárias”, afirma.

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Para ele, é natural impor ao integrante de um novo grupo uma prova de que ele é capaz de estar naquele cargo, mas atos violentos não atestam nada do candidato. “O ideal, nesse caso, seria estabelecer um debate formal com os calouros, para ver, por exemplo, se eles sabem lidar com pressão e defender suas ideias”, explica Carlos Eduardo.

Apesar de tudo, as previsões são otimistas. Cada vez mais cursos adotam o trote solidário como forma de recepcionar os calouros, com visitas a creches e hospitais, arrecadação de donativos e mutirões de ajuda humanitária. Outros fazem com que os bichos organizem uma festa para os veteranos. Em 2009, o disque-denúncia da USP recebeu cerca de 260 ligações, das quais apenas 27 eram denúncias efetivas – o restante eram estudantes em busca de informações sobre o serviço.

“Acho que o principal é não deixar as recepções aos calouros serem responsabilidade exclusiva dos veteranos. A universidade tem que participar e ajudar a organizar os parâmetros do trote. Impor limites é um passo importante para minimizar a violência”, aposta o coordenador do grupo Pró-Calouro da USP, Oswaldo Crivello Junior.

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