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É tarde para mudar de profissão?

Orientador profissional esclarece

Fiz faculdade de Ciências Contábeis, pois antes de começar a estudar havia conseguido trabalho na área. Mas atualmente percebo que fiz essa escolha não por ser o que realmente gosto, mas sim porque me adaptei ao trabalho, e, como adquiri experiência, acabei continuando na área. Aliás, conversando com meus colegas de trabalho, me surpreendi em descobrir que a maioria deles também não gosta de trabalhar na área. Atualmente, não é fácil ingressar no mercado de trabalho, e muitas pessoas acabam indo parar em áreas em que conseguiram emprego, em detrimento do que elas realmente gostam. Será que já é tarde para mudar de profissão?
Enviado por Janneth

O roteiro que você seguiu para ingresso no curso de Ciências Contábeis é muito mais comum do que parece – veja que seus colegas parecem ter feito o mesmo que você, ou seja, realizar um curso superior que se adaptava a vínculos de trabalho que já exerciam.

Tal roteiro é mais frequente nas camadas da população com menor renda, que precisam providenciar o sustento antes de realizar a escolha profissional. De fato, muitas pessoas que assim fazem acabam por refletir mais adiante e identificam sua decepção com a carreira exercida.

Quanto a ser “tarde” para a mudança de profissão, pensemos. Por um lado, todo início encontrará obstáculos, como você bem indica conhecer: você terá que se submeter a salários iniciais provavelmente mais baixos na nova carreira; em determinado momento muito provavelmente você terá que reduzir sua remuneração, o que poderá causar certo impacto em sua vida pessoal e familiar.

Sabemos também que todo novo projeto costuma gerar certa insegurança: será que serei competente na nova carreira?

Por outro lado, pense que suas experiências profissional e de vida ajudarão a encontrar certos “atalhos” em um novo projeto, pois você já conhece a dinâmica do mundo do trabalho – diferentemente de jovens que ingressam no curso superior e só depois começam a trabalhar.

Você pode se preparar ao longo do tempo de estudo, construindo alguma reserva financeira para um eventual período de redução de rendimentos. Pense também que competências gerais desenvolvidas em sua atual profissão poderão significar um diferencial positivo na hora da seleção para uma vaga.

Ao lado destas e de outras ponderações, busque identificar a carreira que possa realmente sinalizar-lhe a satisfação que você diz não encontrar atualmente. Procure construir um projeto, um planejamento com etapas e alternativas diante de possíveis mudanças de “cenários” (por exemplo, pense que o mercado de trabalho sobre flutuações, que cursos de extensão e especialização contribuem para melhores chances etc.).

Por fim, verifique se você quer e pode assumir os riscos: esta é uma resposta individual – que você poderá compartilhar com as pessoas que eventualmente dependam de você. Feita a escolha – pela mudança ou não de carreira – encare-a com responsabilidade e coragem: construa ativamente seu futuro.