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Professores de São Paulo querem ganhar mais por trabalho extraclasse na internet

Eles alegam que novos métodos aumentaram a carga de trabalho extra-aula e querem aumento

por Fábio Brandt

Novas tecnologias inovaram métodos de ensinar e agora chegam às preocupações sindicais dos professores. Os da rede privada de Ensino Fundamental e Superior do Estado de São Paulo, por exemplo, exigem que seus empregadores paguem pelo trabalho realizado fora da sala de aula – como a atualização de plataformas de estudo on-line e a participação em chats e plantões virtuais com os alunos.

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“As escolas particulares fazem marketing dizendo que o aluno tem o professor à disposição. Mas não contam para os pais que elas não pagam os professores para isso”, critica Celso Napolitano, presidente da Federação dos Professores do Estado de São Paulo (Fepesp) e docente da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Professores de escolas privadas paulistas já têm acréscimo de 5% em seus salários, destinado às horas trabalhadas fora da sala de aula – na correção e elaboração de provas, por exemplo. Mas essa porcentagem é estática, enquanto o trabalho só aumenta, garante Napolitano.

Segundo ele, há dois anos, os docentes usavam sites de pesquisa no preparo das aulas de acordo com sua necessidade e seu tempo. Nesse período, mais alunos conseguiram acesso à internet e, “agora, o professor precisa ficar disponível para fóruns e chats no momento em que o aluno quiser”, afirma o professor.

Elaborar slides e usar recursos informáticos durante as aulas estão se tornando obrigações nas escolas particulares, acrescenta Napolitano. “É um assédio branco, não vem como imposição. A informação imediata é importante para os alunos, mas queremos que essas atividades, que foram integradas à nossa atividade, sejam remuneradas”, pontua o sindicalista.

OUTRO LADO
Para negociar o aumento salarial, a Fepesp e os sindicatos de professores paulistas se reúnem com o Sindicato das Entidades Mantenedoras de Estabelecimentos de Ensino Superior do Estado de São Paulo (Semesp) e com Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo (SIEEESP), separadamente.

Procurada pelo GUIA, a assessoria de imprensa do Semesp informou que a negociação está em curso e não se pronunciaria sobre o assunto. O presidente do SIEEESP, Benjamin Ribeiro da Silva, declarou que os professores ainda não lhe apresentaram a pauta de reivindicação e que aguarda o início das discussões. “Acredito que tenha muito a discutir. A data-base é em março”, afirmou Silva.

A Fepesp informou que as próximas datas de negociação são: 18 de fevereiro (reunião com SESI e SENAI), 22 de fevereiro (reunião com Semesp) e 23 de fevereiro (reunião com Sieeesp).

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