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Candidatos a reitor rejeitados por Bolsonaro lançam carta de repúdio

O presidente ignorou a prática de sempre escolher os candidatos mais votados, respeitando, assim, a vontade da comunidade universitária

Desde o começo do ano, o governo Bolsonaro já interferiu seis vezes na escolha de reitores das universidades federais, ignorando os candidatos mais votados e indicados pela comunidade universitária (professores, alunos e funcionários). Ontem, cinco desses seis “primeiros colocados” preteridos pelo presidente lançaram uma carta em repúdio a essa postura. 

Oficialmente, quem faz a nomeação do reitor e dá a palavra final é o presidente da República. Ele deve se basear em uma lista tríplice formada a partir da votação na comunidade universitária. Desde 2004, o primeiro colocado da lista (ou seja, o mais votado) era nomeado em respeito à decisão da universidade. O atual governo acabou com a prática. Nas 12 nomeações de reitores deste ano, Bolsonaro acabou optando em seis casos pelos candidatos que ficaram em segundo ou terceiro lugar. 

Segundo a carta dos candidatos não escolhidos, embora a decisão não seja ilegal ela representa uma ruptura com os processos democráticos de gestão da universidade. Eles também destacaram a falta de clareza dos critérios levados em conta na decisão — o que coloca em risco, segundo os candidatos, princípios de moralidade e impessoalidade previstos na Constituição. 

A nomeação dos reitores não foi bem aceita pelos estudantes. Na Universidade Federal do Ceará (UFC), por exemplo, o acesso à reitoria foi bloqueado no dia em que Cândido Albuquerque deveria assumir o cargo. O caso da UFC ganhou repercussão depois que Albuquerque afirmou em entrevista que havia procurado o ministro da Educação antes da escolha, e que pretendia aderir ao plano de financiamento das federais apresentado pelo MEC (Future-se). O novo reitor da universidade recebeu 610 votos na consulta à universidade, mais de 7 mil atrás do primeiro colocado. 

Assinaram a carta os candidatos à reitoria Anderson André Genro Alves, da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), Custódio Luís Silva de Almeida, da Universidade Federal do Ceará (UFC), Fábio César da Fonseca, da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), Georgina Gonçalves dos Santos, da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), e Gilciano Saraiva Nogueira, da Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM).

A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) reiterou que defende a nomeação do primeiro colocado na lista tríplice, respeitando a vontade da maioria.