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O ensino da educação financeira e o impacto na vida das pessoas

O assunto é uma das apostas para o tema da redação do Enem e a adoção da disciplina nas escolas pode mudar a dinâmica financeira das famílias

Por Danilo Thomaz Atualizado em 12 nov 2021, 10h37 - Publicado em 9 nov 2021, 12h23

A educação financeira é parte da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) no Brasil desde 2017. Porém, apenas em 2020 passou a ser implantada nas escolas do ensino infantil e fundamental. Já no ensino médio os conteúdos relacionados ao assunto entrarão em vigor a partir de 2022, na grade do Novo Ensino Médio

Além disso, a educação financeira é uma grande aposta para o tema de redação do Enem 2021. Nas redes sociais, o Ministério da Educação realizou diversas publicações durante o ano dando destaque ao assunto.

Gabrielle Cavalin, coordenadora de redação do Poliedro, explica: “O brasileiro tem o hábito cultural de gastar mais do que poupar. E pouco conhecimento sobre taxa de juros, créditos, financiamento, endividamento. Todos esses pontos se devem à ausência da educação financeira. A BNCC provoca a necessidade do estudo para mudar a relação que a população adulta tem com o dinheiro”.

O Guia separou algumas ideias para ajudar você a entender melhor o assunto na vida e a se preparar caso o tema seja cobrado nos vestibulares e no Enem. 

De estudantes para estudantes

remuneração dinheiro salário
Segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o conceito de educação financeira é o processo que permite melhorar a compreensão em relação aos produtos e serviços financeiros, o que torna a pessoa capaz de fazer escolhas conscientes. eternalcreative/iStock

Para ajudar os adolescentes a entender não apenas a sua relação com o dinheiro – mas também com o mundo e como este sistema em que vivemos nasceu e se desenvolveu – os estudantes do colégio  2ª série do Ensino Médio do Colégio Marista Arquidiocesano, localizado em São Paulo (SP), criaram um projeto chamado Academia do Dinheiro

Por meio dele, são disponibilizadas apostilas de temas como inflação, consumo excessivo e endividamento. Um dos assuntos abordados é a obsolescência programada, ou seja, aquela atitude muito ligada à empresas de tecnologia que desenvolvem produtos que em pouco tempo se tornam ultrapassados, forçando o consumidor a comprar uma nova versão. São questões que podem gerar desperdício ou então um circuito de substituição e compra que é quase interminável. As apostilas podem ser acessadas por este link. 

Conhece-te a ti mesmo

A consultora Cássia D’Aquino é uma das pioneiras do tema no país e vem trabalhando junto a escolas, jovens e adultos do desde 1994. Segundo ela, para compreender e tirar o melhor proveito da educação financeira, primeiro é preciso ter um objetivo: “É fundamental que os adolescentes percebam o que querem da vida porque isso vai ajudar a lidar com o dinheiro. É importante que esses jovens se sintam estimulados a entender a relação de interdependência entre as coisas. É importante saber o que acontece na China, nos Estados Unidos e fazer exercícios de imaginação sobre como isso pode interferir na vida deles, por exemplo.”

Grande parte das pessoas passa por aquele momento em que precisa escolher uma profissão o que se traduz em cinco, seis, sete horas em frente a cadernos, livros, anotações, exercícios e provas passadas para conquistar o objetivo de ser aprovado no vestibular. Mas isso é só o começo.

CASSIA DE AQUINO/ CONSULTORA FINANCEIRA - ESPECIALISTA EM EDUCA‚AO FINANCEIRASAO PAULO - PRA‚A BUENOS AIRES18.08.2008FOTOS: DANIEL WAINSTEIN
Cassia D’Aquino é educadora financeira e atua em escolas e empresas Daniel Wainstein/Divulgação

“Os jovens precisam começar a pensar não só na faculdade, mas os próximos passos de sua vida adulta. O vestibular é importante, mas não é só essa aprovação que conta. A gente precisa se organizar para ter uma vida profissional. Tudo isso é educação financeira”, diz Cássia.

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Em países como os Estados Unidos é muito comum jovens e adolescentes terem trabalhos temporários em períodos de férias ou finais de semanas para terem seu próprio dinheiro. Essa é uma maneira de compreender o mundo do trabalho e até mesmo conhecer a si próprio e a seus talentos, continua Cássia. 

No Brasil, para algumas famílias das classes média e alta, ver filhos trabalhando cedo pode não ser bem visto. “É muito impressionante como ofende os pais a ideia de ter filhos adolescentes trabalhando, como se isso fosse um indicador de incompetência. O que é um absurdo porque inibe os jovens de irem tateando o mundo de modo que possam compreender o que querem e o que não querem. Os caras vão crescendo numa rotina absolutamente banal e chega no terceiro ano sem nenhuma experiência, sem ter nenhuma ideia do que vão encontrar [na vida adulta]. O ideal seria que esse jovem fosse amadurecendo aos poucos.”

E na redação?

A professora de Linguagens no Colégio Anglo Chácara Santo Antonio, Andréa Santos Neiva Godoy, trabalha a questão da educação financeira em sala com seus alunos. “O tema tem bastante relevância no momento em que estamos vivendo”, diz a professora. “A educação financeira é importante para uma boa qualidade de vida. Ela ajuda a organizar os rendimentos, planejar ações futuras.”

Segundo a professora, a temática pode ser abordada em redação por meio da questão do envelhecimento da população, por exemplo. “Em 2030, o Brasil será a quinta população mais idosa do mundo e somente 21% dos brasileiros aproximadamente se preparam de alguma forma para a velhice”, afirma.

++ Resumo Atualidades: Demografia e envelhecimento populacional

Outro ponto que pode ser abordado nas redações é o impacto da educação financeira na vida familiar. Ao contrário do que se supõe, não é só o estudante que se organiza melhor e passa a refletir sobre o dinheiro. A criança que é exposta à educação financeira impacta positivamente a família.

Andréa destaca também que o tema pode ser analisado pelo viés do empreendedorismo. “O brasileiro tem uma ‘alma’ empreendedora. Só que quando a gente vai ver os dados econômicos a gente vê que inúmeras empresas acabam indo à falência porque as pessoas não têm um mínimo entendimento do planejamento financeiro.”

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