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Harry Potter, o vestibulando

Ele tem tempo para destruir as Horcruxes e salvar o mundo bruxo do império maligno de Lord Voldemort. Mas e a faculdade, Harry, como é que fica? E, pergunta que não quer calar: como é a escola bruxa brasileira?

Por Por Claudia Fusco* Atualizado em 16 Maio 2017, 13h34 - Publicado em 19 nov 2010, 10h38

AVISO DE SPOILER: este texto tem informações sobre o enredo do último livro da série Harry Potter, Harry Potter e as Relíquias da Morte. Se você não leu o livro e pretende assistir ao filme, que estreia hoje, é melhor não ler.


Essa cara de tensão é por causa do Voldemort ou do Enem?

É a última prova da semana. Todos os alunos já estão sentados em suas carteiras, em silêncio, se preparando para receber a folha de perguntas. As questões são entregues e o cronômetro é acionado: o teste começa oficialmente. O garoto de 15 anos encara a prova com desespero silencioso. Olha para os lados, meio em pânico, e não se anima nada ao perceber que sua melhor amiga está escrevendo furiosamente no papel.

Essa cena podia acontecer em qualquer lugar – durante um simulado na escola, no cursinho ou mesmo na hora do vestibular -, mas foi tirada de Harry Potter e a Ordem da Fênix, o quinto livro da série. Na ocasião, Harry está fazendo (ou pelo menos tentando fazer) uma prova complicada de História da Magia. No quinto ano de Hogwarts, todos os alunos são obrigados a prestar os Níveis Ordinários em Magia, ou N.O.M.s, que selecionam os estudantes capazes de passar para o sexto ano, muito mais puxado.

O clima da prova lembra bastante o de um vestibular, de acordo com a descrição da autora J.K. Rowling. “[…] Harry olhou fixamente para a primeira pergunta. Passaram-se vários segundos até lhe ocorrer que não entendera nem uma palavra do enunciado […] Estava achando muito difícil lembrar os nomes, e toda hora confundia as datas. […] Harry leu mais adiante procurando uma pergunta a que decididamente pudesse responder”.

É, já deu para entender que o desempenho de Harry não foi exatamente brilhante – até porque, no fim das contas, ele passa mal durante o exame -, mas dá para perceber que nem mesmo os bruxos estão imunes das temíveis provas de seleção para conquistar a profissão dos sonhos.

Em Hogwarts, os alunos passam duas vezes por essa maratona de testes. Depois dos N.O.M.s, eles são direcionados aos N.I.E.M.s (os Níveis Incrivelmente Exaustivos em Magia), que são aplicados no fim do sétimo ano da escola. A partir daí, a escola de magia e bruxaria vira passado: o bruxo recém-formado tem que correr atrás de concursos e emprego para encarar a vida adulta.

– Leia também: as muitas semelhanças entre sua escola e Hogwarts
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Harry, que não é bobo nem nada, quer ser um auror – um bruxo profissionalmente capacitado em lutar contra as artes das trevas -, que é simplesmente a profissão mais concorrida e difícil do mundo mágico. Isso quer dizer que o cara precisa ter notas altas em matérias complicadas, como Transfiguração e Poções, e ser incrivelmente dedicado. Até lembra certos vestibulares trouxas, não é mesmo?

Na época dos exames, os jovens bruxos vão ao delírio. Alguns deles investem seus galeões em estimulantes mentais, como o Elixir Baruffio para o cérebro ou garras de dragão em pó, na busca por soluções rápidas. Há ainda quem tente bancar o espertinho e faz anotações nos braços ou embaixo das vestes pouco antes do teste, mas isso não adianta: todas as penas disponíveis são encantadas com um Feitiço Anticola. Além disso, os avaliadores dos N.O.M.s e N.I.E.M.s são bruxos altamente qualificados e treinados para lidar com a situação, o que dificulta ainda mais aquela suave troca de olhares durante a prova. Dureza, né?

Então, o jeito é estudar a sério. Nessa época, é comum que certos alunos – da Corvinal, especialmente – comecem a se gabar do número de horas que passam por dia fazendo revisões, listas de exercícios e ensaios. Tudo isso para escapar da terrível nota mais baixa possível, o Trasgo, que desqualifica o aluno na hora.

Harry, Rony e Hermione nunca chegaram a prestar os N.I.E.M.s – por motivos de força maior, os três escapam da escola no sétimo ano. Pelo que sabemos, porém, eles não tiveram dificuldades na vida adulta: Hermione vai trabalhar no Ministério da Magia, Rony dá continuidade à fantástica loja de seus irmãos e Harry conseguiu a profissão dos seus sonhos. Tudo isso sem passar pela etapa mais difícil do vestibular.

Mas N.O.M.s e N.I.E.M.s valem apenas para Hogwarts, a escola de magia britânica. Pouco realmente se sabe sobre os métodos de seleção de outras instituições educacionais dos bruxos. Como serão testados os alunos da Durmstrang? Quais serão as notas necessárias para se tornar uma auror respeitável formada em Beuxbatons?

E, afinal de contas, qual é o mistério por trás da escola de bruxaria brasileira? Aqui, o sistema de ensino é um tanto quanto diferente: os estudantes são testados de uma vez só, depois do último ano do colégio, pela instituição que mais interessa a ele. Então, fica a pergunta: como funcionaria a escola de magia para os bruxos que moram do lado de baixo do Equador?

Nessa escola brasileira, as férias tão aguardadas de dezembro seriam ensolaradas, e não cheias de neve. O ano letivo começaria em fevereiro ou março, dependendo da maneira que os bruxos tupiniquins festejassem o Carnaval. O sistema de internato não seria necessário: bastaria uma chave do Portal bem localizada em pontos de ônibus e metrô em todo o país. Além das disciplinas básicas, os estudantes estudariam os costumes regionais e criaturas folclóricas. Na hora do vestibular, o Enem bruxo também seria aplicado nos três anos do ensino médio, medindo a evolução do aluno em transfigurações e feitiços. Os calouros da faculdade teriam direito a espalhar moedas de ouro de Leprechaun pelo mundo trouxa. E sejamos práticos: #SeHarryPotterFosseBrasileiro, tentaria resolver suas diferenças com Voldemort em uma simpática roda de samba.

*A pottermaníaca Claudia ralou muito no vestibular e hoje é blogueira do Nerdices, da SUPERINTERESSANTE

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