logo-ge

Saiba mais sobre as gueixas e entenda por que elas foram confundidas com prostitutas

Nós conhecemos muito pouco da cultura oriental. E esse pouco ainda pode ser bem distorcido, como no caso da atividade das gueixas. Ao contrário do que muitos pensam, não é certo confundi-las com prostitutas de luxo. Elas foram mulheres da sociedade japonesa dedicadas às artes (“gueixa” em japonês significa artista) e à manutenção das tradições do Japão. Aliás, ainda são. Existem atualmente entre mil e duas mil gueixas, número bem menor do que no auge da atividade, no século XIX, quando havia mais de 25 mil profissionais desse ramo.

Muitas gueixas iniciavam seus estudos ainda crianças no Japão. Hoje o trabalho infantil é proibido (Imagem: Wikimedia Commons)

Muitas gueixas iniciavam seus estudos ainda crianças no Japão. Hoje o trabalho infantil é proibido (Imagem: Wikimedia Commons)

O sexo nunca foi uma das atribuições fundamentais das gueixas (muito menos obrigatório). Cultas e bem educadas, elas prestavam serviços para os homens que podiam pagar por sua companhia para entretê-los. Durante esses encontros, elas colocavam em prática os longos anos de treinamento (não era fácil se tornar uma). Tocavam instrumentos musicais, sabiam conversar sobre os mais diversos tópicos, recitavam poesia ou dançavam. Hoje elas são convidadas para festas, eventos com turistas e apresentações em feiras.

Só que a linha entre essas atividades se tornava bem tênue quando o assunto era sexo… Ainda é um grande tabu falar em prostituição nessa área. De fato, a atividade sexual podia ocorrer algumas vezes, como durante o mizuage, um ritual em que jovens gueixas perdiam a virgindade aos 20 anos com homens que pagavam para ter o “privilégio”. Felizmente essa prática foi abolida formalmente em 1959.

Foi no pós-Segunda Guerra Mundial, com a ocupação aliada no Japão, que a imagem de gueixas como prostitutas foi fortalecida na cabeça dos ocidentais. As “Geisha Girls” foram prostitutas que se vestiam parecidas com as gueixas tradicionais para atrair os soldados norte-americanos. Os estrangeiros, que não conheciam a cultura japonesa, não sabiam diferenciá-las das tradicionais artistas.

Nessa reportagem da Aventuras na História, dá para conferir a trajetória da famosa Kiharu Nakamura, que morreu aos 90 anos em 2004, e se considerava a última gueixa, depois da ocidentalização do país e da derrocada da tradicional atividade. A questão da prostituição também é abordada com mais detalhes! Boa leitura!