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Enem: 7 temas complexos já cobrados na redação

Que tal praticar para o exame com as propostas mais rebuscadas?

Por Julia Di Spagna Atualizado em 15 dez 2020, 14h47 - Publicado em 15 dez 2020, 11h28

Uma das maneiras mais eficazes de conseguir uma boa nota na prova de redação do Enem é treinando com as provas de anos anteriores. Dessa forma, é possível ir se habituando com o estilo das propostas, a estrutura do texto, o tipo de coletânea e alguns critérios de correção considerados pela banca. E em mais de 20 anos de Enem, alguns temas tiveram um nível de complexidade maior do que outros, seja pelo recorte, pela discussão ou pela forma como a proposta foi apresentada. 

  • Pensando nisso, Fabiula Neubern, coordenadora de Redação do Curso Poliedro de São José dos Campos, e Thiago Braga, professor e autor do Sistema de Ensino pH, ajudaram o GUIA a selecionar quais os temas mais complexos já cobrados no Enem. Veja abaixo quais são e por que eles levam essa fama.

    Dica: depois de ler as análises, baixe as provas aqui e tente fazer todas essas redações para treinar para o exame. 

    2019: “Democratização do acesso ao cinema no Brasil”

    Segundo Neubern, apesar de parecer fácil, o tema tornou-se complexo para alguns alunos por não conter, em sua frase temática, um problema evidente. Nos anos anteriores, palavras como manipulação (2018), violência (2015) e intolerância religiosa (2016) apontavam para os problemas que seriam analisados ao longo da dissertação produzida pelos candidatos. 

    “Em 2019, não havia uma palavra-problema na frase temática e isso representou uma dificuldade, pois era tarefa dos vestibulandos ‘problematizar’, ou seja, perceber que deveriam analisar o fato de o acesso ao cinema não ser democratizado no Brasil”, explica a coordenadora.

    2018: “Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet”

    Frase longa, não é? Esse é exatamente um dos motivos que tornou esse tema tão complexo na visão dos especialistas. 

    “Diferentemente de anos anteriores, a proposta apareceu mais longa, ou seja, com mais elementos-chave. Nesse sentido, os candidatos tiveram de manejar três ideias principais: manipulação + dados + internet”, diz Neubern. 

    Além disso, segundo Braga, muitos alunos acabaram se confundindo sobre o que seria essa “manipulação”. Em um ano em que se falou muito sobre Fake News, o tema da prova era, na verdade, sobre algoritmos e como eles interferem no que é apresentado para os usuários.

    2017: “Desafios para a formação educacional de surdos no Brasil”

    A Lei Brasileira de Inclusão (13.146) foi aprovada em julho de 2015 e, em 2017, estava entre os temas citados por professores de redação de todo o Brasil. Neubern explica que, por isso, muitos candidatos já tinham escrito algo a respeito, porém, não necessariamente com o recorte da formação educacional ou dos surdos. 

    Quando o tema de 2017 apareceu, os vestibulandos tiveram dificuldade para se posicionar sobre uma realidade que não lhes era próxima ou familiar.

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    Braga ressalta que o tema foi considerado difícil até pelos próprios especialistas em educação de surdos, devido às inúmeras especificidades da questão.

    2016: “Caminhos para combater a intolerância religiosa no Brasil”

    “Na época, esse tema foi considerado polêmico por envolver um aspecto religioso e denunciar a intolerância em relação às religiões de matriz africana, que é bastante negada por alguns grupos no Brasil”, diz Neubern. 

    Além disso, a coordenadora explica que, por trazer a palavra “caminhos”, alguns candidatos imaginaram que precisavam dissertar apenas sobre as “soluções” para o problema da intolerância e não se atentaram para o fato de que, antes de fazer isso, deveriam apresentar e analisar a existência do problema.

    2013: “Efeitos da implantação da Lei Seca no Brasil”

    Algo parecido com 2019 já havia acontecido em 2013, quando os candidatos precisaram analisar uma lei cujos efeitos eram positivos. Muitos tiveram a sensação de que não tinham nada a discutir ou mesmo como propor uma intervenção para o “problema”. 

    A prova, porém, também revelava que esses efeitos positivos ainda não eram suficientes para acabar com o problema que até hoje persiste no Brasil: a combinação álcool e direção.

    2012: “Movimento imigratório para o Brasil no século XXI”

    Braga explica que o tema foi difícil e, acima disso, inesperado, porque geralmente os candidatos estão acostumados a falar da emigração e da fuga de cérebros, mas o tema era justamente o contrário. 

    “O aluno precisou usar muitos conceitos da geografia e conhecimentos específicos para conseguir sustentar uma argumentação. Salvo engano, foi o tema do Enem que mais exigiu especificidades de uma outra disciplina e isso gerou dificuldade porque muitos não dominavam esse conteúdo”, diz o professor.

    2011: “Viver em rede no século XXI: os limites entre o público e o privado”

    A proposta falava sobre a internet e a ideia da proposta era discutir os limites entre aquilo que deveria ser público e que não poderia ser divulgado e difundido. Mas, em 2011, a questão da primavera árabe estava em alta e, segundo Braga, muitos estudantes, em vez de focar na questão da privacidade nas redes, acabaram levando a discussão para o campo das possibilidades políticas e sociais que a internet trazia. 

    “Isso gerou uma carga alta de tangência de tema, fazendo muitas notas ficarem abaixo do esperado”, afirma. 

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