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Fuvest: redação é coerente para tempo em que vivemos, dizem especialistas

Tema “De que maneira o passado contribui para a compreensão do presente?” foi elogiado por professores

Neste ano, a redação do vestibular da Fundação Universitária para o Vestibular (Fuvest) trouxe o tema “De que maneira o passado contribui para a compreensão do presente?”.

Segundo a coordenadora de redação do Poliedro, Gabriela Carvalho, a proposta não surpreendeu. “A prova de redação seguiu o padrão da Fuvest de anos anteriores, trazendo à tona uma questão social atual e propondo sua análise a partir de um plano mais filosófico ou sociológico”.

Para Gabriela existe um forte fator político envolvido. “É esperado que a prova atue politicamente, no sentido de abrir caminho para discutir determinados assuntos. A Fuvest, por sua importância e alcance nacional, acaba dando validade para abordar determinado tema em sala de aula”.

Sérgio Paganim, supervisor de Linguagens do Anglo, afirma que a prova também tem um forte poder de estimular reflexão do candidato sobre sua própria existência. “A Fuvest costuma pegar um aspecto específico da realidade e propor sua aplicação em uma dissertação”.

A prova foi bastante elogiada entre os professores. A coletânea extensa foi um destaque nesta edição, segundo Gabriela. “Ela estava muito bem trabalhada, apresentando gêneros textuais diversos. Essa mistura é estimulante e produtiva”.

Outro ponto em comum com os exames de anos anteriores foi apresentar a proposta em forma de pergunta. Entretanto, com uma pequena diferença: o questionamento não era se o passado contribui ou não para o presente, mas de que forma isso se dá. Segundo Paganim, essa sutil mudança deixou o tema um pouco mais complexo.

“A formulação já parte do pressuposto que o passado contribui. O grande desafio foi conciliar as possibilidades de como isso pode ocorrer com os textos apresentados. Ou seja, o tema em si não era muito difícil, mas a forma como ele foi colocado dificulta o trabalho do candidato. O ‘de que maneira’ torna a discussão complexa e interfere no direcionamento do texto”.

O primeiro dia da segunda fase também apresentou questões que, segundo Paganim, conversavam com a proposta. “Tanto a questão sobre o patriarcado e o matriarcado, como a questão sobre ditadura, por exemplo, poderiam ajudar o candidato a desenvolver o tema”.

Esse fator reforça a orientação de muitos professores sobre a estratégia de ler a proposta de redação, começar os exercícios e voltar para a redigir a dissertação posteriormente.

“É possível fazer um bom aproveitamento desse repertório que aparece de maneira mais sutil. Após uma análise da prova como um todo, o candidato pode se sentir mais preparado para abordar o assunto proposto. É uma forma de refletir mais a partir de diferentes aspectos”, aponta o professor.

Para ambos, o tema é de extrema importância no mundo contemporâneo e a proposta busca analisar a capacidade crítica do candidato, mas, ao mesmo tempo, exige a leitura atenta da coletânea.

“O tema está muito ligado ao incêndio do Museu Nacional e ao momento social atual, no qual opiniões, posicionamentos políticos e ideologias são, muitas vezes, colocados acima de fatos históricos”, afirma Paganim.

“Foi uma proposta típica e coerente com o contexto social atual”, completa Gabriela.

Vagas

No total, a Fuvest oferecerá 8.365 vagas para a graduação em 2019, das quais 6.134 serão reservadas para candidatos na modalidade ampla concorrência, 1.475 serão para candidatos de escola pública (EP) e 756 para a Ação Afirmativa Preto, Pardo e Indígena (PPI).

Mudanças

As provas foram aplicadas em duas etapas. A primeira fase, constituída de 90 questões objetivas sobre as disciplinas obrigatórias do ensino médio, ocorreu em 25 de novembro.

Já a segunda fase, que teve a diminuição de três para dois dias de provas, foi aplicada em 6 e 7 de janeiro de 2019.

No primeiro dia da segunda fase, os candidatos enfrentaram as questões de português e redação, que permanecem iguais aos vestibulares anteriores. No entanto, no segundo dia foram cobradas disciplinas específicas (ou seja, aquelas exigidas pela carreira escolhida), cuja quantidade aumentou de duas a três para duas a quatro, a critério de cada unidade.

Calendário

24/01/19 Divulgação da lista dos aprovados em primeira chamada
06/02/19 Divulgação dos resultados dos “treineiros”
01/02/19 Lista da segunda chamada
08/02/19 Lista da terceira chamada
15/02/19 Lista da quarta chamada
22/02/19 Lista da quinta chamada
27 e 28/02/19 Manifestação de interesse na lista de espera
07, 12, 15 e 20/03 Convocações da lista de espera