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Redação da Unicamp: o que você precisa saber sobre gêneros textuais

A Comvest não especifica os gêneros que podem ser cobrados, mas há dicas e práticas que te ajudam a estar preparado para os diferentes tipos de texto

Por Juliana Morales Atualizado em 5 fev 2021, 16h56 - Publicado em 3 fev 2021, 21h58

Os candidatos da segunda fase da Unicamp 2021 receberão duas propostas de redação, mas deverão produzir apenas uma na próxima segunda-feira (8). Diferente dos outros principais vestibulares, a Comvest não tem como padrão o texto dissertativo convencional, e ao longo dos anos, cobrou diferentes gêneros discursivos, de carta a roteiro de podcast. Diante de tantas possibilidades, o estudante pode ficar apreensivo. Por isso, é importante entender melhor sobre os gêneros e as características da prova em questão. Vamos lá!

Para começar, é preciso estar bem claro que a redação da Unicamp é uma avaliação de leitura e escrita. Ou seja, a universidade pretende selecionar alunos que tenham repertório de leitura. Não apenas que dominam os conteúdos lidos, mas que também sejam capazes de reconhecer e distinguir gêneros textuais.

O professor de redação da Oficina do Estudante Milton Costa fala da importância do estudante ter a habilidade de compreender a hibridização entre os gêneros. Ele exemplifica com o caso de uma carta aberta que não é, necessariamente, sempre um manifesto (a favor ou contra alguma coisa). A função dela pode ser a solicitação de algo. “E também podemos encontrar um manifesto que se expresse em forma de carta aberta ou não. Ele também pode se manifestar em forma de discurso, por exemplo”, acrescenta. O estudante, então, precisa considerar essas e outras variações.

Quais gêneros podem cair

O estudioso russo da linguagem Mikhail Bakhtin foi o primeiro a entender os gêneros como diferentes modalidades de texto que empregamos nas situações cotidianas de comunicação. Os tipos de texto são caracterizados pelo assunto, a estrutura, o estilo, a finalidade e também considerando como quem e para quem está sendo falado. 

A Unicamp pensa em propostas e tipos de texto em que o candidato consiga relacionar de uma forma mais próxima de seu cotidiano. No edital da Comvest não tem uma lista elencando todos os gêneros que podem ser cobrados, já que a banca considera que os diferentes tipos de textos já foram vistos pelos alunos durante o período escolar. 

Milton diz que para o aluno conseguir desenvolver um bom texto, tratando de qualquer gênero, ele precisa se colocar tanto no papel de autor como no de quem vai ler. Entender essa situação de produção ajuda, por exemplo, estabelecer a formalidade ou informalidade adequada ao texto, de acordo com relação do interlocutor com o leitor. 

Além disso, muitas propostas da Unicamp trazem instruções e comandos. O professor diz que é importante ficar atento às recomendações dadas na própria prova – principalmente, se for um tema que não seja tão comum, como resenha de uma fábula, cobrada em 2016. Nesses casos, Milton aconselha que o estudante “siga estritamente o que o enunciado está dizendo”.

Ao mesmo tempo, o aluno precisa considerar aspectos do gênero cobrado, ainda que não esteja explícito nas instruções. “Alguém já leu algum artigo que não tenha título? Então mesmo que a Unicamp não tenha recomendado claramente você deve colocar essa característica, que é tradicional do gênero”, afirma.

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Como é feita a avaliação da redação da Unicamp

Os primeiros critérios de avaliação das provas de redação da Unicamp são: a proposta temática, o gênero e a leitura dos textos da prova. E, por fim, as convenções da escrita e coesão a adequação à norma culta: recursos coesivos, as escolhas lexicais, sintáticas e a ortografia.

Quer entender melhor? Confira neste link a grade de redação que a Comvest disponibiliza

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Como se preparar

O professor Milton dá a dica para os estudantes estudarem nesses últimos dias que antecedem a prova: “Mergulhe nas páginas 2 e 3 dos principais jornais, você vai encontrar um número bem interessante de gêneros do discurso que a Unicamp gosta muito”. Ele diz que é essencial ter o contato com cartas, ensaios, artigos, editoriais, debates, reportagens, comentários sobre notícias, com registro mais ou menos formais.

  • Uma outra boa estratégia para entender melhor o estilo da Unicamp é olhar o que foi cobrado em anos anteriores, ainda mais porque a Comvest disponibiliza no site as provas comentadas. Na parte de redação, eles trazem as expectativas da banca diante das propostas, além de modelos de textos acima da média, de redações medianas e de uma que seria anulada. .

    Para facilitar, clicando no ano, você vê a respectiva correção comentada.

    2015: Uma das propostas era uma síntese a ser apresentada num grupo de estudos sobre a humanização do atendimento à saúde.  A outra era criar uma carta-convite direcionada à comunidade escolar para uma reunião com o intuito de discutir possíveis soluções para conflitos violentos na escola.

    2016: Nesse ano, as exigências de textos eram uma resenha sobre a fábula La Fontaine (contendo um resumo do texto e relação da obra com um problema social) e um texto de divulgação científica com base no texto “O induzir das emoções”, do neurocientista António Damásio. 

    2017: O candidato devia escrever uma carta sobre a relação entre o Brasil cordial e a presença de estrangeiros no país, para a seção do leitor de uma revista, respondendo o artigo “A volta de um Rio que faz sonhar”. Além de escrever o texto de apresentação de uma campanha de arrecadação de fundos para uma biblioteca.  

    2018: Primeiro, deveria ser feito um texto para uma palestra sobre fenômeno da pós-verdade, explicando o que é a pós-verdade e suas consequências. Na outra proposta, um artigo de opinião com o tema “Há limite para a liberdade de expressão?”.

    2019: A partir da apresentação de uma situação de doutrinação ideológica em sala de aula: uma professora de Filosofia sofria uma tentativa de censura após uma aula sobre direitos humanos, o candidato devia elaborar um abaixo-assinado a favor da educadora e contra a censura. O segundo texto era uma postagem em fórum acadêmico, defendendo o ponto de vista escolhido, a partir de uma análise de dados do Índice de Desenvolvimento Humano  (IDH) e do Produto Interno Bruto (PIB).

    2020: A primeira proposta de escrita foi a de um texto argumentativo para ser lido em voz alta em um podcast. Os candidatos deveriam convencer os seus ouvintes da importância da inter-relação da biodiversidade e sociodiversidade para o crescimento sustentável do Brasil. O outro tratava-se de um texto narrativo do gênero crônica. Nela, os estudantes deveriam narrar, em primeira pessoa, um episódio de micromachismo a partir de uma atitude daquelas listadas na matéria do El País transcrita na prova.

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