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Além de Freud: conheça os principais tipos de terapia

Se você pensa que "terapia não é pra você", calma. Existem várias abordagens

Por Giulia Gianolla Atualizado em 14 Maio 2021, 19h42 - Publicado em 15 Maio 2021, 00h01

Em tempos de isolamento social e pandemia, os cuidados com a saúde mental estão ainda mais em evidência. Novos sentimentos apareceram pela primeira vez para muitos jovens: luto, medo, falta de sociabilidade. Essas sensações, apesar de inevitáveis, podem ser menos dolorosas com a ajuda de um terapeuta ou psicólogo.

Andrés Antúnez, coordenador do escritório de saúde mental da Pró-Reitoria de Graduação da Universidade de São Paulo (USP), explica que, para pessoas que passam por momentos difíceis, a psicoterapia pode ser fundamental. “A psicoterapia pode ser um recomeço para uma vida em que os aspectos positivos prevaleçam sobre os negativos ou uma ajuda para quem passou por vivências negativas e violentas”, diz.

Em época de vestibular,  o jovem que faz terapia tem a oportunidade de conversar com alguém que não o conhece e, portanto, procura conhecê-lo sem julgamentos, preconceitos ou moralismos. Antúnez explica que um profissional especializado está mais acostumado a lidar com a complexidade de um jovem no fim do ensino médio, por exemplo. Assim, fica mais fácil contornar períodos de dificuldade, medo, angústia ou dúvida.

Mas existe só um tipo de terapia?

Mesmo para os que já foram a alguma sessão e não se sentiram confortáveis ou que não viram efeito, ainda há esperança – e muita. Existem diferentes tipos de terapia com abordagens adequadas para cada pessoa. Conheça as principais terapias:

1 – Psicanálise

Sigmund Freud (1856 - 1939). Médico neurologista, psiquiatra criador da psicanálise.
Sigmund Freud (1856 – 1939). Médico neurologista, psiquiatra criador da psicanálise. Pinterest/Divulgação

Entre os tipos de psicoterapia, essa é a mais conhecida e estudada. Dentro dela, existem algumas vertentes, mas todas se baseiam no trabalho de Sigmund Freud, médico austríaco. Ele foi o primeiro a abordar a importância do estudo do inconsciente, dos sonhos,  pesadelos e desejos reprimidos.

Basicamente, a psicanálise se propõe a entender os motivos “escondidos” das nossas ações e reações. Nas consultas, o objetivo é estabelecer uma relação entre a vida do paciente e o que se passa no seu inconsciente. Isso acontece pela conversa, respondendo a perguntas, ou por meio da análise de sonhos. Estes seriam um espelho do que o nosso inconsciente expressa sobre determinada situação, muitas vezes revelando algum trauma perdido no passado.

 2 – Junguiana

Carl Jung (1875 - 1961) desenvolveu a análise dos sonhos
Carl Jung (1875 – 1961) desenvolveu a análise dos sonhos. Pinterest/Divulgação

Carl Jung foi um dos discípulos de Freud, o que significa que as linhas interpretativas dessa vertente se assemelham muito à anterior. Nessa linha, o foco das sessões e conversas são os sonhos. Por meio deles, o psicólogo tenta encontrar os significados e respostas representadas durante o sono do paciente. 

Para Jung, é importante analisar o inconsciente não só como uma junção do nosso próprio passado, mas também da história coletiva. Na linha de interpretação desse tipo de terapia, o analista tenta identificar padrões e indicá-los ao paciente para que a autoanálise seja mais efetiva.

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  • 3 – Lacaniana

    Jacques Lacan
    Jacques Lacan (1901 – 1981) acreditava que a linguística oferecia novos instrumentos para a compreensão das ideias de Freud. Superinteressante/Divulgação

    Mais uma das “filhas” da psicanálise, a terapia baseada em Jacques Lacan se consiste na análise do inconsciente. Mas há uma diferença: a interpretação lacaniana leva em consideração também os ‘atos falhos’ na fala, nas ações, nos trejeitos. Isso significa que, caso você confunda nomes durante uma sessão, o terapeuta vai buscar explicações inconscientes para isso.

    Justamente por isso, é recomendada para aqueles que sentem muita dificuldade de externalizar seus sentimentos, colocar em palavras o que está pensando. Geralmente, o psicanalista lacaniano identifica, em sessões preliminares, se esse é o tratamento ideal para o paciente ou não – caso não, se recomendam outros tipos de terapia. Isso porque o tratamento lacaniano costuma ser demorado e muito gradual, o que faz com que não seja indicada para quem busca soluções rápidas.

    4 – Psicoterapia cognitivo-comportamental

    Burrhus Frederic Skinner, conhecido como B. F. Skinner (1904 - 1990). Psicólogo behaviorista, inventor e filósofo americano
    Burrhus Frederic Skinner, conhecido como B. F. Skinner (1904 – 1990). Psicólogo behaviorista, inventor e filósofo americano Pinterest/Divulgação

    “Atualmente, a psicoterapia cognitivo-comportamental é a que mais tem se desenvolvido a partir de critérios de evidências científicas e boas práticas”, diz Andrés. A psicoterapia comportamental, como conta o professor, é uma vertente bastante usada nos dias atuais e tem dentre seus precursores o psicólogo americano B. F. Skinner, adepto do behaviorismo. Ela se propõe a entender como o ser humano interpreta os acontecimentos ao seu redor.

    Esse tratamento costuma ter mais objetividade do que a psicanálise. As sessões costumam ter um foco, um problema identificado – seja ele uma relação problemática, um vício, um comportamento indesejado. Por isso, tende a ser adequado para pessoas que se consideram mais pragmáticas, que preferem encontrar respostas mais literais do que a interpretação de sonhos, por exemplo. Outro caso adequado para essa linha são pessoas com transtorno obsessivo-compulsivo, vício, depressão ou transtornos alimentares.

    5 – Psicoterapia Fenomenológica

    Edmund Gustav Albrecht Husserl (1859 - 1938). Matemático e filósofo alemão que estabeleceu a escola da fenomenologia.
    Edmund Gustav Albrecht Husserl (1859 – 1938). Matemático e filósofo alemão que estabeleceu a escola da fenomenologia. Pinterest/Divulgação

    A psicoterapia fenomenológica tem suas premissas baseadas na obra de Edmund Husserl, matemático e filósofo alemão, misturada a conceitos da psicologia. Ela tem uma perspectiva mais humanista, baseada em reflexões profundas de várias escolas fenomenológicas que se desenvolveram na filosofia.

    Nessa vertente, o sucesso no tratamento é centrado no paciente e na sua transformação pessoal e auto-realização. Andrés recomenda esse tipo de terapia para pessoas em busca de “refletir e entender o sentido de sua existência”.

    Existem outras vertentes semelhantes a ela, como a Gestalt-terapia e a abordagem existencial. O objetivo delas é capacitar o paciente para que ele consiga ter uma visão mais holística de si mesmo. Ou seja, que ao analisar sua mente, possa entender os efeitos de seu próprio corpo, da família, amigos, clima… Como uma visão do todo, não apenas de si mesmo

    E se eu não posso pagar um terapeuta particular?

    “Infelizmente as psicoterapias são modalidades de cuidado psicológico muito custosas para a população geral”, conta Antúnez. No entanto, existe a possibilidade de encontrar atendimento psicológico em universidades que tenham o curso de formação em psicologia. “Em qualquer universidade pública ou privada com o curso, há o atendimento de forma gratuita ou por preços acessíveis, bem como em escolas particulares de formação e especialização ou aprimoramento após a graduação”. É uma saída para quem busca ajuda, mas não tem meios para custear sessões de terapia especializadas.

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