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EAD: um passo a passo para a escolha do curso

Saiba quais aspectos você deve levar em consideração na hora de decidir por uma escola e uma graduação a distância

Assim como nos cursos presenciais, para escolher uma boa graduação a distância é preciso estar atento a uma série de requisitos básicos que diferenciam as instituições em termos de qualidade. No caso da EAD, há algumas particularidades a ser levadas em consideração, especialmente no que se refere aos recursos digitais disponíveis e à metodologia de ensino. Ou seja, de que forma o curso é desenhado para que a interface entre a tecnologia e o estudante promova o aprendizado e a formação adequada.

Nesta reportagem, aprofundamos a discussão sobre alguns parâmetros que podem balizar a escolha da instituição que atenda melhor aos seus interesses.

A classificação do MEC

Qualquer instituição precisa atender às regulamentações do Ministério da Educação (MEC), que estabelece padrões de qualidade mínimos para permitir o funcionamento da escola e do curso. Essas informações podem ser acessadas no site.

A instituição de Ensino Superior precisa estar credenciada no MEC, o que garante que a escola cumpra requisitos básicos de qualidade exigidos e fiscalizados pelo ministério para poder funcionar, e os cursos devem ser reconhecidos para que o diploma seja válido. O reconhecimento só ocorre após a primeira turma ter cumprido metade da carga prevista. Até então, o curso deve apenas ser autorizado pelo MEC.

Mas, além desses trâmites de permissão para o funcionamento de escolas e cursos, o MEC faz uma avaliação das graduações. O principal indicador de qualidade se chama Conceito Preliminar de Curso (CPC), que analisa uma série de indicadores, como desempenho dos estudantes, qualifcação do corpo docente e percepção dos alunos sobre as condições de ensino e a infraestrutura.

A nota do CPC é calculada a partir de uma escala que vai de 1 (pior resultado) a 5 (melhor resultado). Na hora de conferir as notas no site do MEC, descarte de imediato os cursos com notas 1 e 2 – trata-se de graduações que foram reprovadas pelo MEC e, se os cursos não apresentarem as melhorias exigidas, podem vir a ser fechados.

No levantamento mais recente do MEC, consultado em setembro deste ano, há apenas nove cursos com nota 5 (exce-
lente) e 143 com nota 4 (muito bom). A grande maioria das graduações apresenta nota 3, considerada suficiente. Caso o curso seja muito novo e ainda não possua o CPC, procure saber como é a graduação que a mesma instituição oferece na modalidade presencial – se o curso for bom, pode ser um sinal de que a qualidade será mantida na EAD também.

Pedagogia e tecnologia

Após conferir os dados disponibilizados pelo MEC, procure obter o máximo de informações sobre o projeto pedagógico. A metodologia ideal é aquela que prevê uma série de atividades adaptadas à modalidade a distância – e não uma mera substituição das aulas presenciais pelas videoaulas. Afinal, sem a presença constante do professor, o aluno deve dispor de orientações necessárias para ir atrás do conhecimento essencial e de mecanismos efcientes de interação com docentes e outros colegas de turma.

Nesse sentido, uma proposta pedagógica bastante interessante adotada pelos melhores cursos é a chamada aula invertida. Como o nome sugere, trata-se do processo contrário ao aplicado geralmente em sala de aula. A partir de videoaulas, podcasts (gravações de áudio) e de textos recomendados, o aluno se prepara sobre o tema de estudo antes do contato com o professor. No momento da interação virtual, o professor ou o tutor tira as dúvidas e estimula o debate com os alunos, que, por já terem estudado sobre o tema, conseguem aprofundar mais as discussões.

Quanto ao material didático, Renato Bulcão de Moraes, conselheiro da Associação Brasileira de Educação a Distância (Abed) e coordenador do curso de licenciatura em filosofia da Universidade Paulista (Unip), destaca a necessidade de oferecer opções para o estudante ir além do que está no ambiente virtual de aprendizagem (AVA), a plataforma
digital dos cursos EAD. “O ideal é que o conteúdo não se limite a um texto, mas que traga sites, referências, dicas de filme, enfim, outras formas para o estudante começar a entender o universo da questão proposta, situá-lo dentro de um conjunto que dê uma lógica ao que está estudando.” Ele ainda destaca como essencial “ter uma grande biblioteca virtual ao alcance do celular”.

Um bom curso também deve propor uma série de atividades para os alunos, estimulando a discussão e a interação a partir de recursos mais triviais, como fóruns e chats, e utilizar outras tecnologias pedagógicas. Os laboratórios virtuais, por exemplo, ajudam a simular experiências nos cursos de caráter mais prático e os “Jogos de Empresas” permitem ao estudante da área de gestão e negócios encarar desafios e situações específcas do mundo corporativo.

E, em se tratando de conexão com o meio empresarial, é importante saber se a instituição mantém parcerias com empresas, seja para a realização de estágios, palestras ou outras atividades práticas, seja para auxiliar na colocação no mercado de trabalho.

O corpo docente

O papel de professores e tutores é fundamental para o funcionamento de um bom curso EAD. Na modalidade a distância, o estudante é acompanhado por um ou mais tutores especializados, que atuam on-line. A tutoria a distância pode ser acionada para atividades específicas, em dias e horários defnidos, ou no esquema de plantão, no qual o aluno consulta o tutor em qualquer momento do dia ou da noite para esclarecer alguma dúvida. O que irá pesar a favor dos melhores cursos são a qualidade da resposta e a agilidade na devolutiva ao aluno.

Não existe um padrão de tempo ideal de espera por uma resposta do tutor ou do professor. Esse é um aspecto importante de qualidade que pode ser dimensionado ao conversar com professores em visita ao polo. “O ideal seria uma resposta instantânea, como no WhatsApp: quanto mais rápido o retorno, melhor. No estudo a distância, quando não recebe a resposta, o aluno fca ansioso”, constata Carlos Fernando de Araújo Júnior, pró-reitor da Universidade Cruzeiro do Sul Virtual. Quando a devolutiva demora mais de um dia, o aluno pode sentir que a instituição não faz o acompanhamento necessário, o que pode estimular o abandono do curso.

Para que a tutoria consiga tirar as dúvidas dos estudantes e atender as suas dificuldades específcas, é fundamental que a instituição não exagere na proporção de alunos por turma. Para o MEC, a proporção ideal seria de um professor e um tutor para cada 30 alunos. A recomendação é difícil de ser cumprida, mas vale a pena escolher um
curso que se aproxime dessa meta. O MEC também defniu um teto máximo de 180 alunos por professor e tutor – qualquer número acima disso é cilada.

Também vale mencionar a importância da tutoria presencial para os cursos que possuem muitas atividades práticas nos polos. Os melhores tutores oferecem, além do suporte administrativo, a supervisão das tarefas nos laboratórios e a mediação dos debates.

Já o papel de um bom professor está relacionado à capacidade de manter os estudantes estimulados, utilizando da forma mais criativa os recursos do AVA e agindo como um curador para o acesso aos conteúdos que irão fomentar o aprendizado. E não basta desenvolver atividades interessantes: é essencial que a escola acompanhe de perto a participação e o desempenho dos estudantes. Se o aluno não participar das atividades, professores e tutores devem entender suas difculdades e orientá-lo a extrair o máximo potencial do curso.

Um acompanhamento eficiente, aliás, permite aos professores e tutores desenvolverem atividades customizadas para os estudantes. Alguns dos melhores cursos EAD possuem um sistema de monitoramento capaz de identifcar as principais difculdades dos alunos. Com isso, é possível aplicar sistemas de avaliação individuais aos estudantes, focando nos pontos fracos apresentados no desenvolvimento de uma disciplina específca.

Polos

Sua avaliação sobre a infraestrutura da instituição vai depender muito do tipo de curso. As graduações mais teóricas, como as da área de Ciências Humanas, em que o aluno praticamente só vai à sede ou ao polo para realizar as provas, podem dispor de instalações mais simples. Além da sala para a realização das avaliações, é fundamental que a instituição disponibilize uma biblioteca especializada. Ganham pontos as instituições que oferecem algo a mais, como palestras e workshops.

Já nos cursos de caráter mais prático, como as Engenharias e as graduações na área de saúde, a infraestrutura faz a diferença. Além de salas com computadores, as escolas devem oferecer laboratórios especializados para as atividades práticas. Em sua visita ao polo para conhecer o curso, fque de olho na qualidade, na diversidade e nos tipos de equipamento e também procure saber como são as atividades ali realizadas, qual é a frequência dos encontros e como é feito o acompanhamento dos tutores.

Os cursos EAD com as melhores notas nas avaliações do MEC

Confra os melhores cursos a distância nas cinco carreiras com maior número de matrículas na EAD. Foram selecionadas as escolas com melhor Conceito Preliminar de Curso (CPC). O critério de desempate foi a nota no Índice Geral de Cursos (IGC) – indicador de qualidade para as instituições, que, assim como o CPC, possui uma escala de 1 a 5.

 

 (Reprodução/Guia do Estudante)

Passo a passo

Saiba o que fazer para escolher um bom curso na modalidade a distância

  1. CONTROLES DE QUALIDADE DO MEC: Confira se a instituição está credenciada no MEC e se o curso que você procura tem o reconhecimento do ministério para que o diploma seja válido. Consulte os indicadores de qualidade desse curso – o mais importante é o Conceito Preliminar de Curso (CPC). No site, você obtém as informações sobre credenciamento, reconhecimento e as avaliações do MEC. Para consultar o CPC, siga os
    seguintes passos:
    • clique na aba “consulta avançada”
    • selecione “curso de graduação”
    • preencha o campo “Curso”, com o nome da graduação de seu interesse
    • selecione a modalidade “a distância” e acione a pesquisa.
  2. O PROJETO PEDAGÓGICO: Qualquer curso, a distância ou presencial, é baseado em um projeto pedagógico que define objetivos, metodologias, disciplinas, material didático e atividades de aprendizado. O projeto deve incluir um ou mais módulos tutoriais de uso de ferramentas de aprendizado on-line. Consulte o projeto pedagógico do curso no site da escola. Se não estiver disponível, peça que lhe enviem o documento por e-mail.
  3. OS RECURSOS TECNOLÓGICOS: Todo curso deve ter uma boa plataforma de ambiente virtual de aprendizado (AVA), composta de textos interativos, vídeos, games, e-books e outros materiais didáticos digitais de qualidade. Também deve oferecer recursos de interação, como chats e fóruns e, dependendo da área, laboratórios virtuais. A maioria das escolas apresenta a descrição dos recursos no site. Mas vale a pena também mandar um e-mail para a coordenação e perguntar quais são os recursos disponíveis para o aluno.
  4. PROFESSORES CAPACITADOS: Quanto maior o número de professores-doutores, melhor. Os tutores devem ter ou estar cursando, no mínimo, mestrado ou especialização na área. É fundamental que o professor desenvolva atividades interativas para manter os estudantes estimulados, e os tutores estejam aptos para esclarecer as dúvidas dos estudantes com a agilidade necessária. Turmas com muitos alunos podem dificultar o atendimento dos tutores. Se a informação sobre a capacitação e titulação dos professores e a relação entre número de professores e de alunos não constar do site da escola, procure a secretaria para se informar.
  5. INFRAESTRUTURA FÍSICA: Toda instituição de EAD tem polos de apoio nas regiões em que pretende atuar. Os polos bem estruturados contam com auditórios, laboratórios e equipamentos para eventuais práticas e para a realização de provas presenciais. Todos precisam ter uma biblioteca, conforme determinação do MEC. Visite o polo presencial e observe se os laboratórios são bem equipados, se há uma biblioteca informatizada e se os tutores estão disponíveis para atender os alunos nos encontros presenciais.