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Resumo de História: Os desdobramentos da abolição

A partir de 1830, já no período imperial, a expansão da cultura cafeeira aumentou a necessidade de mão de obra. Ao mesmo tempo cresciam as pressões contra o tráfico negreiro, principalmente da Inglaterra, preocupada com a concorrência, já que nas colônias inglesas no Caribe o comércio de escravos havia sido proibido e os rodutos exportados tinham ficado mais caros.

Em 1831, cumprindo acordos firmados com a Inglaterra, o governo brasileiro declarou o tráfico ilegal no território nacional. Mas o comércio continuou em grande escala. Diante disso, o Parlamento britânico aprovou, em 1845, a Bill Aberdeen, lei que dava à Marinha de Guerra inglesa o direito de perseguir e aprisionar tumbeiros em qualquer ponto do Atlântico. A pressão inglesa era cada vez maior, e, em 1850, foi promulgada a Lei Eusébio de Queiroz, que novamente proibia a entrada de escravos no país.

Por volta de 1880, surge então, um movimento pró-abolição, que contava com jornalistas, políticos, artistas, etc. A pressão sobre o governo levou à publicação de uma série de leis, que, lentamente, conduziram ao fim do trabalho forçado no país, como a lei do Ventre Livre, que libertava os filhos de escravos nascidos a partir de 1871. Em 1885, foi promulgada a Lei do Sexagenário, que deu liberdade aos raros escravos que conseguiram passar dos 65 anos.

Em 1888, foi criada a Lei Áurea – assinada pela princesa Isabel, que substituiu o imperador dom Pedro II, em viagem à Europa -, que finalmente proibiu a escravidão no país.

No entanto, a libertação dos negros no Brasil não foi acompanhada de uma política de integração à sociedade. Estima-se que, por ocasião da Lei Áurea, dos quase 800 mil escravos libertos, menos de 1% sabia ler. Sem qualificação, eles não tinham condições de melhorar de vida e, sem melhorar de vida, não podiam dar qualificação aos filhos. Esse círculo vicioso dura até hoje. Atualmente, 41,7% dos negros brasileiros estão abaixo da linha de probreza – entre os brancos a porcentagem é de 19,5%. Na camada mais pobre dapopulação brasileira, os negros correspondem a quase 74%, enquanto os brancos representam 25,4%.