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“Antenada e política”: professores analisam primeiro dia da Unicamp

Questões relacionaram literatura com contextos sociais brasileiros e trouxeram diversos gêneros textuais

Por Juliana Morales Atualizado em 10 jan 2022, 10h36 - Publicado em 9 jan 2022, 21h29

Mais uma vez, a prova da Unicamp foi extremamente atualizada, política e antenada com tudo que está acontecendo. Essa é a análise de Vitor Ricci, coordenador do Poliedro Curso de Campinas, sobre o primeiro dia de provas da segunda fase da Unicamp 2022. Neste domingo (9), os candidatos resolveram dez questões discursivas de português e inglês e escolheram para escrever uma das propostas de redação – um post de redes sociais, o famoso “textão”, de influenciador digital, ou manifesto sobre o corte de verbas na ciência e tecnologia.

Segundo Ricci, para acertar as questões, o candidato precisava interpretar os textos e criar conexões entre eles, além de fazer relações com a realidade em que ele está inserido.

Sérgio Paganim, diretor pedagógico do Curso Anglo, destaca três grandes características desse primeiro dia de prova. “Primeiro, a relação da literatura com contextos sociais brasileiros. Segundo, a análise da língua em uso com foco nos gêneros textuais. E por fim, o inglês como um pano de fundo para exploração de conhecimentos específicos como biologia e geografia”, analisa.

 

Confira os comentários por disciplina.

Literatura

Para Paganim, a parte de Literatura teve um nível bastante exigente. A prova alternou entre o domínio do enredo – um exemplo é a questão sobre Seminário dos Ratos – com a leitura profunda de outros textos, no caso da questão que tinha o soneto de Camões e a da Carta do achamento do Brasil. “Em todos esses casos a gente consegue ver uma relação estreita entre o texto literário e o contexto social brasileiro. Em Seminário dos Ratos, por exemplo, observamos a relação com o contexto dos anos dos governos militares no Brasil”, diz.

Outro exemplo destacado pelo professor é a questão que citou a música Ismália, do Emicida, e o poema do Afonso de Guimarães. “A questão focava na exclusão da população negra, que é um aspecto que observamos no contexto atual”.

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Milton Costa, professor de Redação, Gramática e Literatura do Curso Pré-vestibular da Oficina do Estudante de Campinas (SP), concorda que a prova foi considerada difícil. “Uma das obras seria capaz de elevar sozinha o nível de dificuldade da prova, sobretudo se comparada à edição anterior, de 2021: apesar de poder ser lido em apenas 25 min, o conto Seminário dos Ratos exige interpretações cuidadosas, ainda que a questão tenha sido de nível médio”, afirma. Segundo ele, a grande dificuldade estava no número de características a serem apresentadas: sempre duas.

Gramática

“Em gramática e texto, a prova apresentou uma tônica muito grande da língua em uso. Há uma variedade de gêneros textuais muito grande nessa prova”, analisa Paganim. As questões trouxeram roteiro, sinopses, relato, texto de divulgação científica, tweet, rap, poema. O diretor do Anglo conta que a equipe de professores sentiu falta de questões relacionando mecanismos linguísticos com a construção do sentido, que é tradicional na prova da Unicamp.

Ricci destaca a questão que trouxe os tweets de Juliette, vencedora do Big Brother Brasil em 2021, e o cantor Chico Cesar, sobre xenofobia. “A banca mostrou, mais uma vez, o quanto a prova da Unicamp é atualizada e está presente em vários canais de comunicação para gerar seu material de vestibular”, diz.

Inglês

Márcio Pantoja, professor do Curso Pré-vestibular da Oficina do Estudante de Campinas (SP), afirma que a prova de Inglês da Unicamp apresentou dois textos muito bem escolhidos. O primeiro é um texto da ONU esclarecendo o conceito de genocídio, termo que surgiu após o fim da Segunda Guerra Mundial. Na questão interdisciplinar o candidato deveria citar exemplos de outros genocídios na história.

O segundo texto versava sobre a flexibilização da lei de 14 dias, permitindo que os pesquisadores sejam capazes de compreender melhor os motivos de eventuais interrupção de gravidez e complicações congênitas”, conta.

* Esta reportagem está em atualização!

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