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Músicas de Beyoncé para utilizar na redação

De críticas à indústria da beleza, passando pelo ressignificado de símbolos da cultura ocidental até o ativismo racial

Por Wender Starlles Atualizado em 23 set 2021, 15h57 - Publicado em 23 set 2021, 15h07

Beyoncé Knowles não é conhecida como Queen B por acaso. Além de ser uma das cantoras mais premiadas da história, em suas músicas e clipes é possível encontrar diversas mensagens sobre assuntos importantes da atualidade que podem ser utilizados durante a argumentação em uma redação.

GUIA selecionou cinco obras da artista que abordam temas relevantes. Veja:

Pretty Hurts (“A Beleza Machuca”, 2014)

Beyoncé critica os procedimentos estéticos
Beyoncé critica os procedimentos estéticos. Divulgação/Reprodução

A música é uma dura crítica à ditadura da beleza imposta às mulheres, que são estimuladas a todo o momento a atingir um padrão estético inalcançável.

No videoclipe, que se passa em um concurso de beleza, a cantora aparece sendo submetida a vários tratamentos estéticos, como a aplicação de botox e bronzeamento artificial para conseguir competir.

Além disso, são abordados assuntos relacionados aos sacrifícios que mulheres fazem por influência da indústria da beleza, como uso de remédios para inibir a fome e o desenvolvimento de distúrbios alimentares. “Essas são algumas coisas que jovens mulheres fazem, e isso é de partir o coração para mim”, contou Beyoncé no making of do clipe. Na letra, ela mostra que o perfeito não existe.

 

Freedom (“Liberdade”, 2016)

Canção foi utilizada na campanha do Dia Internacional da Menina.

Canção foi utilizada na campanha do Dia Internacional da Menina. Divulgação/Reprodução

Considerada um grito de liberdade dedicado a mulheres negras de diferentes gerações, a canção fala sobre como quebrar correntes e transformar situações negativas em positivas. 

No clipe, é possível observar como as raízes africanas foram mantidas por algumas comunidades nos EUA. Há diversas referências ao livro “Amada”, de Toni Morrison, a primeira escritora negra a ganhar um prêmio Nobel de Literatura em 1993. A obra é baseada em uma história real ambientada em 1873, e conta como o país começava a lidar com a recém abolição da escravatura.

Em 2017, Beyoncé divulgou a canção com novo clipe para o Dia Internacional da Menina, uma data para combater a exploração feminina. Em publicação feita em uma rede social, a artista escreveu: “As meninas ao redor do mundo lutam pela sua liberdade todos os dias”. Lançado em parceria com a organização The Global Goals, o vídeo mostra garotas de vários países dublando a música.

 

Formation (“Formação”, 2016)

Formation é considerada um dos hinos do movimento Black Lives Matter
Formation é considerada um dos hinos do movimento Black Lives Matter Divulgação/Reprodução

Retrata o empoderamento negro e propõe uma reflexão sobre a violência policial sofrida pela comunidade afro-americana. A canção é considerada um dos hinos do movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam, em português).

O videoclipe começa com uma frase dita pelo artista Messy Mya, vítima da violência policial aos 22 anos: “O que aconteceu em Nova Orleans?”. O trecho faz referência à passagem do furação Katrina na cidade em 2005. O desastre afetou principalmente a comunidade negra, que não recebeu o apoio do governo para a reconstrução do local.

Nos versos da canção, Beyoncé celebra os traços de beleza que costumam ser considerados feios pelos padrões estabelecidos na cultura ocidental. Ela exalta o seu nariz largo, como os do Jackson Five, grupo que Michael Jackson começou a carreira. Também se orgulha do cabelo no estilo afro da filha Blue Ivy. Em 2014, dois anos antes do lançamento da obra, pessoas fizeram uma petição na internet para que a cantora e seu marido “penteassem” o cabelo da menina.

Em uma das cenas mais polêmicas do clipe, uma criança negra aparece dançando em frente a uma fila de policiais. Na parede ao lado está escrito “pare de atirar em nós”. A menção faz referência ao slogan (“mãos pra cima, não atire”) do movimento que se popularizou nos EUA após o assassinato de Michael Brown por um policial branco em 2014. Os protestos deram origem à campanha Black Lives Matter.

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Mensagem de ''pare de atirar em nós'' aparece no clipe.
Mensagem de ”pare de atirar em nós” aparece no clipe. Divulgação/Reprodução

“Nós estamos cansados dos assassinatos de homens e mulheres jovens das nossas comunidades. Depende de nós tomarmos uma posição e exigir que eles parem de nos matar”, escreveu Beyoncé em uma carta publicada em seu site.

Após o lançamento do clipe, o programa Saturday Night Live fez um quadro satirizando as pessoas brancas conservadoras que ficaram desesperadas ao “descobrir” que a cantora era negra.

 

Apeshit (gíria racista que significa “furioso”, 2018)

Clipe foi gravado no Museu do Louvre.
Clipe foi gravado no Museu do Louvre. Divulgação/Reprodução

Gravada no Museu do Louvre, em Paris, a canção questiona como o protagonismo de personagens negros é retratado ao longo da história, sobretudo nas artes concebidas por artistas brancos.  

Lançada em parceria com o marido e rapper Jay-z, Beyoncé busca ressignificar diversos símbolos da cultura ocidental. A começar pelo próprio nome da música, uma gíria de conotação racista que tem sentido denotativo de “furioso e/ou selvagem”.

Em uma das cenas, o casal, vestido de branco, posiciona-se perante a estátua grega Vitória de Samotrácia ou Nike de Samotrácia (feita entre 220 e 190 a.c). De acordo com site do Louvre, ela glorifica o corpo feminino e está relacionada ao poder e à vitória — status atingido pela cantora.

Em outro momento, Beyoncé dança em frente a famosa estátua da deusa símbolo da beleza feminina e do amor: Vênus de Milo. Com roupas que se assemelham ao mármore, mas no tom de pele da cantora, ela simboliza o desmonte dos padrões estéticos centrados em pessoas brancas.

Os artistas subvertem as ideias criadas por uma sociedade racista e elitista ao colocar negros em lugares de luxo e posições de poder. Em entrevista para a Time, Kimberly Drew, curadora de arte e editora de mídia social do Museu Metropolitano de Arte de Nova York, falou da importância do clipe. “É super significativo especialmente para todos aqueles corpos de tons variados, estar no espaço do museu é realmente profundo”, afirmou.

Black is King (“Preto é Rei”, 2020)

'Black is King' propõe um resgate da cultura africana.
‘Black is King’ propõe um resgate da cultura africana. Divulgação/Reprodução

O mais recente álbum visual — músicas com vídeos ligados dentro de uma narrativa — exalta a ancestralidade e riquezas da África. Na obra, pode-se encontrar mensagens de empoderamento feminino, resgate de deuses de religiões africanas e valorização da autoestima de pessoas negras.

A partir das músicas, o longa tem o objetivo de recriar a história do filme O Rei Leão, lançado em 2019, ao acompanhar a jornada de um garoto negro que busca se reconectar ao seu passado.

No projeto, a artista celebra a estrutura matriarcal presente em diversas culturas africanas, costume esse que foi destruído com o início do tráfico negreiro para as Américas. Ela glorifica a beleza negra na faixa Brown Skin Girl (“Menina da Pele Morena”), que conta com a participação de sua mãe, filha, da modelo Naomi Campbell e da atriz Lupita Nyong’o.

Em momentos, Beyoncé enaltece divindades africanas, como Oxum, deusa da beleza, fertilidade, dinheiro e sensibilidade. Na canção Spirit (“Espírito”) os figurinos fazem essa referência.

Após o assassinato de George Floyd por um policial em maio de 2020, a canção Black Parade (“Parada Negra”), lançada poucas semanas depois do ocorrido, tornou-se outro hino dos protestos do Black Lives Matter. No clipe, a cantora altera as cores da bandeira dos EUA pelas utilizadas no movimento pan-africanismo, que busca a união dos vários países da África.

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