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Revolução Industrial: resumo das três fases que mudaram o mundo

Conheça as características da primeira, segunda e terceira Revolução Industrial e compreenda seus impactos globais

Por Luccas Diaz
Atualizado em 23 fev 2024, 15h21 - Publicado em 23 fev 2024, 14h05

No século 18, uma reviravolta social e econômica desencadeou-se por todo o globo. Originada na Inglaterra, essa verdadeira revolução transformou completamente as estruturas da economia agrária, solidificou o domínio do sistema capitalista, definiu uma nova ordem para a sociedade, e introduziu objetos e aparelhos que antes só pertenciam à imaginação. Estamos falando, é claro, da Revolução Industrial. Ao contrário de outras revoluções, essa continuou se repetindo nos séculos subsequentes, resultando em uma “trilogia” digna de cinema: I, II e III Revolução Industrial.

Neste texto, o GUIA DO ESTUDANTE te leva a uma jornada pelas três grandes fases da revolução e te mostra os pontos mais importantes que você deve saber sobre o assunto – que é figurinha carimbada nas provas.

Antes, assim como tudo, é preciso de contexto. Um evento como este não acontece do dia para a noite. Antes de mergulhar nas revoluções, é sábio recapitular os principais pontos para entender como era o mundo (ou melhor, a Inglaterra) nas vésperas das primeiras fábricas.

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Contexto histórico: Inglaterra em ebulição

Ilustração do parlamento britânico no fim do século 18.
O parlamento britânico, em 1793 (Britannica/Reprodução)

Os anos que antecedem a Primeira Revolução Industrial foram marcados por um momento de alta tensão nas transformações econômicas, políticas e sociais na Inglaterra. Até o nascimento das primeiríssimas fábricas, destacaram-se alguns fatores cruciais, responsáveis por alterar a mentalidade da época e permitir o avanço industrial. Transformações na agricultura entre os séculos 16 e 18, revoluções sociais no século 17, avanço do setor manufatureiro e o domínio sobre o mercado global a partir do século 17 são alguns deles.

1. Os primeiros assalariados

Durante o século 16, o mercado agrário inglês passava por transformações que, mais tarde, consolidariam o modus operandi dos operários das fábricas. Durante a alta do desenvolvimento têxtil, baseado na produção de lã no norte da Europa, os primeiros indícios de uma distinção entre o trabalhador e os meios de produção davam as caras. Originava-se o conceito de produzir não mais para o sustento próprio, como na agricultura familiar, mas sim para o dono do negócio, que em troca da força de trabalho dos seus “funcionários”, lhe pagava algum tipo de retorno. É o que Karl Marx definiu como “acumulação primitiva”, uma espécie de ensaio para o capitalismo.

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2. A burguesia enterra o absolutismo

Já no século 17, a recém-criada burguesia inglesa aplicava um golpe final nos regimes absolutistas. Em nome de dinamizar a economia manufatureira, e pôr um fim no monopólio do Estado mercantilista, a nobreza aburguesada, por meio do, ainda tímido, Parlamento, executava o rei Carlos I e instalava uma república em 1649. O sistema logo ruiu e a monarquia voltou ao poder pouco tempo depois, em 1660. Mas não demorou para a burguesia agir novamente e, em 1688, coroar o holandês Guilherme III sob as condições de desencadear a liberdade do Parlamento. Nascia, assim, a Declaração de Direitos (Bill of Rights) e morria, de vez, o absolutismo na Inglaterra.

+ Resumo: Revoluções inglesas do século XVII

3. Inglaterra com dor de cotovelo

Ao contrário dos vizinhos Portugal e Espanha, a Inglaterra, no entanto, não tinha uma colônia tão lucrativa para chamar de sua. Enquanto as colônias ibéricas gracejavam seus exploradores com uma abundância de matérias-primas, recursos naturais e metais preciosos, as colônias britânicas gozavam de uma economia pouco diversificada, com foco maior na produção agrícola. Não eram ruins, claro, mas o maior lucro da época ainda se concentrava nos metais preciosos, como ouro e prata. Essa diferença entre as colônias contribuiu para que os ingleses priorizassem o desenvolvimento do setor manufatureiro, na busca por alternativas econômicas.

4. Deu certo!

A concentração inglesa na produção de manufaturas surtiu efeitos. Na verdade, foi essencial para uma onda de domínio no mercado global que se estabeleceria a seguir. Ao concentrar-se na manufatura, a Inglaterra conseguiu diversificar sua economia e criar produtos com valor agregado, estimulando sua produção interna. O domínio global foi facilitado, claro, pelo fato do reino ter diversas colônias em diferentes pontos do globo. Como nenhuma outra nação do mundo, os ingleses reinavam sobre o comércio global.

+ O que é capitalismo? Conheça sua origem e fases

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Primeira Revolução Industrial

Ilustração de máquina de fiar da Primeira Revolução Industrial
A invenção da Spinning Jenny, uma máquina de fiar criada por James Hargreaves em 1764, destacou-se como um dos principais avanços na industrialização têxtil durante a Primeira Revolução Industrial (Wikimedia Commons/Reprodução)

Todas as transformações citadas acima, somadas ao crescente avanço das tecnologias maquinárias, permitiram o surgimento das primeiras indústrias a partir de 1760. Essas primeiras fábricas eram inicialmente focadas na produção têxtil, com enormes aparelhos de fiar que substituíam o trabalho de artesões e tecelões. Ainda assim, e diferente de hoje em dia com as inteligências artificiais, a presença de seres humanos para operar as máquinas era essencial. Nasceu, assim, uma nova classe social: os operários. Eram eles que os burgueses, donos das fábricas, contratavam no lugar de tecelões independentes.

Cada um executava uma única tarefa, monótoma e repetitiva, sem a obrigatoriedade de especialização ou conhecimento técnico. Nos centros urbanos, se tornou uma opção viável de emprego. O preço, no entanto, era bem alto. A remuneração era risível, o conceito de direito do trabalhador algo inimaginável, e o ambiente das fábricas só tinha um objetivo: gerar lucro aos donos. Os turnos eram demasiadamente longos (chegavam até 17 horas diárias), as condições de trabalho, péssimas, e uma total ausência de segurança na operação das máquinas resultava frequentemente em acidentes fatais.

No entanto, nada disso passava pela cabeça da burguesia industrial, que, ao iniciar a produção em larga escala e em um ritmo sem precedentes, viu seus lucros no comércio de manufaturas aumentar vertiginosamente. Esse contraste entre as condições de vida das duas classes culminou, já a partir do século 19, na união dos trabalhadores em coletivos. A fim de reivindicar condições básicas de trabalho, passaram a se organizar em associações, que logo mais dariam origem aos sindicatos.

+ Resumo de História: Capitalismo industrial

Segunda Revolução Industrial

Operários em fábrica da Ford no início do século 20.
A introdução do sistema de produção fordista, durante a Segunda Revolução Industrial, aumentou a eficiência e padronizou as fábricas (Wikimedia Commons/Reprodução)

A partir de 1870 e até o final do século 20, se originou uma segunda revolução no setor industrial. É vista como diferente da primeira pois introduziu três novos elementos nas fábricas:

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  • o uso de novas fontes de energia, sobretudo a eletricidade e o petróleo;
  • a substituição do ferro pelo aço;
  • a criação da linha de montagem fordista.

Pode parecer pouca coisa, mas os três fatores mudaram drasticamente o cenário das fábricas. A rápida aceleração das inovações tecnológicas no setor químico e metalúrgico permitiram a introdução de máquinas mais eficientes, ao mesmo tempo que desenvolveram a expansão das linhas de trem e de comunicação a distância (linhas telegráficas). Tudo isso ajudou na internacionalização das fábricas, que agora não apenas eram presentes em outros países, como também propiciavam um cenário inicial de economia globalizada.

O filme clássico “Tempos Modernos”, protagonizado por Charles Chaplin, é uma boa pedida para ilustrar como era a vida dos operários nas primeiras décadas do século 20.

Esse cenário de crescimento trouxe novas maneiras de organização das fábricas, que já via uma forte competitividade entre si. A prática de trustes (fusão de empresas do mesmo ramo para monopolizar a produção e o preço), holdings (grandes conglomerados de empresas) e cartéis (acordos para eliminar a concorrência) se tornavam comuns. Para sustentar esse crescimento acelerado, a burguesia recorria às instituições bancárias na procura por empréstimos e financiamentos para a construção de novas indústrias. Neste novo “capitalismo financeiro”, os bancos passaram a representar um novo player dominante na sociedade.

No que diz respeito à população, grandes ondas de migrações da zona rural para as áreas urbanas foram influenciadas pela busca de empregos. Os moradores do campo, agora cada vez mais tecnológico, viam seus trabalhos serem substituídos por máquinas. Os centros urbanos cresciam aceleradamente, com novas oportunidades de trabalho diariamente.

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Falando em trabalho, os sindicatos, agora já estabilizados, lutavam por conquistas para os operários. Ao longo do período, garantiram jornadas mais curtas de trabalho, melhores condições nas fábricas, salários mais justos, maior segurança no manuseio das máquinas e folgas remuneradas.

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Terceira Revolução Industrial

Funcionários de fábrica de tecnologia, em 2015
A ascensão da automação e da tecnologia da informação na Terceira Revolução Industrial revolucionou os processos industriais (Wikimedia Commons/Reprodução)

O cenário da Segunda Revolução Industrial se estendeu por um bom período. São cenas dela que vêm à mente quando pensamos no assunto. Uma nova revolução, no entanto, se iniciou na metade do século 20, a partir dos anos 1950. O cenário já era muito distante daquele das primeiras fábricas do século 18: a legislação trabalhista, as linhas de produção fordistas, o uso de fontes de energias, as máquinas cada vez mais modernas e os adventos dos meios de comunicação já faziam parte da rotina da maioria das fábricas. Mas uma nova ferramenta iria mudar tudo novamente. Estamos falando dela: a tecnologia da informação.

A Terceira Revolução Industrial foi marcada justamente pela introdução da informática – tanto é que também é conhecida como Revolução Digital. Termos como microeletrônica, telecomunicação e química fina se espalharam pelo mercado, ao passo que a automação das máquinas gradualmente substituiu alguns cargos operários. A emergência de profissionais com alta especialização influenciaram o desenvolvimento do mercado acadêmico, com profissões como desenvolvedor de software pipocando na indústria.

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A mudança na classe operária foi tanta que, no Japão – já prevendo um possível colapso –, um novo tipo de linha de produção foi criado: o toyotismo. Na contramão do fordismo, introduzia um método de produção mais flexível e diversificado. Ao invés de fabricar enormes quantidades do mesmo modelo, focava na produção de séries menores de uma grande variedade. 

A Revolução Digital mudou não somente o mercado, mas também o próprio estilo de vida das sociedades mais ricas. Novos meios de transporte, ferramentas de comunicação e aparelhos domésticos mudaram radicalmente a vida humana. Nos Estados Unidos, verdadeiros polos, como o Vale do Silício, se impulsionavam com o fim da Segunda Guerra Mundial e a eclosão da Guerra Fria como grandes mecas da tecnologia. É lá que, nos anos 70, surgiam a Apple e a Microsoft.

Com a chegada do século 21, o cenário das primeiras fábricas, no entanto, se tornara ainda mais distante. Se assemelhava agora a algo pré-histórico, presente somente nos livros de História. Há quem diga, que atualmente vive-se uma quarta, ou até mesmo quinta, revolução industrial, com a automação e a gerência de dados moldando a nova indústria.

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