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Maturidade é importante para escolher melhor o futuro profissional

Para psicólogos, o amadurecimento é uma questão individual, mas a experiência conta a favor desse processo

Por por MARIANA NADAI - Atualizado em 16 Maio 2017, 13h42 - Publicado em 14 abr 2011, 16h39

No mês passado, os meios de comunicação do país noticiaram que alunos do 2º ano do ensino médio de Goiânia, capital de Goiás, já estavam frequentando uma faculdade. Após conseguirem a pontuação necessária para aprovação no vestibular, mais de 50 estudantes, com ensino médio incompleto, matricularam-se na Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO).

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No mesmo período, foi publicado que mais de 470 candidatos foram convocados para a matrícula na Universidade de São Paulo (USP), mas não puderam efetuar a inscrição por não terem completado o ensino médio. A legislação sobre o tema é confusa. Enquanto a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) diz que o acesso aos níveis superiores se dá conforme a capacidade do aluno, o Ministério da Educação (MEC) afirma que todo estudante deve cumprir 200 dias letivos durante três anos de ensino médio (800 horas anuais) para estar apto a prosseguir para o ensino superior.

Diante dessas notícias, o GUIA DO ESTUDANTE levantou a questão: existe uma idade ideal para entrar na faculdade e escolher o futuro profissional? Para a professora e psicóloga Regina Sonia Gattas F. do Nascimento não, mas maturidade é fundamental. “Essas questões de se há ou não uma idade certa para entrar na faculdade são individuais, mas acho que é cedo entrar na faculdade antes de terminar o ensino médio. De um modo geral o estudante ainda não tem maturidade para definir o futuro”, diz.

Segundo a psicóloga, o problema é que quando se é muito novo nem sempre se sabe o que quer. “Além disso, quando a pessoa é muito nova acaba ficando mais perdida na universidade. No ensino superior não há professores cobrando os alunos, é preciso ter mais autonomia, algo que se adquire com maturidade. A universidade traz desafios que os estudantes muito novos não estão preparados”, explica Regina Sonia.

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De acordo com a psicóloga, a ideia do “muito novo” também se estende para os recém-formados no ensino médio. “Aos 17 anos essa escolha também é difícil, o estudante ainda não tem essa certeza. Muitos escolhem um curso por modinha, por influência de pais ou amigos ou por terem uma visão ideal, romanceada, da profissão”, afirma.

Para o orientador profissional Silvio Bock, colaborador do GUIA DO ESTUDANTE, é muito importante que a sociedade se pergunte o motivo de tanta ansiedade para entrar no ensino superior. “Esse quadro mostra os valores dessa nova geração, que acha que quanto mais rápido é melhor. Esses meninos devem viver em média 100 anos. Por isso me pergunto: o que quer dizer entrar antes do convencional na universidade?”, indaga o orientador.

Experiência conta na hora da escolha profissional
“Muitos dizem que é importante adquirir mais experiências além das conseguidas no ensino médio. Acho que talvez seja interessante copiar os modelos europeus, em que as pessoas se dão o direito de viajar um tempo depois da escola, para só aí pensar na entrada da faculdade”, diz Silvio Bock.

A dica de Regina Sonia é tentar se projetar no futuro. “A primeira coisa é fazer um projeto de vida. Pensar o que deseja ser lá na frente, aonde quer chegar. Afinal, a faculdade é apenas um meio para se chegar ao futuro profissional”, sugere.

Além disso, a psicóloga indica que os estudantes se informem sobre a profissão que pretende seguir. “Acho muito importante que o aluno veja na prática como é o dia a dia do profissional que ele quer ser. Também considero necessário que esse estudante tenha contato com pessoas comuns dentro dessa profissão, para deixar de lado a visão romântica da carreira”, explica.

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