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Professores relatam como o uso das novas tecnologias interfere em suas rotinas

GUIA ouviu dois docentes de escolas particulares de Ensino Médio que preferiram não revelar suas identidades para preservar o emprego

por Fábio Brandt

Professores da rede privada de Ensino Fundamental e Superior do Estado de São Paulo exigem que seus empregadores paguem pelo trabalho que realizam fora da sala de aula – como a atualização de plataformas de estudo on-line e a participação em chats e plantões virtuais com os alunos. Sobre esse tema, o GUIA ouviu dois docentes de colégios privados de renome que preferiram não se identificar.

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“Sou professor de física há 20 anos, então vi a mudança entre quando não havia computador e rodávamos material em mimeógrafo e agora, quando a tecnologia é aplicada em todos os setores. O método mudou e o tempo dedicado às atividades extraclasse não é bem o mesmo.

Na escola onde trabalho, sou obrigado a atualizar semanalmente a plataforma Moodle [espécie de site de compartilhamento de arquivos restrito aos professores e alunos de uma escola]. Queriam que eu atendesse mães virtualmente, mas isso não deu certo. Agora, querem que eu passe a me comunicar com alunos via Moodle. Lógico que não recebo a mais por isso. A escola também quer que cada professor trabalhe um projeto de informática junto com os alunos. Mas a sala de informática só funciona fora do horário de aula.

Ninguém vai falar que você é demitido por não usar a informática ou reclamar o pagamento, mas vão arranjar alguma coisa para dizer que você não serve mais para a empresa. Adoro tecnologia, não sou contra. Mas, se antes eu usava cinco horas por semana para desempenhar as atividades pagas pelos 5% [acrescidos obrigatoriamente aos salários para pagar atividades extraclasse], agora uso 30 horas e continuo com 5%".

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“Já fui demitido porque cobrei pagamento por ter que passar as notas dos alunos no sistema da escola. O sindicato entrou com uma ação e fui reintegrado. Acontece que o colégio demitiu o pessoal da secretaria e obrigou os professores a digitar as notas. Isso é um trabalho grande fora da sala e nós só recebemos por hora de aula.

Trabalho nessa escola há 23 anos e vejo que nos últimos três anos a tecnologia tem se integrado ao trabalho. É muito bom você ter o computador, acesso a internet e filme dentro da sala de aula. É positivo pedir atendimento ao aluno, que tire dúvidas. Enquanto pai ou aluno, eu acho positivo, mas é sem remuneração. O colégio diz para o sindicato que os professores que não querem, não precisam fazer. Mas, para nós, eles dizem que um dos itens para permanência na escola é a execução desse serviço".

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