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Unicamp começa segunda fase no domingo; conheça a prova de literatura

Segundo professor, na prova da Unicamp é importante que o candidato saiba bem o enredo de cada livro. Confira resumos das obras

Por Redação Atualizado em 16 Maio 2017, 13h43 - Publicado em 7 jan 2010, 16h46

por Morena Madureira

Neste domingo, dia 10, começa a maratona de provas da segunda etapa do vestibular 2010 da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Os exames, dissertativos, serão os mesmos para todos os candidatos aprovados na primeira fase e contarão com 12 questões por disciplina.

Na prova de língua portuguesa, que acontece no primeiro dos quatro dias de exames, serão cobradas seis perguntas de literatura. “Nos últimos anos, todas as questões têm sido em cima da lista de livros obrigatórios”, relata o professor de português do curso pré-vestibular do Anglo, Eduardo Calbucci.

Os nove títulos selecionados são os mesmos cobrados na Fuvest. No entanto, segundo Calbucci, as duas universidades costumam abordar os livros de maneira distinta. “A principal diferença é que a Unicamp não tem a tendência de fazer comparações entre as obras, como a Fuvest faz. Cada uma das questões é baseada em uma obra só”, explica. Em vez de pedir paralelos entre os livros da lista, continua o professor, a Unicamp costuma elaborar perguntas que relacionam as obras obrigatórias com outros textos apresentados no momento da prova. Por conta dessa peculiaridade, alguns dos nove livros acabam ficando de fora, visto que são apenas seis questões.

Outra particularidade da prova da Unicamp, de acordo com Calbucci, é que, diferentemente da Fuvest, que exige análise em suas perguntas, as questões pendem mais para a verificação de leitura e demandam que os candidatos tenham de fato lido as obras e se lembrem de detalhes do enredo das mesmas. Por conta disso, é importante que os vestibulandos dêem uma relembrada nas tramas e características de todos os títulos nesses dias que antecedem o exame.

Confira abaixo um breve resumo de todas as obras obrigatórias do vestibular 2010 da Unicamp.

AUTO DA BARCA DO INFERNO

Esteticamente, o Auto da Barca do Inferno, de Gil Vicente, é uma peça teatral do humanismo português, uma obra do período de transição entre a cultura medieval e a renascentista e carrega elementos dos dois períodos. Entre as características medievais estão as referências religiosas e a estrutura do texto em versos. Já o antropocentrismo e as questões da sociedade humana, os tipos, são do Renascimento.

– Saiba mais sobre a biografia de Gil Vicente


– Conheça os personagens de Auto da Barca do Inferno

MEMÓRIAS DE UM SARGENTO DE MILÍCIAS

Memórias de um Sargento de Milícias (1854), de Manuel Antônio de Almeida, tem como personagem principal um típico malandro carioca, Leonardinho. Um ponto importante sobre o livro e o personagem é entender como eles destoam de seu próprio estilo literário, o romantismo. O herói, por exemplo, é substituído pelo anti-herói.

Leonardinho vive de subterfúgios, não trabalha, nem tem família constituída normalmente. Seus pais, Leonardo-Pataca e Maria-da-Hortaliça, se conhecem durante uma viagem de navio entre Portugal e o Brasil. Quando chegam, a gravidez de Maria é descoberta e os dois vão viver juntos. Anos depois, ela foge para Lisboa com um capitão de navio e o pai entrega Leonardinho para o tio criar. A partir daí o garoto começa uma vida errante e em seu caminho encontra muitas vezes outro personagem importante do livro, o Major Vidigal, um representante da lei apresentado de forma caricata.

– Confira a análise de Memórias de um Sargento de Milícias

– Conheça mais sobre os personagens de Manuel Antônio de Almeida


IRACEMA

Iracema (1865), de José de Alencar , é uma obra tipicamente romântica e foi escrita para representar a origem da raça brasileira. Ao contrário de Memórias de um Sargento de Milícias, que tem um anti-herói vagabundo, Iracema possui um típico herói romântico, o europeu Martim, que mistura sentimentos e valores nobres, e uma heroína, a índia Iracema, que coloca o amor acima de todas as coisas. O filho dos protagonistas, Moacir, representa a raça brasileira. O livro é permeado de simbologias. Martim, o branco, significa a cultura. Iracema, a índia, significa o amor pela terra. E dessa mistura nasce a raça brasileira.

Outra união presente no texto de Alencar é a da prosa com a poesia, formando a “prosa poética”, que se caracteriza por elementos mais próximos do poema, como ritmo e criação de imagens sugestivas, com metáforas.

– Confira trechos comentados do livro

– Conheça a biografia de José de Alencar


DOM CASMURRO

O principal aspecto de Dom Casmurro (1899), de Machado de Assis, é que o livro permite ao leitor fazer diferentes leituras. A obra é narrada por Bento Santiago, o Bentinho, que conta a história de sua vida focando-se no período dos 15 aos 30 anos. Ele recorda o momento em que abandona o seminário para viver com sua amada, Capitu, e de quando se separa por acreditar ter sido traído. O protagonista conta a história para entender o que o fez perder a crença nas pessoas e porque se tornou amargurado. E conclui que foi traído por sua esposa e pelo melhor amigo, Escobar. No entanto, a conclusão pode ser questionada, pois o texto não dá elementos para comprovar a traição.

Assim como Memórias de um Sargento de Milícias é uma obra romântica excêntrica (por ter um anti-herói como protagonista, oposto ao ideal do romantismo) e destoa do realismo convencional, estética predominante na obra de Machado.

– Confira análise de Dom Casmurro

– Saiba mais sobre os personagens de Machado de Assis

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O CORTIÇO

O Cortiço (1890), de Aluísio Azevedo, é uma obra símbolo do naturalismo brasileiro e sintetiza dois aspectos do estilo literário: a sexualização e a animalização. A história se passa no Rio de Janeiro, no fim do século 19, quando a cidade passava por um processo de urbanização que não estendeu seus benefícios aos menos favorecidos.

Os personagens mais importantes do livro são João Romão e Jerônimo. Romão é o dono do cortiço. Explorando seus inquilinos, ele muda de classe social, abandona sua amante e se casa com uma moça rica. Jerônimo é um português que emigra para o Brasil para trabalhar e melhorar de vida, mas passa por transformações radicais. Trai a esposa com Rita Baiana, começa a beber e a reclamar do trabalho. Para ficar com Rita, mata o namorado dela, Firmo, coroando sua degradação.

– Confira trechos comentados do livro de Aluísio Azevedo

– Leia análise de O Cortiço

A CIDADE E AS SERRAS

A Cidade e as Serras (1901), de Eça de Queirós, aponta problemas da vida urbana, fala do jogo de aparências, da infelicidade e de outros temas da cidade. O livro é classificado como do período realista. O narrador, José Fernandes, conta a história de seu amigo Jacinto, que vivia infeliz em Paris (apesar de rodeado por riqueza e desenvolvimento). Em dado momento, ele larga tudo e se muda para uma região provinciana de Portugal, onde reencontra sua vitalidade. Essa transição marca o contraponto entre a cidade e as serras.

A ironia, característica marcante de Eça de Queirós, também está presente nesta obra. O livro inova ao utilizar recursos linguísticos destoantes da cena realista, como o expressionismo e impressionismo empregados para descrever a deformação moral dos habitantes da cidade e o ambiente das serras, apontando para a intenção do autor de mostrar a superioridade das segunda sobre a primeira.

– Confira análise de A Cidade e as Serras

– Conheça os personagens de Eça de Queirós

VIDAS SECAS

Em Vidas Secas (1938), Graciliano Ramos deixa claro que as condições naturais desfavoráveis não são as únicas culpadas pela miséria humana. O livro é característico do neorealismo nordestino dos anos 30 e sua trama gira em torno de uma família que migra de tempos em tempos para fugir da seca. Ela é composta por Fabiano, sua esposa Vitória, seus filhos e a cachorra Baleia. São os personagens secundários, no entanto, que destacam a principal ideia do livro: apesar de serem vítima da seca, as mazelas da família também têm origem na sociedade. O patrão de Fabiano representa a repressão política. O soldado amarelo, por sua vez, assume o papel da repressão das instituições.

A linguagem usada por Graciliano nesta obra associa-se à seca através de um estilo direto, que diz muito com poucas palavras. Além disso, o narrador precisa buscar os pensamentos dentro dos personagens, já que não exteriorizam o que pensam, nem o que sentem. Assim, Graciliano apresenta uma reflexão que vai além da questão social: trata dos aspectos psicológicos da opressão social.

– Confira análise de Vidas Secas

– Conheça a biografia de Graciliano Ramos

CAPITÃES DA AREIA

Capitães da Areia foi publicado por Jorge Amado em 1937 e narra a história de um grupo de garotos de rua que se unem para assaltar pessoas e residências em Salvador. A visão do autor, no entanto, é piedosa, destacando que os meninos cometem os crimes porque são abandonados e retratando as causas dessa condição.

O livro é protagonizado por Pedro Bala, líder do grupo de garotos, e conta com outros personagens importantes, como Dora – amada de Pedro, que morre muito doente e o abala – e o padre José Pedro, que tenta levar os meninos para o caminho do bem e, apesar de não conseguir, é quem os trata melhor.

– Confira análise de Capitães da Areia

– Saiba mais sobre os personagens de Jorge Amado

ANTOLOGIA POÉTICA

A edição da Antologia Poética de Vinícius de Moraes exigida pela Unicamp (2ª edição, revista e ampliada, publicada originalmente em 1960) apresenta um texto em que o próprio Vinícius divide sua obra em duas fases, cuja distinção é importante para o vestibular.

A primeira fase aborda temas espirituais, o medo de pecar e das consequências do pecado. Na segunda fase, o poeta demonstra mais liberalidade, convívio com o amor, com o sexo e com a sociedade. O estilo do escritor em cada fase também é distinto. Na primeira, ele empregava termos sérios e eruditos com versos longos. Na segunda ele prefere o coloquialismo, o humor e versos curtos.

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