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Unicamp: 2º dia tem questões ambíguas

História e geografia foram provas difíceis e bem formuladas, com exceção de duas questões, dizem professores

Por Redação Atualizado em 16 Maio 2017, 13h43 - Publicado em 11 jan 2010, 19h40

por Fábio Brandt

"Em termos gerais, foi uma prova boa, bem feita e difícil", disse o professor José Carlos Pires de Moura, do Anglo Vestibulares, sobre a prova de história da segunda fase da Unicamp, aplicada hoje, 11 de janeiro. A questão 17, no entanto, surpreendeu o professor porque "prejudicou o bom aluno". A questão pedia uma comparação entre condições geográficas que afetavam o tráfico de escravos e as condições vividas pelos bandeirantes paulistas, mas sugeria relações inexistentes entre os dois períodos, justifica Moura, que tem sua opinião endossada pelo professor Daily de Matos Oliveira, do cursinho Objetivo.

– Acesse as provas do vestibular da Unicamp

Seguindo críticas feitas às provas de português e biologia, aplicadas ontem, Matos também considerou o tempo de prova do segundo dia escasso. "Eram 12 perguntas [de história] cada uma com dois itens, o que na realidade dá 24 questões. Tudo bem que o item "a" de todas as questões não oferece muita dificuldade, é só interpretação do texto e muitas vezes paráfrase. O problema é quando vai pro item ‘b’", explicita o professor.

A prova de química também foi difícil e abrangente, considera o professor Alessandro Nery, do Objetivo, que lembrou: "Essa prova é pra todas as carreiras. Quem presta filosofia e quem presta medicina, faz a mesma prova".

Confira análise das provas aplicadas pela Unicamp na segunda fase do vestibular 2010:

HISTÓRIA
Das 12 questões, sete abordaram história geral, informa Lucas Kodama, que ensina a disciplina no Anglo Vestibulares, acrescentando que todos os períodos foram lembrados: história antiga, média, moderna e contemporânea. "Como é de praxe na Unicamp, a prova de história tem muita interpretação de texto", destaca o professor. Outra marca da universidade campinense que foi mantida é a cobrança de temas culturais. "Foi pedido o papel da mulher na sociedade medieval e a relação cultural entre cristãos e muçulmanos na Idade Média", exemplifica Kodama.

As cinco questões de história do Brasil, por outro lado, apresentaram mudanças com relação aos anos anteriores. "A distribuição por assuntos está diferente. Antes, privilegiava o período republicano, agora foi mais o período colonial. Isso não é crítica, porque os dois estão no programa", afirma José Carlos Pires de Moura, professor de história do Anglo.

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Para o professor, a questão 17 foi polêmica. O item "b", diz Moura, pedia comparação entre as condições de navegação dos traficantes de escravos da época colonial e as bandeiras paulistas. "Não tem relação. Isso prejudica o bom candidato. O mau aluno nem percebe que tem esse problema", explica. Daily de Matos Oliveira, professor de história do Objetivo, concorda: "para o aluno que vai no senso comum, vai rápido. Mas o aluno que tem mais conhecimentos fica com dúvidas".

QUÍMICA
Foi uma prova difícil e trabalhosa, avalia Alessandro Nery, professor de química do Objetivo. "Todos os enunciados mencionam trechos da revista Fapesp e exigiam interpretação do aluno", justifica o professor. Os temas e os conceitos químicos cobrados pelo exame foram variados: carbono, biodiesel, células de combustível, deslocamento de equilíbrio, reação ácido-base, isomeria e outros. "São temas que mostram como o que o aluno vê em sala de aula se relaciona à atualidade", elogia o professor.

– Veja como estudar química no dia a dia

O item "b" da questão 4, destaca Nery, foi ambíguo. A questão pede o nome do resíduo formado pela reação entre o vidro e o ar, num ambiente rico em CO2. "Podia formar o carbonato de sódio, mas se a quantidade de CO2 for muito grande, seria bicarbonato de sódio. O aluno podia ficar em dúvida", detalha o professor.

PRIMEIRO DIA
A segunda fase da Unicamp possui oito provas dissertativas, cada uma com 12 questões. As duas primeiras provas (português e biologia) foram aplicadas no domingo, 10 de janeiro. A prova de biologia, "foi muito exigente" e "só quem sabia muita biologia conseguiu responder a todas as questões", avalia Armênio Uzuniam, professor da disciplina no Anglo Vestibulares.

O conteúdo das questões não surpreendeu, afirma o professor, argumentando que foram cobrados temas tradicionais, como citologia, genética, zoologia, botânica e ecologia. O obstáculo, "mesmo para os alunos mais bem preparados", foi o tempo. "Teve dois itens por questão, foi muito abrangente e demandava muito conhecimento. Pedia respostas objetivas, mas tinha que ter muito conhecimento para respondê-las", reforça Uzuniam.

A prova de português também não surpreendeu. "Ela confirma a tendência que a Unicamp tem há muito tempo. Uma prova que destaca a habilidade de interpretar texto, com a particularidade de cobrar a capacidade de identificar e comentar os recursos linguísticos responsáveis pela formação do sentido do texto", analisa Eduardo Antonio Lopes, professor de texto e gramática do Anglo.

Apesar disso, a Unicamp empobreceu a prova usando menos variedade de textos neste ano, opina o professor. "A prova sempre teve preocupação de variar bastante os gêneros, usando fragmentos literários, poesia, até texto jurídico e científico. Ontem, das seis questões de gramática e texto, três eram publicidade e outras três, tirinha", expõe Lopes.

PRÓXIMAS PROVAS
A segunda fase da Unicamp continua amanhã, dia 12, com as provas de física e de geografia e, na quarta-feira, dia 13, com as de matemática e de inglês. Neste ano, o vestibular da Unicamp seleciona estudantes para 3.444 vagas em 66 cursos da própria Unicamp e mais dois cursos da Famerp (Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto). Inscreveram-se no concurso 55.484 candidatos, sendo que 14.706 passaram para a segunda fase.

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