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Ficou de fora do Fies? Veja dicas para contratar um financiamento privado de forma segura

Sindicatos estudam parcerias com instituições de crédito para oferecer taxas de juros mais baixas aos estudantes

Desde janeiro deste ano, muitos estudantes estão tendo dores de cabeça com o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), do governo federal. Depois das mudanças divulgadas no fim de 2014, está mais difícil financiar um curso superior e quem ficou de fora do programa terá que procurar outras saídas para continuar estudando. Uma delas é o crédito estudantil privado. O problema é: nenhum outro financiamento tem taxas de juros anuais tão baixas como a do Fies (3,4% ao ano). Para não se enterrar em dívidas, é preciso tomar alguns cuidados e, por isso, o GUIA DO ESTUDANTE conversou com um consultor financeiro que dá dicas de como agir de forma segura.

– Veja quais foram as novas regras que entraram em vigor no Fies em 2015

O primeiro passo

A primeira coisa que você deve fazer é avaliar se o financiamento é a melhor solução para o seu problema. O consultor financeiro Erasmo Vieira orienta que o crédito privado deve ser uma das últimas alternativas a se buscar. “Tudo que é financiado tem juros e os juros irão elevar o preço do valor final pago no financiamento estudantil”, explica o consultor. Antes de recorrer ao banco, veja se você já tentou essas outras saídas:

– Já conversou com a faculdade sobre a possibilidade de conseguir uma bolsa?
– Se é você quem paga suas próprias despesas: há a chance de conseguir uma promoção no seu emprego ou de procurar outra colocação que eleve o seu salário?
– Se são seus pais: o orçamento familiar pode ser reorganizado para encaixar as mensalidades da faculdade? Dá para cortar alguma despesa supérflua?

É importante tentar outras soluções porque financiar uma faculdade é coisa séria. A dívida poderá acompanha-lo por longos anos depois de formado e, como aponta Vieira, nem sempre um diploma em curso superior é sinônimo de salário polpudo imediato: “A universidade melhora a empregabilidade, mas não garante o emprego para você ter a renda e quitar a dívida no futuro. Às vezes o jovem até poderia pagar o curso, mas ele prefere jogar a dívida mais para frente porque quer aproveitar a vida, ir para balada, comprar um carro… Mas uma hora ele vai ter que pagar e com juros”, alerta.

Pesquise bem antes de fechar contrato

Para quem não tem outra saída, o crédito estudantil é melhor do que os demais tipos de crédito, como o cheque especial e os empréstimos bancários tradicionais, chamados de CDC (Crédito Direto ao Consumidor). As taxas de juros são menores e o prazo para pagar a dívida pode ser negociado.

Muitas universidades mantêm convênios com instituições financeiras que oferecem condições melhores aos alunos. Vale a pena conhecer esses planos. Mas fique atento! Apesar da promessa de taxas menores, o recomendado é que você compare esses pacotes com outras fontes de financiamento.

Até o segundo semestre, a Federação Nacional das Escolas Particulares (FENEP) espera fechar acordos com algumas entidades financeiras do Brasil para oferecer financiamentos acessíveis aos estudantes. “A verdade é que estamos estimulando o setor [privado] a sair do Fies. Depois desse trauma que estamos passando desde janeiro, achamos que não valia a pena. Vamos reduzir ao mínimo o número de vagas [pelo Fies], mas apresentando outras opções aos alunos”, explica Amábile Pacios, presidente da FENEP. Estão participando da conversa, além dos sindicatos que representam as faculdades particulares, instituições financeiras como a Ideal Invest S/A, responsável pelo crédito universitário PRAVALER, a Federação Brasileiras de Bancos (FEBRABAN) e o Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil (SICOOB).

De olho no orçamento

“O principal cuidado é avaliar se a prestação cabe no orçamento sem estresse”, aconselha Erasmo Vieira. Com o Fies, o estudante só paga depois de formado, mas em muitos planos de financiamento privado é necessário pagar uma “mensalidade” ao banco logo no primeiro mês de contrato. Por isso, é importante pesquisar em diversas instituições financeiras antes de fechar o contrato. “Oriento para que o estudante financie o mínimo possível no menor prazo, desde que a prestação caiba no seu orçamento”, diz o especialista.

Não existem fórmulas mágicas para saber quanto você pode gastar por mês com o financiamento, segundo Vieira. É preciso botar no papel todas as despesas fixas que não podem ser cortadas e avaliar o que pode ser economizado para pagar as parcelas do valor negociado. “Vejo pessoas que estão ficando inadimplentes porque não fazem planejamento e, mesmo não cabendo no orçamento, colocam [o financiamento] forçadamente”, revela o consultor.

Além disso, é preciso contar com imprevistos. Vale a pena guardar em uma poupança pelo menos um pouquinho por mês, caso você perca o emprego ou fique doente. A boa notícia é que, se você não conseguir pagar as parcelas do empréstimo, não precisará largar a faculdade. “No financiamento, a instituição financeira garante o pagamento do período combinado à universidade e a pessoa pode se formar e receber o diploma. Se não pagar, ficará endividada com o banco e não com a faculdade”, explica Vieira. Em todo caso, é importante checar essa garantia na hora de assinar o contrato.

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